30/04/2005
Ano 8 - Número 418

ARQUIVO SIMÕES

 

          

Francisco Simões

 

TANTO FAZ COMO TANTO FEZ


 

Pois é, amigos e amigas, certo dia o então presidente FHC achou por bem de chamar a nós, aposentados, de ... vagabundos. Lembram-se? Por favor, não esqueçam.

Agora, a esperança que eu defendi, o nosso Lula, sem medir as palavras e faltando ao respeito com a gente, povo, nos acusa de termos traseiros preguiçosos, e sugere que os levantemos de nossas poltronas para procurar juros melhores nos Bancos!!

Existe isso, prezado senhor?? Não me refiro aos nossos traseiros, mas aos tais juros melhores, claro. Afinal, pelo que se sabe, e até por experiência própria, cada um de nós já sentiu a mordida, cheia de “veneno”, de juros bancários. E como é daí mesmo, do planalto, via Banco Central, que autorizam os juros nas alturas, confesso minha incompetência para captar a vossa mensagem, caro senhor.

Por outro lado, e o senhor que foi líder sindical muitos anos sabe muito bem, banqueiro não deve ter alma nem coração. Ainda mais quando a lei o protege, o beneficia, o ampara, e mesmo o socorre... ou não?! Já acabaram com o PROER ou o rebatizaram com nome diferente? Parece que os ares desse planalto central costumam embaçar a visão dos que se mudam para aí.

Como deseja o senhor que nós, pobres mortais, que votamos para depois sermos xingados pelos que escolhemos, possamos tentar conter ou negociar com a voraz fome de lucro deles? Juros bancários têm, atualmente, como limite, o céu, mas não aquele em que acreditamos, porém o deles, onde anjinhos são cifras voadoras, e o paraíso deve ser todo forrado de verdinhas ou de multi cores do euro.

Ao Leão da Receita, que vive sob vossa tutela, tem sido concedido um poder insuperável, desde quando os governos deram de não mais corrigir a tabela do Imposto de Renda, criando assim o que alguns já chamam de “imposto invisível”, e sempre pra cima de nós, povo da classe média deste Brasil, como querer dar conselho ou exemplo para nos defendermos dos Bancos? E do Leão, quem nos defenderá?

Aproveito a oportunidade para implorar que parem de comemorar os tais “superávits”, é uma verdadeira ofensa, pois nos arrancando o couro de todas as formas e maneiras, antes utilizadas por seu antecessor e por vós severamente criticadas, não há muita vantagem. Afinal, em termos contábeis milagres acontecem.

E considerando os considerandos, de vagabundos a traseiros preguiçosos, com o vosso Leão palitando as garras e rindo de nossa desgraça, a cada ano, vejo que tanto faz como tanto fez. A troca de nomes, ou de mentes, ou de pessoas, em nosso país, não tem feito a menor diferença ultimamente.

O resto é discurso para 2006 e/ou ou ofensa para agora mesmo. E nem adianta pedir desculpas, com todo o respeito, melhor seria lembrar as promessas feitas e pô-las em prática, mas devemos estar pedindo muito.

Parece que na visão de políticos brasileiros o eleitor serve mesmo é para votar e manter o regime, a nossa jovem e débil democracia. Eleitor, aqui, só recebe abraços, sorrisos e promessas próximo aos pleitos, depois tem que ouvir cada coisa...!!!

Resta-nos anotar tudo para não esquecermos nas próximas eleições. Novamente.
 

 
(30 de abril/2005)
CooJornal no 418


Francisco Simões
escritor, fotógrafo (expositor), radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
www.franciscosimoes.com.br