07/05/2005
Ano 8 - Número 419

ARQUIVO SIMÕES

 

          

Francisco Simões

 

TOUCHE: AVENTURAS DE UM YORKSHIRE


 

Clique na figura para ver Touche bem maior...Em janeiro/2004 eu recebi um lindo presente. Meu sobrinho Glauco Fernandes veio do Rio até Cabo Frio para me agraciar com aquela coisinha pequenina que mais parecia uma bola de pêlos. Tinha pouco mais de um mês de vida. Lindo presente, um agrado que mudou minha vida, um tanto solitária, para melhor. Ele já vinha com nome, sobrenome e uma linhagem magnífica registrada no seu pedigree.

Touche foi logo assumindo o seu lugar de destaque em minha casa. Dócil, carinhoso, amigo, rápido cativou todos os que passaram a conhecê-lo. A criançada da vizinhança também o elegeu como seu bichinho de estimação e quase diariamente passava cá em casa para o ver, o cumprimentar, o acariciar. Seu fã clube crescia rapidamente enquanto o tempo avançava e ele ia ganhando idade, esperteza, traquinagem, etc.

Tratamos de o cercar de muitos brinquedos, de vários tipos, além de presenteá-lo com uma bonita cama para dormir, mas Touche é muito irrequieto também à noite. Não pára em lugar algum, dorme um pouco em cada sítio da casa. Pula pra minha cama, mas logo vai para a dele ou para o chão ou para uma das camas dos outros quartos. Jamais o cerceei nesses seus intentos.

Já com apenas dois meses de vida nosso Touche passou a demonstrar um forte, digamos... apetite sexual. Acreditem. Não perdoava uma perna que estivesse parada e ao seu alcance. Amigos que freqüentam minha casa foram se habituando com aquelas “investidas” do pequenino yorkshire, e, embora eu tentasse sempre evitar que ele consumasse seu intento, as pessoas acabavam por achar tudo muito divertido.

Com o passar do tempo o pequenino foi crescendo e ficando ainda mais observador quanto às cadelinhas que surgiam à sua frente pela janela de nossa sala. Quando ele vê alguma fica desesperado, agitadíssimo, late, uiva, sobe e desce a escada, faz de tudo para chamar nossa atenção. Algumas vezes o levamos lá fora para um... contato imediato, mas não do “primeiro grau”!

Cremos que algumas vezes bate no coraçãozinho dele um tipo de paixonite mesclada com forte e ardente desejo. Aí, amigos, o baixinho se põe a uivar feito um pequeno lobo caseiro por horas. Até que ele fica bonitinho, sentado, com a cabecinha levantada e a uivar seguidamente. Corta o coração da gente, pois queremos atendê-lo mas não temos dado sorte. Já conseguimos atrair algumas “namoradas” mas elas se assustam com a impetuosidade do nosso Touche. E as donas das cadelinhas, mais ainda...

Uma dessas senhoras veio aqui em casa com uma linda cachorrinha da mesma raça. Era para os dois terem um ensaio de... “noivado”. A madame, porém, a todo momento puxava para o colo a cadelinha e dizia que... tinha medo de o Touche fazer mal à ela!! Ora, ora, o baixinho queria era fazer bem, a ambos, mas com aquela “mãe” a bonita yorkshire vai preservar ainda sua virgindade por muito tempo, com certeza.

Cada vez que vou à casa da amiga Marlene ele se atira, literalmente, pra cima da Thuani, uma bonita cadela da raça Coker e que já tem 4 anos de vida. Seu porte é de rainha, calma, completamente diferente de Touche. Há dias em que ele azucrina a pobre Thuani, cercando-a, querendo subir em suas longas pernas, lambendo-a, etc e tal. De quando em vez ela dá-lhe um fora, mas pouco adianta. Ele não desiste.

Touche foge, porém logo retorna para perto dela com ar de D. Juan à brasileira, cheio de malandragem, gingas, e artimanhas mil. Algumas vezes somos obrigados a pô-lo na coleira e com extensão de poucos metros de modo que não alcance Thuani. Em outros momentos eles convivem pacificamente sem assédios, sem insistências importunas da parte do nosso bravo e irrequieto yorkshire. Mas são poucos esses minutos.

Jamais pensei que depois de viver tanto, eu, assim como a boa amiga Marlene, fôssemos bancar, digamos assim, uma dupla de “caftinagem”, se podemos usar esta palavra em algum bom sentido, sem lucro e com a melhor das intenções: ver o nosso querido Touche feliz e realizado.

Cruzar por cruzar com cadelas que já macularam sua raça, isso não, pois Touche merece o melhor que pudermos fazer por ele e pela manutenção de sua linhagem, claro. Uma de minhas vizinhas bem que já ofereceu a cachorrinha dela quando estiver no cio, evidentemente. Ocorre que a bichinha é fruto de mistura de yorkshire com... sabe-se lá que tipo de vira-lata. É fácil perceber esta miscigenação no pêlo dela.

A própria doutora que assiste ao nosso Touche desaconselha tais “enlaces” que descaracterizam a linhagem de raças puras. Concordo com ela. O jeito é esperar, afinal ele tem só um ano e três meses, embora demonstre um “apetite” voraz, como já disse, desde os dois meses.

Certamente muitas sessões de uivos ainda irão nos ser apresentadas pelo filho de Snoopy Silvery Star e Shirra Chelles House até que consigamos promover o seu acasalamento, mas obedecendo às regras de descendência que nos têm sido aconselhadas por pessoas experientes.

Confesso que nunca imaginei ser tão difícil fazer-se completamente feliz um cachorrinho tão lindo, tão amigo, tão dócil, embora algumas vezes tão traquinas, tão desobediente, o que o faz ainda mais atraente no nosso relacionamento diário. Não gostaria que Touche apenas nos obedecesse sem demonstrar traços fortes de uma personalidade que, em verdade, nos encanta.

Bem, hoje era o que eu queria lhes contar sobre o nosso bravo “yorkshire”, entretanto mais histórias, mais peripécias, mais aventuras do Touche eu reservarei para outra oportunidade. Um au-au para todos.
 

 
(07 de maio/2005)
CooJornal no 419


Francisco Simões
escritor, fotógrafo (expositor), radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
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