03/09/2005
Ano 8 - Número 440

ARQUIVO SIMÕES

 

          

Francisco Simões

 

O FIM (OU O ÊXITO) DA HOMEOPATIA?

No dia 27/agosto deste ano, saíram novos ataques à homeopatia na imprensa internacional, o que não é nenhuma novidade. Afirmando agora se basear em estudos de cientistas suíços, o jornal britânico The Lancet divulga alguns testes que, segundo eles e os tais cientistas, provariam que “a homeopatia não traz benefícios para a saúde e o seu efeito é comparável ao de um placebo.” Os títulos das matérias tinham o mesmo objetivo: “O Fim da Homeopatia”.

Bem, é indiscutível que por trás desses ataques que ocorrem de tempos em tempos devem estar interesses de grandes e poderosos laboratórios internacionais, certamente contrariados pelo constante crescimento da homeopatia. Acompanhei o noticiário com atenção e recebi inclusive informações saídas em jornais europeus a mim enviados por um bom amigo que lá vive.

Afirmo duas coisas: é flagrante a procura cada vez maior, em todo o mundo, por tratamentos através da homeopatia, e só se ataca, pelo menos na visão dessas poderosas empresas, quem está incomodando. Ninguém me diga que possa haver uma preocupação com a saúde de pacientes que há décadas se tratam com medicamentos homeopáticos, como eu, pois os defensores da medicina tradicional teriam também que explicar fracassos com a aplicação de suas drogas, evidentemente.

Não sou médico, logo não posso aqui usar uma argumentação técnico-científica para combater e/ou desmentir categoricamente as assertivas apresentadas como eventuais resultados de pesquisas recém feitas em laboratório suíço. Sou porém um paciente que usa a homeopatia há cerca de 30 anos, com o mesmo médico, e, por julgar válido o meu depoimento, posso contrariar as conclusões agora apresentadas como “provas” contra a homeopatia, tanto no que se refere a mim como a parentes meus.

Em verdade não deixa de ser apenas nova etapa de uma “guerra” que esses laboratórios, inconformados com o sucesso indesmentível dos tratamentos homeopáticos, buscam levar ao descrédito o que, a cada dia, a cada ano, mais crédito tem em todo o planeta. Transcrevo aqui a palavra do Dr. Luildo Marcos de Noronha, presidente da Associação Portuguesa de Homeopatia que, como eu, não se mostrou surpreendido com mais esta investida, através do tal estudo suíço. Afirmou ele:

“É a mesma história de sempre. Querem denegrir a homeopatia que tem estado a produzir efeitos terapêuticos há 200 anos.” Conforme também disse este médico ao jornal “Diário de Notícias”, de Portugal, a investigação divulgada pelo famoso jornal britânico contrasta com outros estudos, reconhecidos pelo Conselho Europeu de Homeopatia Clássica, “onde se prova o contrário”.

Mais adiante, O Dr. Noronha asseverou: “Quanto mais diluído for o medicamento, maior o seu efeito terapêutico e esses fármacos não causam alergias, não têm efeitos secundários nem criam habituação.” Isto foi argumentado justo pelas críticas feitas pelos defensores da alopatia de que quanto mais diluídos menos eficientes seriam os medicamentos. Ocorre que eles devem saber não ser verdade o que afirmam, porém provavelmente outros interesses devem obrigar a persistirem nesta “guerra”.

Também a Associação Homeopata Britânica discorda do referido estudo. Disse Mr. Peter Fisher, pela Agência Reuters (Jornal O Público, de Portugal): “A homeopatia sofre esses ataques há 200 anos, mas está cada vez mais forte porque as pessoas querem-na e muitos estudos provam que funciona. Este assunto deve ser tratado com extrema cautela. A amostra (do estudo) é pequena e nem dizem em que se baseiam.”

A mesma revista The Lancet, todavia, faz também referência a um relatório anterior da OMS – Organização Mundial de Saúde, a respeito da homeopatia e que contraria o trabalho agora divulgado pelos cientistas suíços e britânicos. Este relatório da OMS garante que a maioria dos trabalhos científicos publicados nos últimos 40 anos demonstraram que a homeopatia tem efeito superior ao de placebos. Esta parte do noticiário, entretanto, não teve tanta repercussão. Pergunto: por quê?

Por trás desse ataque de agora está também o fato de que, na Europa, os serviços de saúde pública são, em geral, muito satisfatórios. Eles nada dizem, mas existe uma pressão, conforme a imprensa internacional o noticia, para que programas de saúde pública europeus, como o britânico, não mais financiem tratamentos com produtos homeopáticos, somente atendendo aos que se valem da medicina tradicional. Pois é!!

Fiquei pasmo com certas expressões verbais empregadas desta feita por defensores da medicina tradicional, passando a impressão de quererem tentar convencer pelo grito, pela intimidação. Refiro-me ao que li na imprensa internacional como sendo declaração de um dos cientistas suíços: “Os médicos (homeopatas) deveriam ter honestidade com seus pacientes e revelar a falta de benefícios da homeopatia”. Deselegante na forma, enganoso nas palavras, enfim, anti ético no conteúdo.

E mais decepcionante é quando o prof. Egger, da Universidade de Berna, Suíça, conclui: “Algumas pessoas relatam que se sentem melhores depois de tomar remédios homeopáticos, entretanto isto se deve mais a fatores psicológicos, já que em um tratamento homeopático os médicos destinam muito mais tempo e atenção ao paciente do que normalmente o fazem os médicos alopatas.”

Afirmação que não corresponde à verdade, mas que dá ensejo para que se registre um pequeno alerta: por quê os médicos alopatas não dedicam maior tempo aos seus clientes? Justo porque muitos deles pouco se importam com o ser humano, seu paciente, e receitar medicamentos é para eles uma rotina mais importante, ao que parece, do que dedicar o melhor de sua atenção aos pacientes, caso a caso.

Aí, com certeza, repousa parte do grande sucesso da homeopatia, mas pelos resultados positivos de cada tratamento, jamais por meros... “fatores psicológicos”. Eu nunca submeteria minha saúde a qualquer médico que tivesse a arrogância, o desrespeito injustificável de fazer este absurdo julgamento de colegas de profissão. Lamentável.
 



(03 de setembro/2005)
CooJornal no 440


Francisco Simões
escritor, fotógrafo (expositor), radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
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