26/11/2005
Ano 8 - Número 452

ARQUIVO SIMÕES

 

          

Francisco Simões

 

ENCONTREI UM COMPANHEIRO

Amigos, outro dia recebi, entre as mensagens habituais de leitores que comigo se comunicam, uma diferente e vinda de alguém que eu não conhecia. Já explico o porque de eu querer dar a ela este destaque, por sinal merecido e comemorado.

Em janeiro/2004, eu divulguei no coojornal da revista Rio Total a crônica “O que a medicina não explica”. Abordei fatos estranhos que já aconteceram comigo e com os quais convivi muito bem no passado. Um deles, porém, eu comecei a perceber ainda quando jovem e, em verdade, ele me acompanha até hoje.

Sempre imaginei se alguém mais passava pela mesma situação ou se eu seria o único escalado para conviver com tal, digamos, fenômeno físico. Isso seria pouco provável, porém nunca tivera qualquer informação, qualquer notícia de outra pessoa que tivesse observado, em seu corpo, aquilo que para mim já virara rotina há décadas.

Mas, agora eu sei que... não sou o único, ou, não estou sozinho neste planeta, relativamente ao tal fenômeno, claro. De repente vejo aquela mensagem entre as muitas que esperavam minha atenção tendo no assunto essas palavras: “Encontrei um companheiro!” Pensei, cheguei a hesitar abrir, pois estou acostumado com mensagens que visam a me atacar com vírus e que trazem temas que despertem curiosidade.

Além de ter sempre atualizado o meu anti vírus, o Norton, hoje uso toda uma estratégia de ver e abrir ou não mensagens a fim de me prevenir contra ataques que, no passado, me deram bons prejuízos. Estando bem exposto na internet é natural que sejamos alvo fácil, e por isso temos que ser ainda mais cautelosos, evidentemente.

Felizmente eu decidi ler o texto da mensagem. Quanto mais lia mais me dava prazer e acabei por dar uma boa risada de alívio e mesmo de alegria. Após se identificar, o remetente escreveu: “Bem, meu companheiro, tenho vivido esse dilema por anos também sem nenhuma explicação médica, cientifica, espiritual, etc.”

Ora, enfim alguém me descobrira, ou melhor, se descobrira para mim, mostrando que não sou mesmo o único ser, neste planeta, que convive com o fenômeno físico de... suar de um lado só. Eu também nunca consegui obter uma explicação para aquele fato real. Quem quiser lembrar de todos os detalhes poderá ler ou reler minha crônica neste endereço:  http://www.riototal.com.br/coojornal/simoes165.htm

Mais adiante, no texto da mensagem, o amigo diz: “Começo a suar do lado esquerdo e por outra vez do lado direito, não tenho como escolher. Já fiz as brincadeiras do "coloca a mão aqui que está seco, e agora aqui que está molhado", com toda a minha família e amigos.”

“Agora o fato mais curioso de todos é que se eu deitar de lado, com a parte que está suada pra baixo, depois de quinze minutos o suar passa inexplicavelmente para o outro lado deixando completamente seco o lado de baixo, seja ele o esquerdo ou direito.

O que ele narra acima confere exatamente com o que acontece comigo nesses 69 anos. Apenas nunca me ocorreu verificar aquilo a que ele se refere quando vai dormir e está suado de qualquer um dos lados. Valeu a dica, vou passar a prestar atenção.

Devidamente autorizado pelo leitor revelo aqui o nome dele, hoje meu mais recente amigo, e, como eu disse a ele, uma espécie de meu... “cara-metade” em assuntos sudoríferos!! Ele se chama Ênio Marques Vianna Filho, tem 37 anos, é casado há dez e vive em Ribeirão Preto (SP).

O Ênio também é dado ao salutar e instrutivo hábito da leitura. Ainda bem, precisamos de muitos Ênios neste país. Afinal, como estímulo, digamos assim, ele tem quase como vizinha a Academia Ribeiraopretana de Letras, que está localizada na rua em que ele mora, além de uma madrinha que trabalha na Fundação Feira do Livro que é responsável, segundo ele, por uma das maiores feiras do livro, a céu aberto, deste Brasil.

Alguns diriam: e o que isso tem a ver com... suar só de um lado? Como origem, procedência, com certeza nada, mas não fosse a sensibilidade e a curiosidade do Ênio ele não teria feito a pesquisa a que me refiro acima e jamais saberíamos que, além deste esforçado escriba, há outro ser humano a conviver com o mesmo fenômeno físico. Então, nada mais justo que conhecermos melhor este cidadão que me honrou com a sua atenção e com o anseio de me relatar o fato.

Ele me revela também que já se ofereceu para ser cobaia no Congresso Brasileiro de Endocrinologia que se realizará em Recife (PE), no próximo ano. Ênio gostaria que alguém desvendasse a razão do tal “mistério”. Não posso animá-lo muito quanto a isso porque, como já disse, trabalhei por uns 4 a 5 anos no Departamento Médico do Banco do Brasil, convivi com excelentes profissionais, e nunca tive uma explicação pelo lado científico.

Imaginem que hoje, quando estava quase a terminar este texto, chegou-me outra mensagem e, por uma dessas coincidências incríveis, vinda da mesma cidade, Ribeirão Preto (SP). Seu nome: Rafael Furquim. Ele também leu a minha crônica de janeiro, acima referida, e disse sentir no seu corpo o mesmo fenômeno físico que eu e o Ênio carregamos por nossas vidas. Perguntei se Rafael conhecia o Ênio, seu conterrâneo, e ele me garantiu que não. Haja mesmo coincidência, amigos e amigas.

Bem, não vou me alongar mais. Poderei até voltar ao assunto se novo fato merecer destaque semelhante. No que me diz respeito, relativamente ao suar ora do lado direito, ora do esquerdo, até me divirto bastante e sempre foi assim na minha vida inteira. Permitam-me encerrar este texto tal qual o fiz na crônica de janeiro/2005:

“Por hoje fiquemos apenas com a problemática inexplicável do meu “Humor aquoso incolor, de odor particular, segregado pelas glândulas sudoríparas e eliminado através dos poros da pele”, como define o dicionário a palavra suor. A inteiro, ou a meio!!”


 

(26 de novembro/2005)
CooJornal no 452


Francisco Simões
escritor, fotógrafo (expositor), radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
www.franciscosimoes.com.br