03/12/2005
Ano 8 - Número 453

ARQUIVO SIMÕES

 

          

Francisco Simões

 

COMO SE NÃO BASTASSEM...

Pois é, amigos e amigas, como se não bastassem tantas desgraças a nível nacional e internacional temos que conviver, quase diariamente, com alguns “noticiários” que costumam divulgar nesta internet e que, embora possam não ter esta intenção, acabam, algumas vezes, assustando pessoas cuja defesa está sempre vulnerável.

É só acontecerem fatos que abalem a opinião pública, aqui ou pelo mundo afora, para surgirem informações, algumas plantadas como uma notícia extraída de algum jornal, o que não é difícil de fazer, via de regra falsas, outras sem qualquer prova ou confirmação, outras a profetizar acontecimentos em futuro próximo sem qualquer embasamento lógico, científico, religioso, etc e tal.

Por exemplo, nunca antes se ouvira falar em “tsunamis”. A grande maioria das pessoas com certeza ignorava tal palavra e o que ela representaria. Aconteceu então aquela terrível tragédia na Ásia, como conseqüência de tremores de terra fortíssimos e, pronto, as “tsunamis” não saíam das manchetes. Quando essas reportam notícia verdadeira, quando narram fatos realmente ocorridos, tudo bem, é o papel correto e fundamental da imprensa escrita, falada e televisada.

O mundo inteiro sofreu junto com aqueles povos massacrados pelas tais ondas gigantes. Terremotos têm acontecido, alguns em níveis quase máximos, assim como os furacões vêm marcando presença de forma altamente destruidora. Porém, cada vez mais os sistemas oficiais de alerta se aprimoram e avisam antecipadamente.

Entretanto a que serve ficarmos a repassar textos que falam de “possíveis terremotos avassaladores”, os quais deverão gerar ondas gigantes, alguns chegando a afirmar que poderão alcançar de 20 até 90 metros de altura... Citam países, cidades, que deverão ser arrasados. Claro, com ondas de tal envergadura será que sobraria alguém para continuar a raça humana? Admira-me que não digam ser o fim do mundo! Chegam a marcar horário para a tal “destruição” acontecer aqui e ali.

Repito: a que serve isso? Sabemos que nosso planeta já passou antes por várias e imensas transformações e que tudo pode se repetir por ser, como afirmam alguns, cíclico, ou que se repete numa certa ordem. Mas, e daí? Por que ficarmos a sofrer por antecipação se ninguém pode precisar quando isto ou aquilo ocorrerá? Quem sabe nossa vida nem sequer durará para presenciar tais eventos? Preocupações e tormentos já os temos em grande quantidade no nosso viver diário.

De repente surgem “profetas” a fazer interpretações pessoais de citações da Bíblia, ou de outros livros considerados sagrados, e sem qualquer comprovação, apoiando-se em conclusões que são geralmente fruto de uma visão distorcida do que lêem, marcam dia, mês, ano e hora para que nosso planeta presencie mudanças de tal ordem pelas quais deveremos ser, digamos, julgados como bons ou maus e, daí, eleitos ou não!!

Com todo o respeito, nos poupem, por favor. Na nossa lida diária já carregamos várias cruzes, algumas por conta de terceiros, outras pelo peso de nossas falhas, e outras porque nem votar certo atualmente nos é concedido fazê-lo. Mas continuamos a ser obrigados a entregar o poder a alguém, ou a alguns que depois nos ignoram, nos abandonam, nos mandam calar ou reclamar ao Papa. E votaremos, por obrigação.

Neste “festival” de informações mal formuladas, distorcidas, falseadas, atiram-nos textos com autorias de nomes consagrados, o que acaba por ser desmascarado. O que leva alguém a escrever um artigo e, em vez de o assinar, como seria honesto e desejado, acrescentar nome de outra pessoa? Não se pode aceitar essa atitude nem a querendo relevar por alguma timidez ou desejo de ser lido a “qualquer preço”.

Pelo menos três escritores eu já ouvi desmentir a autoria de textos que circularam nesta internet, foram eles os senhores Luis F. Veríssimo, o Arnaldo Jabor e, mais recentemente, o João Ubaldo Vieira. Isso acontece porque geralmente, na boa fé, as pessoas lêem, gostam e acabam repassando a seus amigos. Não se pode culpar a esses, quando muito recomendar o máximo de cautela quanto à autoria, mas...

Ainda no plano nacional, há uma determinada mensagem que de quando em vez alguém a divulga. Já a recebo há mais de um ano, sempre com o mesmo texto, sempre com as mesmas afirmativas, prazos, etc. Nela é alardeado que alguns políticos, relacionados ao final da mesma, teriam proposto o fim do 13º salário, da licença maternidade, entre outros benefícios. Tentam nos fazer crer na veracidade de que aquela monstruosidade já teria sido até aprovada na Câmara dos Deputados.

Repito aqui o que já disse a vários amigos: isto é tão absurdo que nem mesmo os políticos que aí estão, corruptos ou não, iriam cometer tal “suicídio”. Ademais, como acreditar se o texto afirma sempre a mesma coisa, ou seja, que a “proposta” já teria sido aprovada na Câmara e estaria por sê-lo no Senado!! Vejam: eu a tenho recebido, repito mais uma vez, há bem mais de um ano e a afirmar sempre o mesmo.

Será que nenhum jornal ou revista responsável, que andam à cata de assuntos deste jaez para fazer logo sua denúncia, cumprindo o seu papel, teria descoberto este autêntico “golpe sujo” que, para todos os senhores congressistas, seria mais do que um tiro no pé, ou seja, um tiro na cabeça, um verdadeiro suicídio político, mesmo?!

Somente uns poucos “privilegiados”, que usam a internet, saberiam do fato? Como acreditar nisso? Como, se nem provas apresentam? Apenas afirmam, mas isso, nesta rede, infelizmente tem sido algo que virou rotina, haja vista os tais textos de autoria posteriormente desmentida, a que me referi acima. Desculpem, não acredito, mas o pior é que há quem creia nessas coisas lançadas assim, sem qualquer comprovação e, a partir daí, saem divulgando o texto para outros.

Um bom amigo, que também conheceu aquela mensagem, aconselhou-me cautela já que, segundo ele, antes eu talvez devesse me informar sobre a autenticidade ou não da tal “informação”. Disse ao meu bom conselheiro que não embarcaria nessa onda que parece ter virado moda, lamentável moda, quando alguém diz o que bem entende, acusando pessoas disto e daquilo, sem exibir qualquer prova da denúncia feita.

Se alguém tem que provar alguma coisa, amigos e amigas, naturalmente deverá ser quem acusa, quem denuncia, sob pena de invertermos completamente a ordem natural das coisas. Ademais, o absurdo é tamanho que não cheguei ainda ao estado delirante de ansiedade para acreditar em tudo que me apresentem, mesmo tendo ciência de todo este lamaçal putrefato em que mergulhou a política brasileira.

A corrupção é um fato que, a esta altura, não pode ser desmentido, mas a “loucura” ainda não tomou conta das mentes de alguns congressistas para se lançarem numa aventura em que eles seriam, com certeza, os grandes prejudicados. Armações até existem, mas jamais contra os interesses dos que armam, creiam.

Faço-lhes uma proposta: se voltarem a receber a mensagem a que me refiro aqui escrevam a quem a remeteu e peçam, ou exijam, mesmo, uma prova cabal, algo que não deixe dúvidas da veracidade do que afirmam, mas, por favor, não aceitem afirmações do tipo “pessoa influente me garantiu”, ou “ela veio de fonte segura”, ainda que citem nominalmente alguém. Isto não prova absolutamente nada.

Entre tantas “denúncias”, “informações úteis”, etc e tal, que circulam neste espaço, lembro-me de uma que tentava nos fazer crer que o leite pasteurizado, o vendido em caixas, estaria a ser re pasteurizado, e diversas vezes. “Denunciavam” que isso ocorreria até por cinco vezes e que assim estaríamos correndo o risco de ingerir produto fora da garantia, o que nos causaria sérios males. Oh mentes “criativas” que poderiam tanto estar realmente a serviço do bem e da utilidade pública, mas...

Se quiserem conhecer tudo sobre este e outros assuntos que nos chegam permanentemente sugiro uma visita ao site www.quatrocantos.com que faz um trabalho excelente sobre muitos temas já veiculados e que não correspondem à verdade. Eles chamam essas matérias de “pulhas virtuais”. Visitem o site. Eu tomei conhecimento dele ainda ontem através de uma boa amiga, a Flora Cavalcanti.

Por hoje basta, embora saiba que jamais estaremos livres dessas e de outras mensagens que nada constroem, ou que, pelo contrário, militam na contra-mão do que desejaríamos ver acontecer, isto é, nos ajudarem a limpar a navegação nesta internet.


 

(03 de dezembro/2005)
CooJornal no 453


Francisco Simões
escritor, fotógrafo (expositor), radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
www.franciscosimoes.com.br