20/05/2006
Ano 9 - Número 477

ARQUIVO SIMÕES

 

          

Francisco Simões

 

E A FAMÍLIA CRESCEU

Pois é, amigos, antes éramos eu e o Touche, além da amiga Marlene nos períodos em que ela está cá em casa. Touche namorou, noivou, casou, teve sua lua-de-mel, que contei em uma crônica anterior, e vieram então os filhos: dois machos e duas fêmeas.

Infelizmente fomos informados de que os machos morreram no parto. Hesitei em querer uma das fêmeas pelos transtornos que isso poderia me causar no futuro face à convivência dela com o pai, diariamente. Poderia haver cruzamentos indesejáveis. Quem tem esses lindos animais em casa sabe disso.

Mas, ao ver a pequenina, tão bonitinha, a cara do pai, me refiro ao Touche, claro, não resistimos e a trouxemos para casa. Grasiele logo a “batizou” de Safira, em alusão a uma personagem da novela das 21h na Globo. O nome logo pegou. Ela acaba de completar dois meses no dia 06 deste mês de maio.

O bravo Touche a recebeu todo enciumado e cheio de resistência. Se ela se aproximava de alguém ele logo reagia e a punha a correr. Mas, a pequenina é tão tinhosa quanto ele, afinal teve a quem puxar. Touche, quando veio para mim, tinha dois meses, e só começou a latir após os quatro. Mesmo assim timidamente no início.

Safira, como tem ao lado dela o pai que também funciona como “professor” com os exemplos que vai mostrando à ela, já late desde um mês e meio, mais ou menos. É impressionante, mas verdadeiro. Ela fica a olhar para ele, presta muita atenção e o imita, ora latindo, ora grunhindo, etc. A pequenina mostra ser muito observadora e inteligente também, podem crer. Sei que alguns não concordam com isso, mas é real.

Hoje Touche mudou muito de atitude e a aceita perfeitamente bem, brinca com ela constantemente e isso é ótimo. Os dois acabam por nos proporcionar momentos deliciosos. Sempre que posso os filmo e os fotografo. Safira se apossou de vários dos brinquedos que eram só do Touche, porém ele agora não se importa com isso.

Antes eu ouvia algumas histórias contadas por pessoas que conviviam com pequenos cães. Confesso que não entendia tanta alegria e mesmo o uso dos termos “pai e mãe” que diziam se referindo a eles próprios, os donos dos bichinhos. Agora não só os uso também, assim como a boa amiga Marlene, e, além de pais, com o advento de Safira, tornamo-nos... avós!

Há quem ache isso ridículo, mas não nos importamos. É como diz a placa que tenho sobre a porta da sala, voltada para a rua: “Quanto mais conheço as pessoas mais gosto do meu cão”. Eu que o diga, especialmente por certas experiências recentes. Afinal, como disse o poeta “amigos a gente reconhece”, mas eu acrescentaria que “muitas das vezes a gente reconhece, depois, que se enganou”. A vida surpreende.

Safira nos trouxe mais alegria, além da que Touche já nos proporciona há mais de dois anos. Ela demonstra ter uma personalidade forte, é decidida, corajosa, e eu gosto disso. Prefiro-a assim do que submissa. Saiu muito ao seu pai.

Fica a dúvida se concordamos ou não com nova oportunidade de o nosso Touche, como voraz e infalível reprodutor canino, desfrutar de outra “lua-de-mel” e oferecer ao mundo mais alguns pequenos rebentos com a marca registrada dele. Se pudéssemos deixar para o nosso “Tucha” a decisão sabemos que concordaria de pronto. Afinal ele parece que... só pensa naquilo, amigos e amigas!

Vamos dar um tempo e pensar melhor. Por ora temos é que curtir com os dois juntos, Touche e Safira, esta dupla que bagunça muito mas nos proporciona uma alegria permanente, enchendo nosso viver de luz, de mais felicidade, de solidariedade, pois até com eles nós aprendemos bastante. Podem crer.




(20 de abril/2006)
CooJornal no 477


Francisco Simões
escritor, fotógrafo (expositor), radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
www.franciscosimoes.com.br