17/06/2006
Ano 9 - Número 481

ARQUIVO SIMÕES

 

          

Francisco Simões

 

INSS, GOVERNO, E NÓS, DE NOVO

Num ano eleitoral já se sabe que medidas com caráter demagógico servem sempre de instrumento de propaganda especialmente para quem está no poder. Isto vale para todos os governos, seja no âmbito federal, como nos estaduais e até municipais.

Mas, quero me referir ao que nosso presidente anunciou, antes de viajar para a Inglaterra no começo deste ano, com destaque na imprensa: “quem tem empregada doméstica poderá descontar na sua declaração de imposto de renda, do próximo ano de 2007, os valores pagos ao INSS durante este período de 2006.”

Demagogia à parte, isto até teria um caráter de justiça. Procurei fazer minhas contas, pois vimos recolhendo, por mês, ao INSS, por um salário bruto de R$800,00 que destino a quem cuida de mim e de minha casa, diariamente, com muito zelo, um valor mensal de... R$157,20 sendo que relativamente às férias recolhemos R$220,00, os dois.

Considero um absurdo o valor a recolher ao INSS, por mês, até porque tem um percentual bem elevado sobre o salário bruto e nunca há o retorno justo no futuro. Mas, tratei de fazer as contas por alto e verifiquei que talvez pudéssemos, no próximo ano, abater na declaração de renda algo em torno de R$2.300,00.

Dois dias depois porém surgiu alguém ligado ao Ministério da Previdência a “esclarecer” que a decisão do governo não fora corretamente interpretada pela imprensa. Nenhuma novidade até aí, pois as coisas acabam mesmo tomando outro rumo quando parece que vão favorecer o povo e/ou o contribuinte.

A funcionária disse que o valor a ser abatido não alcançaria salários superiores a um mínimo. Já eu imaginava que quando a “esmola” é grande o contribuinte sempre deve desconfiar, não?! Pois é. O limite anual a ser abatido ficaria então em torno de... R$500,00... foi o dito. E vi que os cerca de R$2.300,00 que recolhemos ao INSS atualmente, haviam sido terrivelmente desvalorizados pelo leão da Receita.

Mas, não parou por aí. A seguir, mais alguém, também do governo, apressou-se em corrigir a correção anterior! Quanto zelo, não??!! É, zelo, mas sempre para nos ... (escrevam o verbo que desejarem, eu não tenho coragem). Afinal o limite a ser abatido é apenas algo pouco maior que... R$300,00!! Logo imaginei nossos quase R$2.000,00 com que sonhara ter um desconto a mais no quanto de salário (e não de renda) com que sacio a fome desmedida do tal leão, criando asas e voltando para meus sonhos.

Como sou educado e tenho um nome a zelar nesta internet pelo trabalho que desenvolvo com seriedade há mais de 6 anos, prefiro não acrescentar mais nada, porém, amigos e amigas, que dá vontade de dizer uma coisa, ah, lá isso dá, e como dá... Ainda bem que em agosto completo 70 anos... Estou mesmo cansado de tudo isso e não desejo mais pactuar deste “jogo” desleal em que somente eles ganham, sempre, seja quem for o eleito. Haja vista também a não correção da tabela do IR. Adeus, fui.



(17 de junho/2006)
CooJornal no 481


Francisco Simões
escritor, fotógrafo (expositor), radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
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