15/07/2006
Ano 9 - Número 485

ARQUIVO SIMÕES

 

          

Francisco Simões

 

EU, O DINOSSAURO DA INFORMÁTICA

Amigos, hoje vou lhes contar como eu me iniciei na era da informática. Olhem que foi difícil, bem difícil, especialmente para os meus insistentes “professores” e incentivadores, os sobrinhos Márcio e Glauco e minha querida e saudosa esposa, Zezé.

De há muito eles diziam que eu precisava comprar e começar a usar um computador. Saibam que eu tinha uma verdadeira ojeriza por esta máquina infernal. Nunca vi com bons olhos ficar horas sentado à frente de uma telinha a digitar, a ler, a rir, ou a trabalhar. Relutei e relutei por bastante tempo. Eu não admitia abrir mão da minha fiel e querida máquina de escrever, a Práxis 20.

Nela escrevia os meus poemas e depois saía a fazer cópias na rua. Nela redigia cartas, atas de Assembléia de Condomínio (fui síndico por 6 anos e Presidente do Conselho, em Ipanema, por cerca de... 13 anos), avisos de interesse dos moradores, etc.

Os poemas que inscrevi nos primeiros concursos literários de que participei foram nela elaborados, até os que tinham uma apresentação fora dos padrões normais, com versos formando um prédio caindo, uma cruz com 5 sílabas, certamente o menor poema do mundo, e assim por diante. Com ela eu conseguia tudo.

Entretanto, em outubro/1999, Zezé comprou um computador e me deu de presente. Num forte trabalho de “equipe” com os sobrinhos, que sempre foram como filhos para nós, intimaram-me a sentar e conhecer de perto os recursos desta máquina. Meus primeiros “passos”, ou primeiras digitadas, foram bem atrapalhadas. Pesquisar sites pela internet, nem pensar, enviar e receber mensagens ficava impossível, pois sequer conhecia o endereço de e-mail de alguém.

Mas, embora parecesse um resistente dinossauro diante da era da informática, o fato é que eu não era, nem nunca fui, tão radical a ponto de me recusar a uma adaptação, por mais demorada que viesse a ser. Confesso que ao ir pegando o jeitinho do teclado e absorvendo as facilidades imensas que digitar me davam, comecei a olhar com certa tristeza para a velha amiga, a Práxis 20. Esta chorava dentro do armário, ao lado da mesa do computador. Muito triste!

Logo fui constituindo a minha pasta onde passei a guardar minhas poesias, e alguns artigos nunca divulgados. Aprendi então a pesquisar espaços literários através de sites de busca. Fiquei maravilhado com o horizonte que se abriu à minha frente.

Não sabia no que ia dar aquilo, mas saí em campo, ou no espaço virtual, a fazer alguns contatos, humildemente, me apresentando como um esforçado aprendiz de poeta que já vinha, àquela altura, ganhando alguns bons prêmios em concursos de literatura. Faço aqui um parêntese para lhes contar minha participação primeira num certame de poesias, a nível nacional, realizado no Rio de Janeiro.

Foi no segundo semestre de 1999. Descobri por acaso, numa loja, vendo um anúncio do concurso “Expressão da Alma”. Inscrevi cinco poesias. Dias depois viemos para Cabo Frio, eu e minha esposa, como sempre fazíamos a cada três meses.

Uma noite me lembrei de que o resultado do concurso já devia ter saído. Telefonei para o organizador e ele disse ter sentido a minha ausência na festa de entrega dos prêmios. Como fiquei surpreso com a calorosa recepção por parte dele, explicou-me que eu conseguira três bons prêmios, a saber:

“Melhor Crítica Social”, com o poema É NATAL --- “Melhor Poema Crônica”, com a poesia MEIA NOITE --- e “Melhor Poesia Modernista”, com a cruz formada por cinco sílabas, ou o DERRADEIRA SOLIDÃO. Realmente foi uma estréia, digamos assim, meio a grande, pois até então tudo que eu escrevera em poesia apenas distribuíra a amigos e pessoas que me pediam.

Já em janeiro/2000 eu batia à porta de alguns espaços voltados para a literatura tendo um pequeno currículo de prêmios obtidos no decorrer do ano anterior. Como dever de justiça digo que, mesmo não tendo “carta de recomendação”, fui muito bem acolhido nos dois primeiros sites em que me apresentei: na revista Rio Total, de Irene Serra, e em Blocos, de Leila Miccolis. Depois tudo foi ficando mais fácil, claro.

Foi tanto o carinho e a atenção por mim recebidos que logo fui me sentindo como que “em casa”. De Irene Serra recebi um desafio para voltar a escrever em prosa, o que eu não fazia há muitos e muitos anos. Logo Leila também me deu incentivo para tanto. Escrevi dois textos e com eles apareci, pela primeira vez, na internet, naqueles dois magníficos sites literários.

“PODEM ME VAIAR” e “FORMATURA DE SEGUNDO GRAU” foram minhas crônicas divulgadas em Blocos e no coojornal do Rio Total. Este “dinossauro” da informática já estava então bem amansado, já acreditava que um longo e iluminado caminho poderia estar se abrindo à sua frente. Elas me apresentaram, o resto era comigo. Botei mãos à obra e não parei mais de escrever nesses seis anos passados.

Outros sites foram abrindo suas portas, naquela época, e outros prêmios foram sendo colhidos em concursos literários. O meu site pessoal www.franciscosimoes.com.br só aconteceu a partir do segundo semestre de 2002. Meu poema “Aleluia” se classificara em segundo lugar no I Concurso de Poesias do site A Magia da Poesia. O prêmio me dava o direito à elaboração de um site, por Fábio Rocha, hoje, além de amigo e excelente poeta, meu talentoso webdesigner. Passei a ter também meu espaço próprio.

O tal “dinossauro” já estava então devidamente domesticado. O apoio e o carinho de tantos que passaram a ler e a comentar minhas crônicas e poesias foram importantíssimos para que eu acreditasse no trabalho que estava desenvolvendo, em parte, graças ao computador, via internet, que começava a me levar tão longe, mais do que eu podia supor. Humildemente peço desculpas a esta geringonça infernal.



(15 de julho/2006)
CooJornal no 485


Francisco Simões
escritor, fotógrafo (expositor), radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
www.franciscosimoes.com.br