05/08/2006
Ano 10 - Número 488

ARQUIVO SIMÕES

 

          

Francisco Simões

 

NÃO SE PODE ELOGIAR

Pois é, hoje me vejo na obrigação de voltar ao assunto Telemar, porém desta feita sem os mesmos elogios que lancei sobre alguns funcionários que haviam me atendido tão bem há uns 2 meses passados aqui em Cabo Frio.

Daquela vez cheguei a receber, de leitores, algumas queixas sobre o mau atendimento daquela empresa, o que não é novidade alguma, pois ela costuma se manter como campeã de reclamações no PROCON. Apenas eu quis ser justo, pois não sou de malhar o Judas só por malhar, ao contrário, acima de tudo procuro fazer justiça. 

Entretanto, agora neste mês de julho, uma de minhas contas, em Cabo Frio, chegou dois dias antes do vencimento mas a outra... bem, esta apenas cá veio ter mais de uma semana após vencida. Eu havia ido ao Rio, mas minha boa amiga Grasiele, nesses casos, fica sempre incumbida de fazer os pagamentos. 

Quando eu soube que o documento não chegara até o dia 17, vencimento da conta, tratei de tirar uma segunda via pela internet e efetuar o pagamento. Não poderia, todavia, deixar de fazer um registro do fato à própria Telemar, visto que não foi a primeira nem a segunda vez que uma das minhas contas se desgarrou da outra.

A resposta que recebi, e cujo teor reproduzirei aqui parcialmente, é de quem não tem esclarecimento a dar e também não se preocupa em pedir desculpas ao cliente, daí... Leiam o que eu recebi deles:

“Esclarecemos que  sua solicitação de informação referente a pagamento de fatura em atraso, informamos que as faturas que são pagas em atraso é cobrado multa e juros e para os clientes que não recebem as suas faturas até o dia do vencimento poderá está entrando em contato com a Telemar e solicitando 2° via da fatura com o vencimento prorrogado.Caso venha a ocorrer atraso na entrega da fatura favor verificar juntamente com os correios”.

Entristece-nos ver a falta de zelo na redação da mensagem já que apresenta erros primários e grosseiros de várias ordens, inclusive de grafia ao escreverem “está” quando queriam dizer “estar”. Leiam com atenção, amigos. Barbaridade que uma multinacional sequer se empenhe, não apenas em atender bem aos seus clientes, uma obrigação, como em manifestar um mínimo de respeito ao se dirigir a eles.

Pior, não responderam ao que lhes perguntei, nada disseram de esclarecedor e ainda tentaram adaptar certamente uma correspondência rotineira com a resposta que pretendiam me dar. Nem sei se alguém confere o que assina, mas certamente o nome ali exibido, abaixo da mensagem, é o natural responsável pelo que está dito na mesma. E assina como sendo da Diretoria de Atendimento ao Cliente. Estão mal, hein?!

Preocuparam-se em me “informar” o que todos sabemos, sobre a cobrança de multa e de juros nos pagamentos feitos em atraso, o que não lhes havia perguntado. Julgo que eu merecia melhor atenção, como todo e qualquer cliente deles, e se nada tinham a declarar sobre o atraso da minha conta, preferível seria que se calassem, já que a desconsideração seria idêntica à lamentável “resposta” que a mim enviaram.

Achei mais deplorável foi o autor da resposta, ao final do primeiro parágrafo, sugerir-me isso: “...Caso venha a ocorrer atraso na entrega da fatura favor verificar juntamente com os correios.” Em primeiro lugar não seria de escreverem...”verificar juntamente com os correios”, mas sim, ... “verificar junto aos correios”. Mas, será que um dia eles aprenderão a usar a língua mãe corretamente?! 

Em segundo lugar, é inadmissível que queiram transferir a responsabilidade para os correios, justamente a empresa que ostenta a maior credibilidade junto ao público brasileiro. Nenhuma das minhas outras contas (e são várias) tem chegado aqui após o vencimento, apenas uma da Telemar. Só por isso decidi me dirigir a eles.

Mesmo assim fui até à agência dos correios aqui do nosso bairro e relatei o fato. Perguntei se eles têm recebido reclamações da espécie. A resposta foi não. Eu já esperava isso, mas fiz questão de conferir. Até pedi desculpas à jovem que me atendeu lá pois os correios dificilmente falham, o que não se pode dizer da Telemar.

Eu voltei a escrever à empresa de telefonia, mas aí era querer demais que voltassem a me dar atenção. Para essa gente, ou para alguns funcionários, nós, justamente a razão de ser deles, dos salários que recebem, não passamos de um insignificante detalhe. Mesmo assim jamais me acostumarei com a desconsideração com que nos tratam, especialmente as empresas públicas e/ou privatizadas, neste Brasil.

Duvido que agissem assim, por exemplo, na Europa. Lá o cidadão, o contribuinte, o cliente, é tratado com todo o respeito e qualquer reclamação, qualquer queixa é levada a sério de imediato. Isto porque sabem que se “pisarem na bola” irão ter algum tipo de prejuízo mais à frente, com certeza. A base disso está na educação, na cidadania, na cultura de povos que nesses assuntos estão bem à nossa frente.

Não retiro o elogio passado porque foi justo, mas o peso da incompetência, e talvez também da má vontade, acaba por nos trazer de volta a falar da Telemar como tem sido rotina para tantos. Esta crítica não é só minha, podem acreditar.




(05 de agosto/2006)
CooJornal no 488


Francisco Simões
escritor, fotógrafo (expositor), radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
www.franciscosimoes.com.br