19/08/2006
Ano 10 - Número 490

ARQUIVO SIMÕES

 

          

Francisco Simões

 

E VOCÊ, ASSISTE?

 Há alguns dias passados eu vi uma pesquisa no jornal do meu provedor, o Terra. A pergunta era essa: “Você assistirá ao horário eleitoral gratuito para definir seu voto?”
Fiz a minha escolha de resposta e abri para ver o resultado parcial.

Naquele momento o NÃO estava com cerca de 82% enquanto que o SIM tinha apenas uns 18%. Percebi que eu estava com a maioria. Aliás, não sei por que insistem em manter o tal espaço gratuito aos partidos políticos nas rádios e Tvs já que ele jamais ajudou em nada na escolha de candidatos pelo eleitor consciente.

Aquelas rápidas aparições que fazem os candidatos a cargos eletivos não oferecem informações confiáveis para alguém fazer juízo correto sobre quem quer que seja. Absolutamente. É uma imposição oficial absurda e perfeitamente dispensável.

Os debates promovidos por certas redes de TV dão, ou deveriam dar, uma colaboração bem mais eficiente para se atingir aquele objetivo, o da seleção de nossos candidatos. Entretanto sabemos que nunca baseamos nossa escolha apenas por suas participações também nos referidos programas. Não funciona, também assim.

Esses debates podem nos oferecer detalhes importantes do programa de um ou de outro postulante que nos levem a tomar posição ou até mesmo a mudar de, porém de uma maneira geral isso não acontece, com certeza. Ademais, diante das tantas decepções que já tivemos com candidatos de vários partidos e a vários cargos eletivos como crer, como confiar no que dizem, no que prometem, no que anunciam, mesmo nos debates?

Por outro lado, conheço pessoas que tanto jamais votariam em determinados candidatos, e/ou partidos políticos, como conheço outras que não deixariam, por nada, de votar neste ou naquele simplesmente porque já acreditam nele há tempos ou por acharem ser a melhor opção.

Se estão certos neste processo de ajudar a eleger um ou outro, eu não sei, mas isto é verdade, ocorre mesmo. O comportamento do brasileiro como eleitor não deve ser criticado, pois ele está mais do que cansado, desiludido, por ser enganado seguidamente por tantos que prometem tudo e não cumprem quase nada.

Tanto faz os senhores candidatos falarem nos debates, como nos horários gratuitos, como em entrevistas separadamente dos demais, eles sempre procurarão nos mostrar que sabem as melhores soluções para os nossos piores problemas. Igualmente terão críticas, as mais acirradas aos que estão no poder assim como desfilarão promessas intermináveis de que... “se eleito for”... Pois é, mas depois...

Assim tem sido e agora não será diferente. Alguém se lembra de algum candidato a presidente ou a governador, para ficarmos só nesses dois níveis maiores da eleição, que depois de empossado tenha realmente cumprido tudo que prometeu em campanha? Ou que pelo menos tenha se empenhado muito em o fazer?

Quantos não juraram que jamais fariam isto ou aquilo em prejuízo do povo e logo que assumiram o poder mandaram nossa gente às favas e cravaram forte o seu ferrão que esteve sempre bem escondido na farsa dos discursos? Alguns nem se importaram com as conseqüências e desmereceram da confiança de quem lhes entregou seu voto logo no dia da posse. Você não deve ter esquecido, com certeza.

Outros diluíram nossa decepção no transcorrer do seu mandato, ou dos seus mandatos, face à reeleição. Outros pretendem continuar sua “obra” já que a falsa, incompetente e talvez até comprometida oposição que sabe tanto gritar, exibir-se para câmeras de Tv, criticar e denunciar, sequer teve coragem de levar às últimas conseqüências o que diziam ser o maior escândalo político já ocorrido neste país.

Será que o barulho por eles feito foi maior do que o conjunto de provas que pudesse realmente impedir a continuação dos mesmos homens no poder? Teria sido isso? Do contrário, por que não agiram dentro da lei? Afinal, quem me responde: recuaram por quê?! E agora querem ser eleitos, e como “oposição”?

Terá havido algum tipo de comprometimento, também deles, com as tantas absolvições de políticos indicados para terem seus mandatos cassados, ocorridas no Congresso, recentemente, em votações secretas? E se perderem ainda vão botar a culpa no povo, como eleitor. Dirão, como gostam, que nós é que não sabemos votar!...

Como acreditar em quem posa de oposição, mas que quando deveria ter agido com mais firmeza deixou um pé na frente e outro atrás não obstante tantas declarações, tantos discursos, tantas e eventuais denúncias, tanto “teatro”, tanta espetaculosidade? Já nos cansa de há muito essa hipocrisia sempre repetida.

E agora na CPI dos chamados “sanguessuga”, hein?! Parece que não escapou nenhum dos partidos políticos, o que vem provar aquilo que só não sabia quem não queria: corrupção, suborno, entre outras peitas não é “privilégio” só de um ou dois grupos políticos. Mas ainda há quem creia em histórias do boi tatá... Pois é.

Então, amigos, pelo menos para pessoas que pensam como eu, que não se deixam levar por representações teatrais, que não votarão contra, só por votar contra, para depois continuar a se queixar dos eleitos (já vimos tanto isso acontecer...), que não dirão amém aos que nos decepcionaram e querem continuar, que estão tendo muita dificuldade para escolher o seu candidato, eu digo: não percam seu precioso tempo assistindo ao horário eleitoral gratuito. A nossa escolha consciente não passa por ele.



(19 de agosto/2006)
CooJornal no 490


Francisco Simões
escritor, fotógrafo (expositor), radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
www.franciscosimoes.com.br