Já dizia um amigo da velha guarda que o pior de
irmos vivendo mais e mais é termos que testemunhar os tantos e bons
companheiros que vão ficando pelo caminho. É verdade, e dói, dói
muito quando perdemos um bom e grande amigo.
Em janeiro deste mesmo ano eu falei do falecimento de Fernando
Avellar, que era meu amigo desde a infância em Belém do Pará. Foi
uma perda irreparável, eu senti muito, muito mesmo.
Agora fui informado da partida, para outros planos, de alguém que,
embora trabalhasse como eu no Banco do Brasil grande parte de sua
vida, jamais nos havíamos conhecido naqueles tempos. Curiosa essa
vida.
Eu voltava a escrever publicamente em janeiro/2000, aqui no
coojornal da revista virtual Rio Total. Um dia, logo no meu retorno
à escrita, Irene Serra me disse que alguém, que, por sinal, também
colaborava com o mesmo coojornal, desejava me conhecer.
Dias depois meu grande amigo, ex chefe, ex presidente, na PREVI,
conselheiro, professor Joaquim Amaro, me trazia a mesma informação.
A eles agradeço de coração o ter conhecido mais este bom amigo.
Seu nome: Alceu Gouveia. Nos comunicamos e ali nasceu uma boa e
duradoura amizade. Dias depois falamos ao telefone pela primeira
vez.
Alceu, escritor, poeta, compositor, letrista, e cantor, um homem
honrado, com carreira no BB que só o dignificou. Gostava também de
tocar violão. Costumava, para se distrair, fazer versões de canções.
A sua preferida era “My Way”.
Foi dos meus primeiros e grandes apoios jamais deixando faltar
aquela palavra de incentivo a quem, aos 63 anos, insistia em
escrever novamente. Tenho na minha pasta de “Comentários de
Leitores” inúmeras mensagens do bom Alceu. Analisava meus textos,
criticava-os, apresentava sugestões, e com a sinceridade de sempre,
me estimulava a prosseguir quando eu me dizia cansado.
Eu o conheci ainda melhor ao visitar o seu site pessoal. Falava de
suas viagens pelo mundo em companhia de sua esposa, acolhia poesias
e prosas de alguns amigos que chegavam a ter o privilégio de serem
incluídos em sua relação de amizade. Esta honra eu também tive.
Alceu deu ao seu livro o título com que gostava de ser reconhecido:
“O Globetrotter das Trovas”. Uma de suas trovas que fica
permanentemente em evidência no seu site, e da qual gosto muito,
obteve o honroso primeiro lugar no Concurso de Nacional de Trovas,
de Caxambu, tendo como tema “Lembranças”:
“Lembrança, moço, é um espinho
Cravado no coração
Mas quando pego no pinho
Lembrança vira canção.”
Ele mantinha também no site algumas sentenças de
que gostava muito e delas eu destaco esta que muito me agrada: --
“Não saia de casa desarmado, leve sempre o seu sorriso.” -- Quanta
sensibilidade, quanta poesia.
Sugiro a leitura do conto de Alceu Gouveia que se encontra no seu
site http://geocities.com/alceugouveia/index.htm “Pra falar a
verdade”. Vale a pena. Ele era um mestre ao usar as palavras e
trabalhava como tal suas idéias.
Todos cumprimos o nosso tempo por aqui, depois só a Deus cabe
decidir para onde deveremos ir, ou o que faremos. Assim eu creio,
assim eu vejo a vida e o pós morte. O nosso bom Alceu Gouveia foi
chamado para novas missões, certamente e partiu.
Não diria que nos deixou até porque pessoas como ele vivem
eternamente em nossos corações, em nossa lembrança. Ademais ele
deixou uma obra que pode ser consultada por quem o desejar no
endereço acima citado por mim. Eu talvez devesse dizer: Alceu, vive.
Pelo menos para quem teve o privilégio de o conhecer.
(16 de
setembro/2006)
CooJornal no 494
Francisco
Simões
escritor, fotógrafo (expositor), radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
www.franciscosimoes.com.br