07/04/2007
Ano 10 - Número 523

ARQUIVO SIMÕES

 

          

Francisco Simões

 

PARECE, MAS NÃO É

Muitas vezes já recebi textos, nesta Internet, com autoria que não conferia com a verdade. Não sei por que alguém faz isso. Refiro-me, em princípio, a textos que realmente têm um autor, ou uma autora, mas que, não acreditando no que escreve e querendo testar a “repercussão” do seu trabalho lança nesta rede com outro nome.

Muitas vezes já vi e ouvi jornalistas por demais conhecidos desmentirem a autoria deste ou daquele texto que circula por aqui. Dependendo do assunto abordado e do talento maior ou menor de quem o escreveu não deverá haver conseqüências maiores para ninguém, mas não se deve fazer isso. Não se justifica.

A pior fase em que circularam textos, ora sem qualquer autoria, ora com autoria falsa etc, foi durante o período eleitoral. Geralmente traziam mensagens grosseiras, mal escritas, visando a agredir este ou aquele candidato, este ou aquele partido. Os críticos geralmente metiam os pés pelas mãos nem escondendo o rancor com que escreviam.

Muitas faziam acusações sem nenhuma prova, apenas visavam atingir a algum político valendo-se, via de regra, de palavras de baixo calão. Conclamavam pessoas para manifestações que só aconteceriam na intenção dos autores de tais mensagens. E vi pessoas sérias repassando textos que a lata de lixo recusaria.

É como digo sempre, até e/ou principalmente para se fazer crítica a alguém tem-se que manter uma postura correta, não perder a linha, e jamais enveredar pela ofensa gratuita porque raivosa e vingativa, e sendo emocional será sempre má conselheira. A denúncia ou crítica se esvazia na medida em que o autor desrespeita o criticado.

Mas isso já passou, felizmente, embora não tenhamos muito que comemorar em se tratando da atual realidade política que nos estão impondo. Isto vale para situação e para a tal de oposição, que não resiste a um acordo que lhe renda boas vantagens.

Em outro contexto há determinadas mensagens que são constantemente repassados a amigos, e repassados, e mais repassados. Evidentemente que ninguém, ou quase ninguém, confere a autoria daquilo que recebe e repassa. Se o que lê traz uma mensagem bonita, seja religiosa ou não, vem bem formatado, com música escolhida com bom gosto... pimba, tocam logo ele para a frente.

Não o fazem por mal, não, no fundo desejam dividir com outras pessoas de suas relações algo que tanto lhes agradou. Nada contra, pelo contrário, algumas valem mesmo a pena o tempo que ficamos esperando que entrem, como no meu caso, que continuo trabalhando por conexão discada.

Entre essas mensagens a que me refiro acima encontra-se um “texto de Vinicius de Moraes” que já recebi dezenas de vezes nos últimos anos. Eu mesmo, faz muito tempo, quando o li pela primeira vez embarquei naquela canoa furada, como se diz. É uma página que fala lindamente sobre Amizade. Seu verdadeiro título é: “Meus Secretos Amigos”, mas costumam repassá-lo com este outro título: “Amigos”.

O real autor daquele texto se chama Garth Henrichs. Podem anotar o nome e pesquisar. Basta entrar no site do Google e colocar este nome lá em cima. Você terá a confirmação do que digo aqui. É muito simples. Em várias das informações estão trechos daquele texto confirmando a autoria.

Vinicius escreveu também um pequeno artigo sobre amizade, porém com o título de “Procura-se um Amigo”. É completamente diferente do texto de Garth Henrichs. Ambos são verdadeiras jóias literárias. Se alguém desejar ver uma das duas ou ambas as páginas, tenho-as no meu arquivo.

Um conselho, se quiserem aceitar, é lógico: ao receberem algum texto, seja sobre o que for, e por mais bonita a mensagem que ele transmita, não o repassem sem procurar se certificar sobre a autoria. Pesquisem rápido no Google ou outro desses sites do gênero, ou sua biblioteca, se a tiverem, ou consultem algum amigo.

Acredite, você estará prestando um bom serviço na defesa dos direitos autorais. Não ceda à tentação de repassar só por repassar, por ser mais fácil do que se certificar da autoria, ou por julgar que tanto faz como tanto fez. Não, não haja assim, amigo ou amiga, e lembre-se, muitas vezes algo parece, mas não é.

Não custa nada ser responsável, apenas isso. Ajude-nos a defender os direitos autorais, sempre, é importante que se faça isso.


 


(07 de abril/2007)
CooJornal no 523


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
www.franciscosimoes.com.br