09/06/2007
Ano 11 - Número 532

ARQUIVO SIMÕES

 

          

Francisco Simões

 

O SPAM ANUNCIADO

Todos sabemos por experiência própria que há pessoas, ou verdadeiras empresas constituídas, que caçam endereços de e-mails por esta Internet afora e depois os negociam com quem interessar. Seus “clientes” devem ser habitualmente outras empresas que querem expandir sua propaganda por esta rede.

Até aí nenhuma novidade. Por mais que nos defendamos é realmente inevitável recebermos dezenas ou centenas de spams diariamente, junto com algumas tentativas de nos empurrarem vírus os mais destrutivos. Desses já nem tenho receio, criei uma espécie de escudo que me tem me protegido já de há muito, sem mistério.

Quanto ao spam, como já disse outras vezes, prefiro deletá-los todos sempre que abro minha mala dentro do meu provedor, o Terra, do que aceitar, como infelizmente alguns têm feito, esses programas “anti-spam” que já critiquei em várias oportunidades.

Aliás, faço aqui um parêntese no assunto desta crônica para relembrar isto: quem ainda não sabe, por favor, vou avisar mais uma vez, esses programas, que não têm nada de inteligente como nos querem fazer crer os provedores que os criam, se tornam “anti amigos”, como eu classifico. Por quê? Eu explico. 

Tudo, repito, tudo que você enviar para alguma pessoa, a mais singela mensagem, o tal programa simplesmente manda-lhe um aviso, que me irrita profundamente, porque nos coloca sempre sob suspeita de estarmos a enviar para a outra pessoa ou mensagem de spam, ou mesmo até de pornografia, como já li em algumas que me chegaram. Eu jamais aceitaria passar por tal julgamento. Mesmo que seja uma só vez.

E o obrigam, reafirmo, o obrigam a cumprir um determinado ritual sob pena de a pessoa não receber a sua mensagem. Já encarei tal situação porém recusei a me submeter àquela exigência. Comuniquei aos amigos que não enviaria mais nada para eles enquanto mantivessem aquele programa, e assim o fiz.

Dois preferiram o tal “anti amigo”, pois bem, talvez tenham perdido um amigo de verdade e leal, mas outros entenderam meus argumentos e saíram daquela esparrela. Convenhamos que é um absurdo, muito cômodo, mas só para os provedores.

Por quê? Explico mais. Ora, eles simplesmente instalam em relação ao seu e-mail uma espécie de “cão de guarda”, estilo pit bull virtual, ou algo parecido. Este simplesmente impede qualquer comunicação com aquela pessoa. A menos que você se deixe ser subjugado por um programa absurdo.

Todos que escreverem para ele ou ela, serão em primeira estância tomados como “suspeitos”. Os provedores não têm nenhum trabalho nem despesa a mais quanto a isso. Lançam o problema, através desse “filtro”, e os amigos que se (des)entendam.

Bem, vamos voltar ao assunto desta crônica, ao que me levou de fato a escrevê-la. Recebi há poucos dias uma mensagem muito bem elaborada na qual a determinada “empresa” anuncia abertamente possuir milhões, é, milhões de e-mails captados em sites, provedores de acesso, etc e tal. E o dizem com toda a clareza, sem nenhuma cerimônia. A seguir oferecem seu cadastro a quem interessar.

Dão garantia de que os e-mails são verdadeiros, ativos, e garantem que as listas que oferecem... “são de qualidade e com 100% dos e-mails funcionando”. Está dito na mensagem deles com todas essas letras.

Eu pergunto, e quem puder me esclarecer que o faça, por favor: isso é uma atividade legal? Se é que existe mesmo lei neste terreno, às vezes minado, da Internet onde infelizmente também proliferam armadilhas as mais variadas.

Reafirmo que tudo é feito tão às claras, com tantos detalhes, oferecendo até brindes extras para os clientes que desejarem adquirir as tais listas, tudo com tal elevado índice de profissionalismo de marketing, pesquisas permanentes, garantias tantas, que sinceramente começo a crer não estarem desamparados nesta “atividade”.

Minha boa amiga Silvana Guimarães, comentando rapidamente o recebimento de mensagem idêntica, chegou a me escrever: -- “Francisco, isto é uma aula de crime, já que fornece instrumento para a prática de spam.”. – Concordo plenamente com ela, mas como eles têm então o atrevimento de agir assim, tão às claras, zombando de nós, as vítimas permanentes e indefensáveis? Quem os puniria então?

E se não temos defesa contra essa corja, para que ficarmos a bradar contra a enxurrada “tsunamica” de spams que recebemos diariamente? Como lutar ou investir contra o que parece até ser acobertado legalmente, ou sei lá por que dispositivo, a ponto de agora nos enviarem essas propagandas como algo muito natural e normal?

E, por gentileza, se o procedimento a que me refiro aqui tiver algum apoio legal, vamos então parar de reclamar dos tantos spams que nos chegam todos os dias, e não se fala mais nisso. Não tenho tempo para ficar malhando em ferro frio.

Só posso admitir que agora passamos a ter que aturar também O SPAM ANUNCIADO. Barbaridade.

 
 

(09 de junho/2007)
CooJornal no 532


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
www.franciscosimoes.com.br