07/07/2007
Ano 11 - Número 536

ARQUIVO SIMÕES

 

          

Francisco Simões

 

EU PRECISAVA LHE DIZER

Ainda me lembro como nos conhecemos. Comemorei uma amizade tão bonita, de uma pessoa tão linda que eu acrescentava na minha relação de amizades.

Você se chegou a mim de uma forma que muito me agradou, à época. Foi um autêntico presente da vida real por este caminho virtual. Gosto de fazer amigos e amigas e mais gosto de mantê-los, quando me é possível ou me permitem.

Custei a acreditar quando li sua primeira mensagem falando sobre um dos meus trabalhos. Você, uma pessoa talentosa, bonita, comunicativa, descobrira neste esforçado escriba um valor que a mim muito sensibilizou.

Outros comentários você me enviou nas semanas seguintes. Infelizmente de repente acabamos por enveredar num debate de idéias, naqueles dias meio tumultuados, véspera de eleição.

Ambos temos personalidade meio forte, defendemos nossos pontos de vista e um choque, que nunca desejamos, acabou nos atirando numa malquerença que nos afastou por algum tempo.

Confesso que senti muito a ausência de suas palavras, de seu sorriso, de sua amizade alegre, cheia de vida. O silêncio que se interpôs entre nós gritava muito alto me condenando por uma tolice que eu não soubera evitar. Eu estava triste e, hoje confesso, muito arrependido.

As farpas haviam partido de ambos os lados, é verdade, mas eu não me perdoava pela inabilidade ou incompetência de não ter alcançado a importância da sua amizade que se sobrepunha a todo e qualquer valor de julgamento num debate de idéias.

Um dia criei coragem e resolvi “bater à sua porta” e, se não levava flores, é porque não sabia como fazê-lo na virtualidade deste espaço, dinossauro assumido que sou dos meandros da informática onde caminho apenas escrevendo.

Obrigado por não ter batido com a “porta” nas minhas intenções. Foi difícil, eu sei, foi difícil, especialmente para você, amiga. Suas razões pesavam na minha consciência, a falta do seu sorriso machucava uma saudade sincera que nunca lhe quis mal. Você me aceitou de volta ao convívio virtual diário de onde nunca deveria ter saído. Obrigado.

Mas por que fui levado a dizer isto agora? Depois que li o que você escreveu sobre um episódio de sua vida. Depois que passei a respeitá-la ainda mais, pois só uma pessoa de muita luz teria aquele gesto, aquela idéia, aquele desejo, aquela coragem, aquele sonho que conseguiu tornar real.

Amiga, você é uma pessoa especial, alguém que o desencontro, o sofrimento, a dor, jamais endureceram, pois sua ternura, sua lealdade e amor pela vida, são mais fortes que eventuais feridas. Você merece ser feliz.

Quando eu fiz um breve comentário em cima daquele seu pequeno texto que me chegara acompanhado de uma linda foto, eu quis apenas expressar o meu sentimento de amizade, de solidariedade, pois eu compartilhei também de sua alegria, do seu momento de felicidade de uma rara beleza.

Você então retornou a mim com essas palavras que guardei. Elas definem você, boa amiga, seu caráter, sua personalidade, a poeta que percebe a vida com os olhos da alma.

A mulher que escreve o seu caminho com letras de alegria ou de tristeza, mas sempre buscando a felicidade, sempre procurando plantar a sua fé na vida em outros corações. As palavras que eu guardei:

“As dores da vida, não é meu amigo...Tantas dores e alegrias... amores...Vida! E estamos nela...Temos que viver e sabermos usufruir dos ensinamentos...O mais importante pra mim é fazer com que as dores e mágoas sejam substituídas....Qualquer coisa vale, até uma nostalgia...uma saudade... um sorriso amargo... tudo é melhor...”

“Sempre é mais fácil entender...viver a vida com alegria, mesmo na tristeza... A alegria briga com as dores... mas desiste ao sol da manhã... Já cheirou a brisa da manhã?Quem resiste?Até a tristeza desiste... Obrigada por ler meu coração. E sentir...”


Você não tem que me agradecer nada, amiga. Eu é que comemoro o privilégio de merecer uma amizade como a sua.

Eu precisava lhe dizer isso.


 

ESPAÇO RETRÔ:
Leia também, nesta edição,
"MEU SÁBADO", de junho/2001. 


(07 de julho/2007)
CooJornal no 536


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
www.franciscosimoes.com.br