01/09/2007
Ano 11 - Número 544

ARQUIVO SIMÕES

 

          

Francisco Simões

 

CÃIMBRA, VOCÊ JÁ TEVE?

 

Pode parecer um assunto de menor importância, porém garanto que não é não. Ela pode ocorrer basicamente por carência de potássio no organismo, mas não só por isso. De uns anos para cá se houvesse um campeonato de câimbras eu disputaria com muitas possibilidades de não fazer feio. É verdade.

Não me refiro àquelas mais comuns e que incomodam, todavia não tanto quanto outras que parecem só afetar a nós que somos por elas perseguidos. A câimbra nos dedos dos pés, que os faz subir uns nos outros, pouco dói. É muito comum e perturba mais do que nos faz sofrer.

A que ataca a barriga da perna realmente dói bastante e parece, enquanto dura, que a musculatura está sendo dividida ao meio. É pior que a dos dedos porém suportável. Afirmo isso por já ter sido “privilegiado” por essas duas e outras mais.

Na variedade em que elas costumam nos acometer destacarei duas. Uma delas eu a conheci, digamos assim, há cerca de uns 15 anos passados, jamais a sentira antes. A outra veio a me atacar, pela primeira vez, de uns dois meses para cá. Vamos à elas.

Esta última se situa entre o joelho e o calcanhar, mas não confunda com a que ataca especificamente a barriga das pernas, não. É talvez uma variação daquela outra, porém com características bem diferentes. Eu me levantara da cama, à noite, e logo senti aquela dor bem forte ao tempo em que a parte meio lateral da perna direita parecia fazer com que esta se entortasse.

A palavra entortar está correta. Eu pisava no chão com dificuldade e não conseguia manter minha perna reta, meu pé direito tendia a virar para a direita, estilo os “pés de Carlito”, lembram-se? Pela posição fica difícil a mesma pessoa se auto massagear com algum medicamento pois até sentar é complicado.

Nesses casos tive sempre a sorte de ter alguém por perto para me ajudar. Garanto que dói bastante. Ela sempre tem atacado minha perna direita, jamais a esquerda. Por quê? Não sei dizer. Se alguém souber me informe, por favor.

Quanto à outra câimbra afirmo ser a que mais me maltrata quando “me visita”. A primeira vez que a senti eu estava sentado na sala lendo um livro e com as pernas colocadas numa mesa de centro. Este hábito eu já repetira tantas vezes antes sem nada demais acontecer, mas como sempre tem uma primeira vez...

Ao tentar recolher as pernas para me levantar senti repentinamente aquela dor lancinante na perna direita. Doía e doía muito mesmo, podem crer. Assustei-me, pois nem conseguia mover a perna para completar o movimento. Gritei chamando por minha esposa que veio rápido e logo buscou uma embalagem de gelol. Ela ficou alguns minutos massageando minha coxa direita na tentativa de dominar a forte câimbra.

Para nós era algo que nunca sentíramos antes, daí a surpresa com a violência da dor e da contração muscular. Demorou um bom tempo até que eu conseguisse me levantar. Mesmo assim, ao começar a andar, tive que arrastar a perna direita ao dar os primeiros passos. Repito: esta primeira vez ocorreu há uns 15 anos.

Posso lhes dizer que várias outras vezes este tipo de câimbra tem me acometido e a dor é sempre muito forte. Tem-se a impressão de que rasgam com uma lâmina a musculatura da cocha direita sem anestesia. Sinceramente, não exagero. Muitas vezes eu mesmo tive que me auto massagear por estar sozinho.

Ela costuma acontecer no momento em que puxamos a perna para nos levantar, geralmente de madrugada. Por isso hoje mantenho sempre à mão, na cabeceira da cama, uma embalagem daquele produto e deixo outra na mesa do computador, embora nunca tenha acontecido durante o dia.

Diariamente como de uma a duas bananas. Igualmente em alguns dias tomo um comprimido do complexo de vitamina “b” que, segundo sei, também ajuda no evitar as malditas câimbras, ou pelo menos, minimizar a freqüência delas. Mas, de repente, elas sempre acabam driblando essas defesas.

Se você já sentiu o desprazer deste tipo de câimbra a que me refiro acima, por favor, me fale. Podemos trocar experiências, por que não?



(25 de agosto/2007)
CooJornal no 543


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
www.franciscosimoes.com.br