10/05/2008
Ano 11 - Número 580

ARQUIVO SIMÕES

 

          

Francisco Simões
 


COBRAS NO NINHO


 

Amigos, por mais que este título não pareça indicar, em verdade eu vou falar sobre família, lealdade, traição, inveja, vícios, vingança, e o popular “olho grande”. Para que ninguém se sinta atingido desde logo aviso que não tenho nenhum alvo em mira.

Outras vezes eu já afirmei, e reafirmo agora, que é comum haver amigos que, em certos casos, nos valem mais que certos parentes. Isso é muito comum e pode facilmente ser comprovado, só não o admite o tal cego que não quer ver.

Popularmente costumam dizer que há pais que não merecem os filhos que têm, e a recíproca é igualmente verdadeira, ou seja, que há filhos que não merecem os pais que possuem. Isto vale tanto no bom quanto no mau sentido.

Já conheci pai voltado para determinados vícios, ou mãe de caráter duvidoso, cujos filhos eram pessoas maravilhosas, trabalhadores, estudiosos, amigos leais, apesar de tudo.

Por outro lado, muitas vezes encontramos filhos que fraquejam e mergulham em vícios sem volta, enquanto seus pais são pessoas respeitáveis, que sempre pautaram sua vida por lhes oferecer os melhores exemplos. Por que isso acontece? Não sei, talvez destino, seja dos filhos ou dos próprios pais, para quem acredita nele.

Em certas famílias bem formadas, em qualquer nível social, já encontrei filhos dedicados, amantíssimos, com pais maravilhosos, que um dos rebentos, masculino ou feminino, envereda pela senda das drogas e/ou do álcool. Desvio de conduta de alguém que teve, no lar, o mesmo amor, a mesma dedicação, a mesma educação, doada por seus pais a todos os filhos. É muito triste quando isto acontece muito próximo a nós.

O veneno, a nível familiar, pode alcançá-lo por várias formas e maneiras as quais, para os cidadãos normais, digamos assim, (embora hoje em dia esteja cada vez mais complicado se estabelecer este nível de “normalidade”) seja muito difícil imaginar previamente, e até mesmo admitir, uma inesperada “mordida de cobra” no seio sacrossanto do seu lar. Mas, por via das dúvidas, esteja atento... Família, hein??!!

Se no título usei a palavra “ninho” é porque ela faz total sentido nesta modesta análise, pois ninho, afinal, também representa “abrigo, casa paterna, lar”. Não sou nenhum psicólogo, nem sociólogo, entretanto tenho procurado ser um aplicado aluno das lições que a vida constantemente nos oferece.

Eu dou um valor imenso à família, sempre o dei, não obstante algumas limitações, como distância, nos mantenham às vezes afastados fisicamente, porém jamais nos impedindo de alimentar o amor fraterno e filial. Basta mantermos permanente contato via ligações telefônicas, ou mesmo pela internet, ou ainda por cartas.

Triste e altamente frustrante é quando a amizade, o amor, de repente baixam sua máscara para exibirem aquele “olho gordo”( isto é...inveja, cobiça)!! Algumas vezes nem sequer esperam que o parente que lhes possa deixar alguma herança, por pouco que seja, fique doente ou venha a dar o seu último suspiro. Já se jactam na disputa do que julgam ser seu antes mesmo do “fato consumado”. Há pessoas assim, creiam.

Põem seu time em campo, atropelando terceiros e quartos, apenas pelo receio de que sua participação “nos lucros” de uma futura morte, venha a ser reduzida. Amigos do “candidato a defunto” podem passar a ser seu alvo.

Quem sabe esses tiveram uma influência forte no viver do dito cujo que pode ter sido imensamente grato a ponto de os incluir no banquete da herança?! Sem cerimônia eles bradam: “Meu pirão primeiro...”

E nem quero entrar no mérito(??!!) de filhos e/ou filhas que executam ou contratam o assassinato dos próprios pais para tentarem chegar rápido ao baú da herança. Casos recentes, tão divulgados, o comprovam. Tristes tempos.

E a gente fica imaginando o que se passa na cabeça de algum Juiz que, não obstante a crueldade do ato praticado, de repente libera assassinos confessos com um mínimo de pena cumprido, quando ao menos já foram condenados em júri popular.

E certas leis que estabelecem prerrogativas que acabam por dar proteção e mesmo direitos a escroques e assassinos que, com advogados “competentes”, escapam de pena maior, ou esticam por anos e anos o julgamento de seus clientes, ou ainda, com alguma manobra jurídica de mestria, os livram da cadeia internando-os em clínicas psiquiátricas, ou similares?

É, meus amigos, diante de tantos desses exemplos hoje em dia tenho muitas dúvidas de que a justiça ainda seja cega. Talvez, quando muito, ... seletiva.

Devemos estar sempre atentos para evitarmos, se possível, sermos surpreendidos um dia com alguma “mordida” intempestiva de cobras que convivem em nosso próprio ninho. Muita atenção, hein?! Ah... Lar, doce lar...



(10 de abril/2008)
CooJornal no 580


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
www.franciscosimoes.com.br