Amigos, por mais que este título não pareça indicar, em verdade eu
vou falar sobre família, lealdade, traição, inveja, vícios,
vingança, e o popular “olho grande”. Para que ninguém se sinta
atingido desde logo aviso que não tenho nenhum alvo em mira.
Outras vezes eu já afirmei, e reafirmo agora, que é comum haver
amigos que, em certos casos, nos valem mais que certos parentes.
Isso é muito comum e pode facilmente ser comprovado, só não o admite
o tal cego que não quer ver.
Popularmente costumam dizer que há pais que não merecem os filhos
que têm, e a recíproca é igualmente verdadeira, ou seja, que há
filhos que não merecem os pais que possuem. Isto vale tanto no bom
quanto no mau sentido.
Já conheci pai voltado para determinados vícios, ou mãe de caráter
duvidoso, cujos filhos eram pessoas maravilhosas, trabalhadores,
estudiosos, amigos leais, apesar de tudo.
Por outro lado, muitas vezes encontramos filhos que fraquejam e
mergulham em vícios sem volta, enquanto seus pais são pessoas
respeitáveis, que sempre pautaram sua vida por lhes oferecer os
melhores exemplos. Por que isso acontece? Não sei, talvez destino,
seja dos filhos ou dos próprios pais, para quem acredita nele.
Em certas famílias bem formadas, em qualquer nível social, já
encontrei filhos dedicados, amantíssimos, com pais maravilhosos, que
um dos rebentos, masculino ou feminino, envereda pela senda das
drogas e/ou do álcool. Desvio de conduta de alguém que teve, no lar,
o mesmo amor, a mesma dedicação, a mesma educação, doada por seus
pais a todos os filhos. É muito triste quando isto acontece muito
próximo a nós.
O veneno, a nível familiar, pode alcançá-lo por várias formas e
maneiras as quais, para os cidadãos normais, digamos assim, (embora
hoje em dia esteja cada vez mais complicado se estabelecer este
nível de “normalidade”) seja muito difícil imaginar previamente, e
até mesmo admitir, uma inesperada “mordida de cobra” no seio
sacrossanto do seu lar. Mas, por via das dúvidas, esteja atento...
Família, hein??!!
Se no título usei a palavra “ninho” é porque ela faz total sentido
nesta modesta análise, pois ninho, afinal, também representa
“abrigo, casa paterna, lar”. Não sou nenhum psicólogo, nem
sociólogo, entretanto tenho procurado ser um aplicado aluno das
lições que a vida constantemente nos oferece.
Eu dou um valor imenso à família, sempre o dei, não obstante algumas
limitações, como distância, nos mantenham às vezes afastados
fisicamente, porém jamais nos impedindo de alimentar o amor fraterno
e filial. Basta mantermos permanente contato via ligações
telefônicas, ou mesmo pela internet, ou ainda por cartas.
Triste e altamente frustrante é quando a amizade, o amor, de repente
baixam sua máscara para exibirem aquele “olho gordo”( isto
é...inveja, cobiça)!! Algumas vezes nem sequer esperam que o parente
que lhes possa deixar alguma herança, por pouco que seja, fique
doente ou venha a dar o seu último suspiro. Já se jactam na disputa
do que julgam ser seu antes mesmo do “fato consumado”. Há pessoas
assim, creiam.
Põem seu time em campo, atropelando terceiros e quartos, apenas pelo
receio de que sua participação “nos lucros” de uma futura morte,
venha a ser reduzida. Amigos do “candidato a defunto” podem passar a
ser seu alvo.
Quem sabe esses tiveram uma influência forte no viver do dito cujo
que pode ter sido imensamente grato a ponto de os incluir no
banquete da herança?! Sem cerimônia eles bradam: “Meu pirão
primeiro...”
E nem quero entrar no mérito(??!!) de filhos e/ou filhas que
executam ou contratam o assassinato dos próprios pais para tentarem
chegar rápido ao baú da herança. Casos recentes, tão divulgados, o
comprovam. Tristes tempos.
E a gente fica imaginando o que se passa na cabeça de algum Juiz
que, não obstante a crueldade do ato praticado, de repente libera
assassinos confessos com um mínimo de pena cumprido, quando ao menos
já foram condenados em júri popular.
E certas leis que estabelecem prerrogativas que acabam por dar
proteção e mesmo direitos a escroques e assassinos que, com
advogados “competentes”, escapam de pena maior, ou esticam por anos
e anos o julgamento de seus clientes, ou ainda, com alguma manobra
jurídica de mestria, os livram da cadeia internando-os em clínicas
psiquiátricas, ou similares?
É, meus amigos, diante de tantos desses exemplos hoje em dia tenho
muitas dúvidas de que a justiça ainda seja cega. Talvez, quando
muito, ... seletiva.
Devemos estar sempre atentos para evitarmos, se possível, sermos
surpreendidos um dia com alguma “mordida” intempestiva de cobras que
convivem em nosso próprio ninho. Muita atenção, hein?! Ah... Lar,
doce lar...
(10 de abril/2008)
CooJornal no 580
Francisco
Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
www.franciscosimoes.com.br