05/07/2008
Ano 11 - Número 588

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética


 

          

Francisco Simões
 


O ZACA NOVAMENTE III

 

Amigos, já lhes contei algumas aventuras do personagem Zacarias, o Zaca, que defini na primeira delas, em 2001, como sendo “um clone miscível de genes de vários amigos que conheci nesta longa estrada da vida, e do meu também, claro.”

Hoje vou lembrar aqui outras de suas aventuras. Ele ainda era mais jovem, devia estar ali pelos quarenta e tal. Zaca foi destacado para uma missão numa cidade bem distante daquela em que vivia, ou no Rio de Janeiro. Continuava casado com Cacilda há alguns anos.

Em sua nova missão naquela terra distante, o Zacarias encontrou certo dia um tempinho para visitar umas lojas e numa delas conheceu uma moça bonita, de corpo perfeito, enfim, como diria ele, “caça à vista”. Poucos minutos de papo e logo marcaram um encontro para à noite. Iam jantar juntos. Zaca atacava de novo.

Por volta das vinte horas iam os dois alegremente conversando pela calçada da avenida principal quando de repente Zacarias percebeu que um carro os acompanhava, vindo devagar, à curta distância, e piscando os faróis intermitentemente. Aquilo desagradou e preocupou o nosso “herói”.

Ele perguntou à jovem se ela podia explicar o fato. Logo ela esclareceu: “Deve ser o bobalhão do Carlinhos, meu namorado.” Namorado?? Ele não sabia nada sobre isso pois não fora informado antes pela garota. Ela tentou tranqüilizar o Zaca: “Liga não, ele é filho de fazendeiro, papai rico, metido a folgado, pensa que pode tudo. Já disse que não quero mais namorar com ele, mas o cara não se conforma e fica me seguindo, é sempre assim quando me vê com alguém.”

Zacarias pediu à ela que fosse falar com o cara e ver se ele desistia de os seguir. À certa distância Zaca percebeu ela dando uma bronca no bobo do Carlinhos. Depois de uns minutos ele arrancou com o carro fazendo um barulho danado e metendo a mão na buzina, para intimidar. Enfim sós, mas a sombra do outro ficou pairando na cabeça do Zacarias. Aquele seria o primeiro e último encontro dos dois.

Esqueci de dizer que logo ao chegar àquela cidade ele já se envolvera com uma garota loura, doce e carinhosa, que trabalhava na lanchonete ao lado do prédio do trabalho dele. Já que a conquista da outra “fizera água”, Zaca ia se consolar no colo da primeira. Estava namorando até na porta da casa dos pais dela. Cara folgado, o nosso bom Zacarias. O clima do namoro estava ganhando ares de compromisso, e compromisso sério. A mãe já sonhava com noivado, fazia gosto, mas não sabia que Zacarias era casado.

À noite, para acalmar a consciência, o nosso Zaca telefonava constantemente para sua esposa, Cacilda. Falava de sua saudade, de se sentir muito só, e que não via a hora de voltar para casa. Tinha um fundo de verdade, acreditem, mas o outro lado de Zacarias não permitia que mantivesse uma fidelidade merecida por Cacilda.

Os dias se passaram e chegou outro colega de trabalho para se juntar à mesma missão do Zacarias. Gentil, ele o convidou para irem jantar num belo restaurante ali perto. Quando lá estavam caíram nos seus colos duas bonitas mulheres, desacompanhadas. Uma de pele branca e a outra uma mulata daquelas de deixar português revirando o bigode, pois. Logo já estavam sentados à mesma mesa.

Conversa vai, conversa vem, o tempo foi passando até que o amigo de Zaca chamou-o para irem ao banheiro juntos. Em lá chegando e enquanto “tiravam água do joelho” ele falou: “Oh Zacarias, não percebeste que tem algo errado, muito errado lá na nossa mesa?”

Zaca espantou-se e pediu que o amigo explicasse melhor, e ele o fez entrando direto no assunto: “Não vês que a branquinha que está ao meu lado não tira os olhos de ti enquanto que, em contra partida, a tua mulata só tem olhos e atenção para mim, cara?” Zacarias teve que admitir que já percebera sim, todavia não sabia o que fazer para corrigir a situação. Temia ser interpretado mal pelas mulheres.

Seu amigo, mostrando também jogar no time do “craque” Zaca, logo arrematou: “Pó, amigo, é só nós fazermos o seguinte. Ao voltarmos à mesa tu sentas direto no lugar em que eu estava e eu vou reto para o teu lugar. O que achas desta jogada?” Zaca, com toda a sua ousadia e atrevimento em conquistas mil já vividas teve que tirar o chapéu para o amigo, e respondeu: “Combinado, assim faremos.”

E fizeram mesmo, acreditem. As moças também entenderam e assimilaram perfeitamente aquele lance. Foi como se nada tivesse mudado, sacaram? A noite foi passando e a lua foi que mostrou estar um tanto envergonhada, já os dois casais pareciam estar agora perfeitamente entrosados. Beijos pra lá, carinho pra cá, não havia mais erro algum, os pingos estavam colocados nos devidos iii.

Ao final do jantar cada um tomou o seu rumo e foram... foram... ora, foram curtir as horas seguintes no mesmo hotel mas em quartos separados, pois. Naquela noite Zacarias nem se lembrou de telefonar para Cacilda.

O namoro com a primeira das namoradas naquela cidade prosseguiu até o dia em que Zaca teria que retornar à casa, ao lar. No aeroporto a garota começou a chorar e para a acalmar ele teve que prometer que um dia voltaria. Alguns o chamarão de conquistador barato, velhaco, porém o Zacarias era incorrigível.

No mais, vejamos, quem não cometeu algum pecadinho, um ou vários deslizes amorosos no decorrer de sua vida? Pois é, mas como diz certa amiga “homem é tudo igual, só muda o nome e o endereço.” Será? Ouvi isso agora, aos 71 anos... Pensando bem se eu der razão à ela terei que providenciar rápido também a minha carapuça!!

Esta história terá continuidade em outro texto que escreverei em breve. Ocorre que o Zaca tomou um avião naquele dia porém para saltar em S. Paulo e não indo direto ao Rio, seu endereço, como deveria ter feito, daí... Aguardem, por favor.



(05 de julho/2008)
CooJornal no 588


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
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