15/08/2008
Ano 12 - Número 594

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética


 

          

Francisco Simões
 


O POVO É QUE NÃO SABE VOTAR!

 

Amigos leitores e eleitores, agora a responsabilidade está, mais do que nunca, nos vossos ombros, ou nos vossos votos.

Afinal, candidato de “ficha suja”, enquanto não seja definitivamente condenado em qualquer dos processos que existam contra ele, não pode ser impedido de se candidatar e até de ser eleito e empossado. É lei.

O candidato dito de “ficha suja” pode ter quantos processos tiver transitando em justiça, sejam 5, 10, 20, ou lá quantos sejam, para a lei ele não pode ser prejulgado, e portanto impedido de se candidatar. Não pode não. Foi o que disseram e determinaram os ilustres Magistrados do STF.

Votaram a favor desta decisão, em larga maioria, os Excelentíssimos e respeitáveis Senhores Juízes do Superior Tribunal de Justiça. Eu vi e ouvi e vocês também.

Só não me considero totalmente equivocado, incorrendo em erro, já que não concordo com tal decisão, porque pelo menos dois dos Excelentíssimos Juízes do mesmo Superior Tribunal de Justiça votaram contra aquela decisão de seus pares.

Em outras palavras, votaram na defesa do que nós entendemos como justo, correto, e esperávamos fosse aprovado. Mas eles perderam, e nós também.

Na democracia é assim, a maioria é quem decide. A minoria cumpre. Não nos compete investir contra a lei. A nós, como cidadãos brasileiros, no completo e inteligente exercício de nossa cidadania, só resta fazermos aquilo que o STF não consegue e/ou não pode fazer, conforme alegaram.

Pelo que nos deram a entender, não importa a origem dos processos ou o tipo de denúncias feitas pela investigação policial. Também o grau dos delitos parece não sensibilizar a Lei. Enquanto não houver condenação em última instância, todo e qualquer candidato continua sendo considerado inocente.

Precisamos entender que políticos, ou mesmo candidatos a políticos, pertencem a uma outra casta que deve estar bem acima daquela a que pertencemos nós como cidadãos comuns. Entendendo isso talvez vivamos melhor, ainda que raivosamente indignados pela desigualdade da respeitável senhora D. Lei, brasileira, pois.

Ao escolhermos nossos candidatos aos cargos eletivos devemos, mais do que nunca, pesquisar bem, investigar profundamente, apurar tudo sobre a vida pregressa e atual de cada um deles. Compreenderam bem?

Vocês me perguntam se o cidadão comum vai ter tempo, capacidade e meios para fazer isto tudo? Não sei, talvez nem tenha, porém não contem com a ajuda da justiça que já fez o papel dela. Assunto encerrado naquela alçada. Logo, se virem.

Outra pessoa me perguntou se ele tivesse a tal “ficha suja” e quisesse se candidatar a algum cargo, público ou não, a algum emprego, mesmo por concurso, se concorreria com os demais em igualdade de condição, baseado nesta decisão da justiça em relação aos candidatos a cargos eletivos.

Eu respondi que com certeza não. Na melhor, ou pior, das hipóteses, se desconfiarem de algo contra ele irão pedir sua “ficha corrida” (alguém ainda se lembra disso?) e se ali surgirem dúvidas quanto à retidão de comportamento dele, naturalmente será barrado. Por quê? Ora, perguntem a quem faz as leis, amigos.

Vocês bem sabem que há políticos antigos que já se elegeram, reelegeram, e voltam a se candidatar agora, com denúncias várias, tanto da nossa Polícia Federal, como até em investigações da Interpol.

Há gente denunciada por ter, segundo disseram autoridades policias e do MP, surrupiado dinheiro público (e não foi pouco), alguns até tendo conta no exterior, no que eles chamam de “paraísos fiscais”, mas... parece que nunca conseguiram provar nada, daí... fichas lavadas e enxaguadas, limpinhas como a sua e a minha.

Pergunto: o que pode fazer a nossa Justiça? Nada. Afinal na maioria dos casos sequer conseguiram abrir processos e levar os ditos cujos denunciados a algum tipo de julgamento. E pelo jeito jamais serão julgados, quanto mais condenados. É a Lei, amigos, é a Lei.

Bem, não me perguntem se aí funciona mesmo apenas a Lei, isso eu não sei e nem quero me meter no assunto. Fofoca não é o meu forte. Procuro estar sempre do lado da verdade, é, da verdade sim.

Reconheço porém que está cada dia mais difícil de discernir entre verdade e mentira, entre justiça e injustiça, entre certo e errado, entre ético e antiético, entre honradez e corrupção, entre Lei e fora da Lei. E isso pode levar-nos à loucura!!

Resumindo, amigos e amigas, vocês, como eleitores, no final é que vão ser outra vez responsabilizados pelo que uma turminha adora repetir... “o povo é que não sabe votar...” Ganhe quem ganhar, seja eleito quem for, novamente leremos e ouviremos, com certeza... “o povo é que não sabe votar...”




(15 de agosto/2008)
CooJornal no 594


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
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