22/08/2008
Ano 12 - Número 595

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética


 

          

Francisco Simões
 


OS BOBOS METIDOS A ESPERTOS

Não é segredo para ninguém que proliferam nesta internet spams e mensagens outras, estas que têm o objetivo de infectar nossos computadores com vírus, alguns altamente perigosos. Eles vão aprimorando a técnica para fazerem o mal.

Quanto ao que se chama de spam confesso que tolero, mesmo os deletando ao entrarem na minha mala do provedor Terra. Eles pretendem nos vender algo e embora abusem da nossa paciência, no caso da internet, eu vou levando.

O título que usei acima se refere mesmo é aos que não devem ter nada mais útil a fazer na vida e gastam certamente a maior parte do seu nada precioso tempo engendrando formas e maneiras, através de mensagens de conteúdos variados, de mandar vírus para os descuidados, ou os tão bobos quanto eles.

Digo isso, amigos, porque não acredito que hoje em dia, depois de tantos avisos de empresas, as mais diversas, como os Correios, a Receita Federal, etc e tal, alguém ainda embarque na canoa furada que algum truão, que o dicionário define como “indivíduo vagabundo, desavergonhado, que vive de expedientes” não se canse de nos mandar pelo rio de sua própria incompetência.

Sei que me referirei a fatos que atingem à grande maioria dos internautas ou a quase todos, que aqui procuram atuar com seriedade, ser útil, criar, produzir sites belíssimos, escrever e divulgar crônicas, poesias etc, como eu mesmo faço há anos, ou apenas se comunicar com amigos por este modo virtual. Tudo bem.

Mas vejam se não é o cúmulo da falta de imaginação, da incompetência, claro, ficarem a nos entulhar com “avisos de regularização cadastral”, seja da Caixa Econômica, ou de Bancos, os mais diversos, além dos expedientes que nos comunicam dívidas que não temos, que nunca fizemos, ou quando dizem que “estão com saudade de nós” e então enviam “uma foto”, e baboseiras tantas.

Outro dia alguém me enviou uma deste tipo onde me informava estar mandando uma fotografia da “turma do colégio, do ginásio, nos anos 70”... Soltei uma boa gargalhada. Ora, amigos, se hoje com a idade que estou, nos anos 70 eu ainda estivesse a cursar o ginásio, eu devia ser um débil mental ou retardado. Algumas vezes eu me divirto com tanta estupidez, tanta burrice metida à esperteza.

Há cerca de uma semana quando abri minha mala, no Terra, vi que havia 74 mensagens. Entendi que vinha uma montanha de baboseiras, e veio mesmo. Só mensagens que alguns palhaços nos mandam como sendo da Caixa Econômica avisando que o cadastro (eu nõ tenho) precisa ser modificado, tiveram o “empenho” de me enviar 67... Nem me deu trabalho e em dois toques deletei tudo.

Oh mentes insanas e vazias de conteúdo útil, se não pretendem construir algo sério, trabalhar como a maioria faz para ganhar a vida, oh turma praticante do idiotismo epidêmico, vão para o pasto que não há de lhes faltar capim. Refestelem-se a grande num banquete onde serão servidos por jericos orelhudos e babões.

E os avisos nos comunicando alguma “decisão judicial” ou “convocação para comparecermos em alguma instância”... o pior é que via de regra nem sequer dominam nossa língua, pois cometem erros grosseiros. Copiam símbolos para nos impressionar e colam nas mensagens. Quanto trabalho inútil e geralmente mal feito. Eles não vão aprender nunca a ser do bem. Problema deles.

Esta que me chegou há dias, e vem se repetindo, é de nos provocar mesmo frouxos de riso. No cabeçalho os “espertos” escreveram “Procuradoria Geral da República”. Iam bem, mas que pena que depois tiveram recaída de bobos e mais abaixo, no texto, puseram: “Procuradoria Regional de Justiça”... e de Brasília... será que pensam que eu moro lá?

E vejam só este primor, quanta “criatividade”. Logo abaixo daquele título a que me referi acima escreveram: “Coordenação de Defesa dos Interesses Difusos e Coletivos –CODIN”. Desculpem, mas Interesses Difusos e Coletivos é a tonga da mironga do Cabuletê, com permissão do mestre Vinicius de Moraes. Não torrem!!

Quando vejo e ouço na TV que alguém caiu num desses golpes sinceramente não sinto pena. Só vai clicar onde essa turma da marginália da informática manda quem seja totalmente desinformado ou ainda acredite, digamos, em Papai Noel. Não é por falta de aviso que uma pessoa ainda caia nessas armadilhas.

Mais recentemente alguns desses malfeitores virtuais passaram a nos atacar com mensagens usando um tom mais agressivo. E bota agressivo nisso. Por outro lado a idiotice é tamanha que, além de forjarem uma barra absurda, tentando intimidar com palavras chulas, de baixo calão, ficam a trocar o nome de quem se diz, na tal mensagem, “vítima” do destinatário. A acusação é sempre a mesma, ridícula.

Alguém escreveu e divulgou em certo blog uma análise sobre este comportamento tirando um bom sarro pra cima dos autores remetentes daquele tipo de mensagem. E o fez muito bem, com muito humor. Alguns de vocês que me lêem devem tê-la recebido, visto que estando nesta net somos sempre alvos desta marginália. 

Para os que eventualmente não a tenham recebido, e/ou para as amigas, já que o teor procura atingir apenas homens, reproduzirei aqui pequeno trecho daquele lixo, me permitindo abreviar o que não tenho o hábito de escrever porque devo respeito aos meus leitores :

“F.d.p., voce me paga! F.d.p., essa agora foi de matar! sabia que voce nao era um exemplo de honestidade mas agora ate a minha mãe ficou indignada com as suas conversas idiotas, simplesmente não devemos nada a voce!”

O desleixo com a acentuação deve ser “excentricidade” dos autores!! Todavia usar letra minúscula após uma ! ou depois de um ponto final, como está na mensagem, é falta de escola mesmo. A incapacidade sem diploma acaba deslizando na maionese de um semi-analfabetismo que hoje até dá status no Brasil.

No mais, cambada de desocupados e enquadrilhados fora da lei da informática, larguem de querer ser “espertos” dedicando tanta criatividade, e tanto trabalho, a fazer o mal aos outros. Um dia a casa cai, acreditem. Pena que alguns bobos do bem acabam por lhes render alguma esperança de se locupletarem com esses golpes tipo “batedores de carteira virtuais”.

A mim pouco se me dá quantas destas mensagens me enviem, elas nem sequer chegam perto da minha caixa de entrada, acreditem. É pura perda de tempo. Hoje eu estou tão cauteloso que para além de vários esquemas de triagem que uso jamais deixo entrar mensagem que eu não identifique perfeitamente. Meu antivírus até me agradece pois quase não tem trabalhado. Nem precisa.

Aos amigos com quem me correspondo habitualmente sempre alerto: “Não me enviem nada sem palavras no assunto”. Conheço a forma de se dirigir a mim de cada um e cada uma, caso venha (e já aconteceu) certa mensagem que não me dê segurança de ter realmente vindo deste amigo ou daquela amiga, vai direto para o lixo. Um PPS sem nada no assunto, por exemplo. Não abro mesmo.

E se me recomendam clicar ali para ver algo, e eu desconfiar da linguagem usada, mesmo tendo o nome e o e-mail de alguém conhecido, devolvo ao remetente pedindo que me confirme o envio. Se não tiver a confirmação na forma como eu espero, deleto e aguardo reclamação. Este método também nunca falha, creiam.

Então, malandragem metida a esperta, vão procurar algo útil para fazer. Há tanto a que se dedicar neste mundo tão conturbado e carente que sempre se encontrará um caminho mais digno, um trabalho mais decente, onde a esperteza não pesa, mas sim a dignidade, a honradez, a seriedade, o amor ao próximo. E chega.

 


(22 de agosto/2008)
CooJornal no 595


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
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