26/09/2009
Ano 12 - Número 651

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética


 

          

Francisco Simões



TANDE, UMA NOVA E GRANDE SACADA
“Cria da Terra”
 

Pois é, meus amigos, estando a passar nova e rápida temporada aqui no Rio, em Ipanema, cumprimos nossa rotina habitual com atividades diversificadas, entre elas visitando lojas e livrarias já conhecidas. São só duas semanas e temos que aproveitar bem o tempo.

Ao visitarmos o bom amigo Luís, da banca de revistas na esquina da Aníbal de Mendonça com a Barão da Torre, reparamos que estava sendo inaugurado um novo restaurante a poucos metros dali, em plena Aníbal. Era uma terça-feira.

Na quinta nos aproximamos e fomos dar uma olhada no cardápio. Logo chegou-se a nós uma senhora jovem, bonita, simpática, com um sorriso cativante. Era Deise, a recepcionista. Eu e Lena a cumprimentamos e pedimos informações. Logo confirmamos o que de há muito nos haviam dito, que um dos proprietários do restaurante é o Tande. Ele mesmo.

Um dos grandes ídolos do esporte brasileiro, destaque na vitoriosa seleção nacional de volley, o nosso bravo Tande se aposentou, em parte, claro, e resolveu participar daquele empreendimento junto com outros amigos. A história de como tudo começou é muito bonita e está contada com detalhes num pequeno Informativo que é entregue aos freqüentadores junto com o cardápio. Vale a pena ler.

No domingo seguinte decidimos ir lá jantar. Não se trata de fazer propaganda, sabem os amigos que não sou disso, mas de fazer justiça aos maravilhosos momentos que passamos ali, no “Cria da Terra”, naquela noite. Um ambiente romântico, luz baixa, como convém, além de um som suave e de muito bom gosto. Como fomos cedo, ali pelas 20:30 horas, havia pouca gente lá. Gosto mais assim.

Trocamos idéias sobre os pratos constantes do cardápio com dois jovens atendentes. Logo ficamos sabendo que todo o alimento lá servido é de origem orgânica. Ou como diz no tal Informativo: “... o alimento orgânico, além de mais saudável, saboroso e nutritivo, pode ser sofisticado.”

E seguem as informações: “Para acabar de vez com o mito equivocado de que comida orgânica é feia, mirrada e sem graça, o Cria da Terra convidou a chefe Lelena César para elaborar um cardápio delicioso para o jantar do novo restaurante na rua Aníbal de Mendonça.”

Acreditem que nós confirmamos, com aquela nossa primeira experiência, que eles afirmam uma verdade insofismável no referido Informativo: “Já não restava dúvida de que a alimentação orgânica faz bem para o corpo. Agora você vai experimentar o bem que ela pode fazer para a alma.”

O couvert já nos cativou, pois estava mesmo delicioso. Vejam só: “Seleção de vegetais crocantes, servida com húmus, torradas, páprica e azeite.” Maravilhoso. Eles oferecem diversas Entradas e Saladas, todavia nós temos por hábito não comer muito, sempre foi assim, e se aderimos a algo antes do prato principal, com certeza acabaremos nos arrependendo, pois podemos não ter como apreciá-lo.

Decidimo-nos pelo “Peixe na Telha”. Garanto que não nos arrependemos, muito pelo contrário. Eles usaram filé de Cherne assado na telha com cebola roxa, ao azeite extra virgem, com pupunha ao pesto e arroz de sete cereais. Divino, amigos, divino. Raramente comemos carne vermelha, optamos sempre pelo frango ou pelo peixe. Eles oferecem uma variedade interessante de pratos.

Não pretendíamos aceitar sobremesa, pois estamos numa luta insana para ir perdendo peso aos poucos, mas a tentação ao ouvirmos os oferecimentos de um dos jovens atendentes acabou nos conduzindo ao “pecado”. Sentimo-nos qual “Adão e Eva”, só que no lugar da maçã estava algo muito mais saboroso. Pecamos, então!

Vejam, meus amigos, se podíamos recusar isto: “Bambu Surpresa – suflê de cacau com calda de caramelo e crocante de castanhas, servido com sorvete de banana.” Face à nossa forçada “dieta” pedimos um só e dividimos. Deu na conta, acreditem.

O tempo todo fomos tratados de forma principesca não só pela recepcionista como pelos jovens que nos serviram diretamente. Alguém está querendo saber do preço? Pois lhes garanto que é perfeitamente normal, talvez até menos do que julgo valer aquela comida tão saborosa. Experimentem quando puderem.

Ainda por cima tivemos a sorte de contar com a presença do próprio Tande e sua esposa a partir de determinado momento. E eles sentaram bem perto de nossa mesa. Até nos cumprimentaram educadamente quando nos íamos retirando.

Para alguns seria aquela oportunidade tão esperada de pedirem um autógrafo ao excelente atleta. É, seria, mas eu confesso que tenho vergonha de fazer isso e também não gosto de incomodar astros e/ou estrelas quando os encontramos casualmente na rua. Sabem que aqui em Ipanema isto é uma coisa rotineira.

Tenham, porém, certeza de que ao voltarmos para casa, em Cabo Frio, seremos devidamente “admoestados” por nossos sobrinhos netos. Adriele, 9 anos, e Luis, 10 anos. Eles sempre insistem para que tiremos fotos com artistas ou atletas e que, se possível, peçamos algum autógrafo. Estamos em falta, pois jamais os atendemos.

Todavia, quem sabe, de repente o nosso grande ídolo, Tande, não os surpreende e manda um carinhoso beijo para Adriele e Luis, aqui mesmo, pela internet?! É, bastaria isso, e duas lindas e queridas crianças ficariam ainda mais felizes, com certeza. É apenas uma possibilidade, jamais uma cobrança ou uma promessa.

Entretanto, quem sabe? Vai que o Tande lê minha crônica e resolve atender a este pequeno desejo de nossos netinhos... ele nos quebraria um grande galho com esta “cortada de mestre”,

Mas o que importa é que tivemos momentos realmente felizes, e tudo que eu disse aqui foi escrito com o estômago e o coração (bela tabelinha...) além de fazer justiça ao Tande, seus sócios, seus funcionários, e à excelente cozinha que nosso paladar aplaudiu. Parabéns pelo magnífico “Cria da Terra”. Boa sorte, sempre.



(26 de setembro/2009)
CooJornal no 651


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
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