28/03/2009
Ano 12 - Número 625

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética


 

          

Francisco Simões
 


O CRIME DE GUERRA QUE FICOU IMPUNE


 

Muitos comemoraram no ano passado os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, inclusive eu, mas não podemos deixar que se apague de nossa memória importante fato que completa, agora em 2009, pouco mais de 60 anos.

Lembram-se que os americanos, durante a II Grande Guerra Mundial, arrasaram duas cidades japonesas com bombas atômicas: Hiroshima e Nagasaki. Leiam, por favor, o que retirei de um artigo de Humberto Alencar (México), com informações do Granma Internacional e da Agência Ria-Novosti, em agosto/2005:

“É cada vez maior o repúdio à justificativa oficial americana de que "era preciso dar um fim rápido à Segunda Guerra Mundial no Pacífico". Historiadores consideram que esse genocídio não era necessário para obter a rendição japonesa, supondo que isso "salvaria a vida de milhares de soldados americanos". O doutor Peter Kuznick, chefe de Estudos Nucleares da American Universit,y de Washington, vai ainda mais além, afirmando que “esses ataques não foram só um crime de guerra, mas sim um crime contra a humanidade.”

“Atingir a população civil de duas cidades japonesas, sem importância estratégica militar considerável, com bombas nucleares foi um ato repudiado por cientistas em todo o planeta, inclusive Albert Einstein. O Japão estava virtualmente derrotado, sem acesso às matérias-primas necessárias para a continuidade da guerra, com suas fábricas militares destruídas por seguidos bombardeios americanos”.

É mais do que óbvio que aquelas duas cidades japonesas não se encontravam como  alvos militares importantes. O autor do artigo acima lembrou: ...“o General Mac Arthur, que durante a Guerra tinha em seu comando as tropas aliadas do Pacífico, reconheceria em 1960: "Não havia nenhuma necessidade militar de empregar a bomba atômica em 1945".

Com a visível intenção de encobrir os verdadeiros objetivos do referido bombardeio atômico, Truman teria afirmado, no dia 9 de agosto de 1945, que o golpe nuclear fora desferido "contra a base militar de Hiroshima" (sic) com a finalidade de "evitar vítimas entre a população civil". --- Uma mentira oficial.

E disse mais o autor daquela matéria: “Os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki entraram para a história como um horroroso ataque terrorista, pelo menos 50 vezes mais letal que o cometido contra Nova York em 11 de Setembro de 2001.”

Diversos oficiais de alta patente das forças armadas americanas se pronunciaram abertamente contra aquela autêntica “barbárie da Idade Média”, como disse o Almirante Henry Arnold. Nas minhas pesquisas no noticiário internacional encontrei mais este desabafo, em forma de denúncia, de renomado cientista:

“Leo Szilard, um cientista que tinha um papel fundamental no desenvolvimento da bomba atómica, argumentou: "Se tivessem sido os alemães a lançar bombas atómicas sobre cidades ao invés de nós, teríamos considerado esse lançamento como um crime de guerra, e sentenciado à morte e enforcado os alemães considerados culpados desse crime no Tribunal de Nuremberg.”

No seu livro de memórias, “The White House Years”, o General Eisenhower escreveu:  "Em 1945 o Secretário de Guerra Stimson, ao visitar o meu quartel-general na Alemanha, informou-me que o nosso governo estava a preparar - se para lançar uma bomba atómica no Japão. Eu era um dos que sentia, que havia um número de razões contundentes, para questionar a sabedoria de tal ato. Durante a sua recitação dos fatos relevantes, eu tinha estado consciente de um sentimento depressivo e por isso vocalizei-lhe as minhas graves suspeitas, primeiro com base em minha crença de que o Japão já estava derrotado e que o lançamento da bomba era completamente desnecessário; segundo porque pensei que o nosso país deveria evitar chocar a opinião mundial pelo uso de uma arma cujo emprego não era mais, como pensei, obrigatório como uma medida para salvar vidas americanas."

Vejam que poucos dias antes de os americanos explodirem aquelas bombas atômicas nas duas cidades japonesas, vários cientistas, entre eles Edward Teller, físico nuclear americano, defendiam que o poder destrutivo da bomba poderia perfeitamente ser demonstrado sem precisar causar mortes.

Todavia parece que havia uma ânsia de demonstrar um poder destrutivo imenso, dizem alguns analistas internacionais que “seria um recado para os russos”, que nem a influente opinião do General Eisenhower, entre outros oficiais americanos, conseguiram mudar a decisão tomada com o beneplácito do Sr. Truman.

Talvez muitos não saibam, mas a cidade de Nagasaki era apenas um alvo considerado secundário, só o utilizariam caso fosse de todo impossível o bombardeio sobre Kokura. Pois é, este era o segundo alvo preferido. Nagasaki não era prioridade, e sabem por quê? Aquela cidade fica entre montanhas e um bombardeio sobre ela “não produziria tantas vítimas quantas em Kokura”!!

Como o piloto teria comunicado a impossibilidade, devido ao mau tempo em Kokura, de realizar “a contento” sua missão, foi então autorizado a largar a bomba atômica sobre Nagasaki. Prefiro não comentar o que sinto diante de tanta desumanidade, de tanta crueldade, de tanto barbarismo.

 A carnificina só não foi maior porque o terreno montanhoso protegeu o centro da cidade de Nagasaki, mesmo assim as vítimas teriam chegado a mais de 80.000, fora as mais de 100.000 que haviam morrido em Hiroshima. Sem incluir aqui os que morreram nos anos seguintes e todos que nasceram, no correr do tempo, com todo tipo de mutilação física, deformidades várias, graças à contaminação atômica.

Logo após a guerra, outra vez o General Eisenhower teria dito a um jornalista: Os japoneses estavam prontos para render-se e não era necessário atacá-los com essa coisa horrível".

Eu só quero que isso não caia jamais no esquecimento, mas que seja relembrado sempre, geração após geração, e que nunca mais se repita, assim como a própria II Grande Guerra Mundial. Será que meu desejo se realizará algum dia?




(28 de março/2009)
CooJornal no 625


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
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