20/06/2009
Ano 12 - Número 637

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética


 

          

Francisco Simões
 


ESPÍRITO SANTO – GENTE BOA, TERRA LINDA – I
Marataízes

 

Como sabem fizemos recentemente uma longa viagem de 33 dias por terras capixabas. Andamos mais pelo litoral, porém também conhecemos algo daquele Estado referente à Mata Atlântica. Será surpresa. Pretendo não fazer apenas relatórios de viagem e sim contar-lhes, de nossa aventura, detalhes que a muitos passam despercebidos e informações sobre a origem de cada lugar visitado.

Nossa primeira estada foi no sul do Estado, em Marataízes, e ficamos sabendo que aquela cidade só passou a existir como Município, oficialmente, em janeiro de 1997. Alguém sabia? Nós, não. Daí ela ser chamada de “cidade criança”. Marataízes também é conhecida como “A Pérola Sul Capixaba”. A cidade ocupa cerca de 135 km2 de área, e tem uma população acima de 30.000 habitantes, embora esses dados sejam do IBGE, mas do ano de 2000.

Aprendemos que o nome Marataízes tem origem na língua tupi-guarani e significa “água que corre para o mar”. Como vêm, turismo também pode ser cultura, basta, além de passear e desfrutar dos prazeres de uma viagem, pesquisar com o interesse de aprender algo mais de cada Estado, cada Região, cada cidade, cada povo.

Marataízes é bem pequena no tamanho, mas tem um povo encantador, educado, gentil, solidário, sempre pronto a lhe ajudar de alguma forma e, pelo que sentimos, nunca usando qualquer tipo de “malandragem” para iludir o visitante ou procurar levar algum tipo de vantagem. Gente acolhedora e, a meu ver, injustiçada, visto que raramente se ouve falar deste povo capixaba que, com certeza, se situa entre os primeiros em simpatia e bem receber. Foi a nossa impressão.

O mar tem sido cruel com as praias daquela cidade já há alguns anos. Vem avançando sobre as areias deixando faixas de terra bem pequenas, inclusive na Barra, onde ficamos. Para evitar uma invasão mais rápida da praia do centro da cidade a Prefeitura construiu um quebra-mar bem grande, largo e sofisticado. Transformou aquilo numa bela pista para passeio, com luminárias, bancos, jardins e pintou as partes laterais de azul e amarelo. É útil e algo bonito de se ver.

É comum encontrar-se namorados a curtir a visão do mar sentados nos bancos ou debruçados nas muretas. Ao final da imensa passarela do quebra-mar costumam postar-se por lá pescadores, especialmente ao final da tarde. Entretanto a presença daquele quebra mar não tem evitado que a parte mais antiga da cidade venha sendo seriamente ameaçada e já destruída parcialmente. Esses fatos estão documentados em fotos que poderão ser vistas entrando por este link
(http://www.franciscosimoes.com.br/marataizes1.htm).

A cidade, além da rua principal e da beira mar, asfaltadas, tem as demais de terra ou calçadas com paralelepípedos e/ou bloquetes de cimento. Chamou-nos a atenção todos dirigirem com calma, obedecendo as leis de trânsito, sem buzinarem desnecessariamente, como é comum em cidades maiores, e, não raras vezes, cedendo a vez para pedestres. Vejam que na avenida principal, com trânsito tão ordeiro, há apenas um sinal luminoso. Em termos de Brasil é de se realçar mesmo.

Outro detalhe, por mim considerado muito importante, foi que não vimos um só, ou nenhum, motoqueiro, fosse homem, mulher, ou criança na garupa, que não estivesse com seu capacete e usando calçado. Mais, toda vez nos ultrapassaram, em qualquer das ruas, pela esquerda, e nunca os vi fazer zig-zag ou avançar sinal, ou andar em contra-mão, nunca. Ainda resta uma esperança. Ver rápidas fotos sobre o assunto neste link
(http://www.franciscosimoes.com.br/marataizes2.htm).

Para nossa primeira estada de 4 dias escolhemos a aconchegante Pousada Portal da Barra. Não se trata de propaganda, porém de fazer justiça ao caloroso acolhimento que tivemos por parte da dona e de todos os funcionários, sem qualquer exceção. Nossos agradecimentos em especial ao Rodrigo e à Natasha, da recepção, mas extensivos a todos de uma equipe familiar.

Os apartamentos são organizados em blocos de quatro, dois no térreo e dois no segundo andar. Eles têm um primeiro ambiente com uma cama de solteiro, mesa, três cadeiras, internet sem fio, além de ventilador, e após o banheiro se chega ao quarto com cama de casal, TV, frigobar, armário para roupas, ventilador e uma maravilhosa varanda de frente para o mar.

Na verdade, à noite, jamais usamos o ventilador de teto. Eu deixava uma pequena parte da janela meio aberta e assim, com a forte e muito fresca brisa que vinha do mar, parecia estarmos com ar condicionado ligado por toda a madrugada. Para embalar nosso sono tínhamos o marulho das ondas a quebrar na praia, e o leve ruído da brisa marinha a balançar as folhas dos coqueiros em frente.

Logo ao chegarmos reparamos que a natureza nos premiara também com um ninho de pássaros justo em frente à nossa porta e numa das madeiras que sustenta as telhas. A mãe, andorinha, ali permanecia dia e noite a chocar os ovinhos sem se importar com nossa presença e com uma foto que fiz daquela cena. O macho é que lhe trazia comida.

Vistas gerais da Pousada, sua localização, a piscina, e mesmo o ninho poderão ser apreciados entrando por este outro link
(http://www.franciscosimoes.com.br/marataizes3.htm). Se quiserem mais detalhes daquele estabelecimento basta visitá-los em http://www.pousadaportal.com.br/

Come-se muito bem em Marataízes na Churrascaria Tropeiro Gaúcho, na Av. Rubens Rangel (a principal), 145. Eles servem rodízio/self service, com churrasco e pizza. Há outras opções, mas gostamos mais da atenção e dos serviços de uma família de descendente de italianos.

Passeios próximos que podem ser feitos de carro são a Lagoa do Siri, assim como outras praias, algumas terminando em bonitas falésias, mostradas no site da Pousada. Após completarmos o nosso “tour” por algumas cidades capixabas, retornamos a Marataízes como uma forma de fazer pequena pausa antes de voltarmos à Br-101 e seus imensos problemas para então regressarmos a Cabo Frio.

E vamos seguir viajando com a felicidade por cidades capixabas. Até a próxima.



(20 de junho/2009)
CooJornal no 637


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
http://www.riototal.com.br/expressao-poetica/francisco_simoes.htm
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