27/06/2009
Ano 12 - Número 638

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética


 

          

Francisco Simões
 

ESPÍRITO SANTO –
GENTE BOA, TERRA LINDA – II
Anchieta
 

De Marataízes seguimos para Anchieta. São apenas 41 kms se optarmos, como o fizemos, por ir quase sempre à beira mar. Delícia de viagem. Foge-se do horror de trânsito da Br-101 e ganhamos muito tempo. Além do mais vamos conhecendo pequenos e simpáticos municípios pelo caminho, é o caso de Barra do Itapemirim, Penedo, Agha, Piúma e Iriri. Estes dois últimos têm praias muito lindas.

Escolhêramos ficar na Praia dos Castelhanos, a mais procurada da cidade, no Hotel Itanharu
http://www.thanharu.com.br/apt/luxo.asp. Ao longo da praia, de extensa areia, há inúmeros quiosques de alvenaria, chuveiros sob piso de cimento para uma boa ducha após o banho de mar, e um calçadão que acompanha toda a orla. A sombra para os banhistas fica por conta das grandes e frondosas castanheiras. Era maio, havia sol, um pouco de calor e uma brisa fresca cativante.

Com a maré baixa tem-se acesso a muitas rochas de variados formatos e onde pessoas catam mariscos. Algumas parecem esculturas feitas pelo mar. Este permaneceu sempre calmo e com água morna. A faixa de areia é bem larga, diferentemente de Marataízes. Quando o mar recua muito costuma desenhar estranhas figuras na areia. Fotos da praia e suas curiosidades neste link 
http://www.franciscosimoes.com.br/anchieta1.htm.

Há cerca de um quilômetro de onde estávamos, pela praia, à nossa esquerda, chega-se a uma área usada pelo Projeto Tamar. Ali as tartarugas fazem sua desova e tempos depois há o magnífico espetáculo das tartaruguinhas a se libertar dos ovos e a correr para o mar, puro instinto da sábia natureza. Não tivemos sorte de assistir aos dois espetáculos que ocorrem geralmente de janeiro a março.

No centro histórico da cidade existe, no alto de uma pequena colina, o Santuário de Anchieta, muito visitado. Estão lá as ruínas do primeiro prédio ali erigido por ele. Pode-se fazer uma visita completa ao Santuário. Há salas com mostruário de roupas que ele usou e muitos outros objetos da época, todavia não permitem fotos nem no interior do Santuário nem na Igreja.

Bem ao lado, fazendo também parte do Santuário, está a Igreja de N. Sra. da Assunção, santa que era da devoção do padre Anchieta. Ela foi erguida no ano de 1564 e seu objetivo primeiro era ser escola para catequização de índios, todavia acabou se transformando em Igreja Matriz. Por incrível que pareça ela conserva no altar parte da pintura original. A gente se comove permanecendo alguns minutos ali, em silêncio, sentindo o astral do ambiente.

Por trás da igreja está o quarto onde viveu padre Anchieta (ele aparece em uma das fotos) e pela janela se tem quase que a mesma vista que o padre tinha ao se levantar diariamente. As fotos externas que nos permitiram fazer, embora representem pouco, estão neste link
http://www.franciscosimoes.com.br/anchieta2.htm.
É fato histórico que Anchieta, em peregrinação, caminhou até onde hoje é a capital Vitória, ou cerca de 100 km, sempre em estreitas trilhas. No caminho também permaneceu onde hoje se conhece como Guarapari.

Entre algumas atrações que Anchieta oferece há um passeio de barco pelo rio Benevente. Durante o percurso são avistadas ruínas jesuíticas que datam do século 17. A verdade é que ninguém sabe dizer ao certo porque elas estão ali. No trajeto há colônias de papagaios e mais ao final da tarde a tradicional revoada das garças. Infelizmente nos dias que lá permanecemos esses passeios estavam suspensos.

Outras opções de passeios guiados são vilas de pescadores cercadas por costões, praias semi desertas com vegetação nativa e há 14 kms do centro encontram-se altas falésias onde a água do mar é bem esverdeada. As estradas são de chão e tortuosas, não são para qualquer um. No caminho para Ubu, onde tem uma bonita enseada de águas bem calmas, consta que teria caído o caixão do padre Anchieta, quando falecido, ao ser trasladado para Vitória. O nome Ubu se origina da expressão em língua tupi Aba Ubú, que significa “homem caiu”.

Na primeira noite jantamos no restaurante “Braseiro”, anexo ao hotel, cujo proprietário e chefe de cozinha é um alegre e simpático mineiro de Juiz de Fora. Sua bonita filha, Tâmara Diniz, o ajuda na tarefa de servir aos clientes. No dia seguinte, quando passeávamos na avenida da praia, à tardinha, conhecemos Beatriz, bonita e simpática portuguesa casada com Antonio, um brasileiro, donos do restaurante “Cantinho Português”. Foi uma descoberta maravilhosa.

Ele viveu 20 anos em Portugal e trabalhou em Lisboa em alguns restaurantes, inclusive num conhecido clube local. Beatriz veio para o Brasil em junho de 2008. Fizemos uma boa amizade, tiramos fotos, trocamos e-mails, enfim, conversamos muito sobre minhas quatro longas estadas em terras lusitanas, trocamos experiências de vida, e de repente parecia que já nos conhecíamos há muito tempo.

Eu disse a Beatriz que ela era uma espécie de sósia, pelo rosto, de minha outra grande e querida amiga, Irene Serra, da revista Rio Total, onde sou colunista no seu coojornal há mais de oito anos. Passamos a almoçar e jantar lá, desfrutando ainda da simpatia da irmã de Antônio e sua filha. Uma família que trabalha unida e assim permanece. Isso é muito comum pelo interior deste imenso Brasil. Antonio é, sem favor algum, um grande chefe de cozinha dos melhores que conheci.

No domingo, Dia das Mães, Beatriz preparou uma surpresa para as mães que lá comparecessem. Separou uns brindes e os sorteou. Como ela se afeiçoara muito a nós, e vice-versa, Lena acabou sendo agraciada com dois belos presentes. Naquele dia estava lá também um jovem de 23 anos, residente em Meaípe, que nos brindou, no almoço e no jantar, com lindas canções nacionais e internacionais. Quando ele fazia um intervalo, Beatriz atacava com seu som deliciosas canções portuguesas.

Em certo momento ficou difícil controlar a emoção e, sem avisar, meu coração extravasou recordações represadas de uma longa vida com tantas histórias guardadas na memória. Até Lena liberou também suas lembranças e permitiu que se traduzissem em lágrimas naqueles momentos de grande enlevo para todos nós.

Conversei com o jovem violonista, encantado que estávamos com o seu talento de instrumentista e cantor. Seu nome é Anfrísio Lima, sua especialidade, MPB, Internacional e Pop Rock. Se você quiser conhecê-lo, o e-mail dele é anfriosolimashow@hotmail.com  Um de tantos jovens sem maiores oportunidades neste país que hoje, além de se enroscar numa malfadada e inoportuna “revisão ortográfica”, mede talento por parâmetros absurdos que a mídia injeta “venenosamente” na opinião pública.

Fotos deste nosso encontro, inclusive com o violonista, poderão ser vistas neste link
http://www.franciscosimoes.com.br/anchieta3.htm.

Ainda volto a este assunto mais pra frente falando não apenas do Anfrísio, mas de outro talentoso e jovem pianista, clássico e popular, além de professor, que conhecemos depois no Hotel em Guarapari. Me aguardem.

E seguimos viajando com a felicidade por cidades capixabas. Até a próxima.



(27 de junho/2009)
CooJornal no 638


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
http://www.riototal.com.br/expressao-poetica/francisco_simoes.htm
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