11/07/2009
Ano 12 - Número 640

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética


 

          

Francisco Simões


ESPÍRITO SANTO –
GENTE BOA, TERRA LINDA – III
Guarapari

 

De Anchieta para Guarapari continuamos a viajar a beira-mar no que chamam de Rodovia do Sol. São apenas 27 km, passando pela progressista Meaípe, com lindas praias, e que pertence ao município de Guarapari. Escolhemos o antigo Hotel Coronado para nos hospedarmos, não só por ser um “amor antigo”, desde os anos 60, como por sua excelente localização. O Guia 4 Rodas não o cita, não sei a razão. Para melhores informações entrem por www.hotelcoronado.com.br

À esquerda do Hotel está a Praia das Castanheiras que freqüentamos diariamente e à direita a famosa Praia das Areias Monazíticas. A vista que se descortina de um apartamento de frente, como o nosso, é maravilhosa, e cedo, pela manhã, podia-se ver o nascer do sol por nossa janela. Um dos mais lindos espetáculos da natureza. Ficamos num ap. de sala e quarto separados, no quinto andar.

Falemos um pouco sobre a história da cidade. Consta que o núcleo inicial daquela povoação teria sido uma antiga taba goitacás, onde o padre Anchieta erigiu uma capela em honra a Sant’Ana e também a residência para missionários. A vila foi realmente criada, segundo dados históricos, em 1679 com o nome da padroeira cuja festa é comemorada em 8 de dezembro.

O padre Anchieta foi, entretanto, o pioneiro a fundar aquela vila, isto em 1585, com o nome de “Guará” “Parim” que, em linguagem indígena, significa garça manca. Anchieta ergueu também sua igrejinha em certo trecho do lindo litoral todo recortado por morros, falésias e arrecifes. Havia mais de 20 praias freqüentadas então por guarás, aves pernaltas e vermelhas que viviam em bando pelas lagoas e mangues. Dizem historiadores que era um cenário cinematográfico.

Na famosa culinária local, destacam-se a Moqueca Capixaba, a Torta Capixaba, entre outros. A Moqueca Capixaba é conhecida internacionalmente. O nome “moqueca” representa um estilo de preparar o alimento. O cozimento é feito sem água, somente com vegetais e frutos do mar. A moqueca baiana, porém, leva azeite de dendê e leite de coco. Culinária também é cultura, pois...

Guarapari é de há muito conhecida também como Município Saúde pelo fato de seu litoral ser rico em areias monazíticas que garantem curar algumas doenças reumáticas. Como já não encontramos lá aquela famosa areia preta, na praia, perguntei e me contaram que “os franceses levaram toda a areia preta”... Entretanto me garantiram que a verdadeira areia monazítica sempre esteve por baixo e que basta você se expor ali por um tempo sem precisar se lambuzar com a areia como faziam no passado quando por lá estive. Você sabia?

Guarapari tem ao todo, hoje, cerca de 30 praias e uma boa rede de hotéis que chega a receber quase um milhão de turistas no verão. Se você sai à rua há sempre alguém a lhe oferecer passeios de vãs ou de barcos.

Nós costumávamos jantar no restaurante panorâmico do Hotel Coronado, no sétimo andar, mas ao almoço íamos a um restaurante self service, dos muitos que existem na cidade, e que descobrimos pertencer à mesma família proprietária do Hotel Vieira, um dos mais antigos de Guarapari que conheci no final dos anos 60.

Para freqüentarmos a Praia das Castanheiras bastava atravessar o pequeno asfalto e a larga calçada de pedestres com algumas barracas de alvenaria, banheiros, etc. A Praia é muito sombreada pelas árvores frondosas o que dispensa o uso de barraquinhas. A água é clara, tranqüila, e a maré baixa forma piscinas naturais junto às pedras. Muita água de coco é ali vendida, entre outros quitutes.

Logo cedo, pela manhã, era comum vermos um grupo grande de pessoas a praticar hidromassagem e ginástica em plena praia com a orientação de um instrutor. Registros fotográficos das praias e arredores, e a vista da sala de nosso apartamento podem ser conferidos neste link: http://www.franciscosimoes.com.br/guarapari1.htm

A cidade possui um enorme e variado comércio. Pernas para que te quero após a sesta procurando lembranças para comprar. Lá pelas 17 h tomávamos um lanche e seguíamos explorando as muitas ruas de comércio, alem de passarmos por praças e uma agradável orla, não a do mar, mas em ambos os lados da grande ponte de chegada à cidade para quem vem da Br-101. Nosso caminho foi diferente.

Como fomos alertados para não sairmos às ruas, exceto na praia, com filmadora e máquina fotográfica, acabamos não podendo registrar outros aspectos daquela cidade. Por estranha abordagem a nós feita por um cidadão, guardador de carros na rua, percebemos que o aviso a nós dado no hotel fazia sentido.

Em certo fim de tarde, ao regressarmos ao Hotel Coronado, ouvimos um som de piano vindo de um dos três ambientes da sala de estar, no térreo. Ali conhecemos outro jovem talento, o pianista Keller, de apenas 23 anos. Além de músico é professor de piano. No Hotel ele toca às segundas, quartas e sextas, das 16 às 20 h.

Tivemos o privilégio de ouvi-lo por cerca de duas horas, uma espécie de “concerto particular”, quando Keller nos presenteou com lindas canções nacionais, internacionais e algumas peças clássicas. Foi outro jovem artista capixaba que mexeu com nossas emoções. Seu e-mail é kellerandrade22@hotmail.com. Não temos imagem do pianista porque houve um desencontro no dia das fotos, mas registros da recepção e das três salas de estar podem ser vistos neste link: http://www.franciscosimoes.com.br/guarapari2.htm

Sobre o jovem músico e o que já havíamos conhecido em Anchieta, dias antes, falarei mais em um texto que dedicarei exclusivamente a tantos talentos que existem por este Brasil afora que não chegam a ter a oportunidade que merecem. Infelizmente nossa mídia, hoje em dia, prefere abusar do vulgar, nos cansar com baixarias variadas e tentar nos impor um mau gosto musical deplorável.

A simpatia, a educação e a solidariedade da gente capixaba também se confirmou para nós em Guarapari em qualquer lugar que freqüentássemos. A má educação veio mais por parte de alguns turistas de fora, conforme presenciamos algumas poucas vezes, e por histórias que nos contaram e que relatarei em texto à parte.

Na saída de Guarapari pode-se fugir novamente da BR-101 seguindo pela bonita e privatizada Rodovia do Sol. São cerca de 50 quilômetros atravessando Vila Velha com velocidade máxima permitida de 110 km, câmeras controlando o trânsito 24 h por dia, e um pedágio de apenas 6,10 reais, bem mais em conta que o da nossa conhecida Via Lagos, que leva de Cabo Frio à BR-101, no Rio de Janeiro.

Esta tem cerca de 55 km e nos cobra atualmente, em fins de semana, cerca de 14 reais. E nem há separação das pistas, como manda a lei e como tem a Rodovia do Sol, capixaba, além de que esta possui bom acostamento em todo o seu percurso, já na Via Lagos ele inexiste em mais de 30 km. A Rodovia do Sol nos leva direto à Ponte Terceira, entrando em Vitória. Uma obra magnífica de engenharia, pistas duplas e bem separadas, e uma bonita vista sobre o mar. Ela tem cerca de 4 km de extensão e parece mais alta que a ponte Rio Niterói na curva maior.

Uma dica para vocês: o trajeto para cruzar Vitória e ir até Serra, nossa etapa seguinte, eu tracei pelo GOOGLE MAPS cuja utilização eu aconselho. Fui ampliando vários trechos e tendo até os nomes de ruas, lugares importantes pelo caminho, e com facilidade chegamos ao nosso destino.

Mais, a irmã de Lena mora em Mata da Serra, que é um dos muitos bairros de Serra. Consegui ampliar este detalhe e obtive todas as ruas do pequeno bairro, incluída a localização da casa de Bete. Achei aquilo fantástico. Sobre Serra e Mata da Serra escreverei em outro texto, incluindo nossas incursões à Vitória.

Contarei como começou o município de Serra, que eu não conhecia, e como surgiram os seus bairros. E seguimos viajando com a felicidade por cidades capixabas. Até a próxima.



(11 de julho/2009)
CooJornal no 640


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
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