25/07/2009
Ano 12 - Número 642

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética


 

          

Francisco Simões



ESPÍRITO SANTO – GENTE BOA, TERRA LINDA – IV
Serra – Mata da Serra

Muitos conhecem Vitória, mas devem desconhecer Serra. Este é um município localizado ao norte de Vitória e ligado por muitos caminhos à capital. A região de Serra foi sendo povoada há muito tempo atrás, meio aleatoriamente, porém depois acabou se organizando como município e assim foram surgindo os seus bairros. Mata da Serra, onde ficamos, é um deles.

A colonização dessas terras teve início em meados do século XVI, porém o município, com esta denominação de Serra, data de 1833. Este território foi desmembrado de Vitória, à época. Serra só foi elevada à categoria de cidade em 1875. Sua Sede se localiza ao norte do Monte Álvaro, um grande maciço de origem vulcânica que marca bem a geografia do município.

Somente em 1921 é que foi iniciada a construção da primeira estrada de rodagem entre Serra e a capital, Vitória. Esta rodovia foi concluída em 1923. Hoje a Br 101 segue pelo contorno de Vitória e mais à frente entra pelo município de Serra com pistas duplas. A Companhia Siderúrgica de Tubarão – CST teve sua construção iniciada em 1976, fato que alavancou  o crescimento populacional de Serra.

Consta que em 1980 o município já possuía mais de 82.000 habitantes. No censo mais recente que encontrei, feito pelo IBGE no ano de 2000, Serra já tinha população superior a 330.000 habitantes. Em verdade Serra é, de há muito, o segundo maior município da Grande Vitória, superado só por Vila Velha.

A cidade de Serra tem 547 km2, é rica em belezas naturais, potencialidades turísticas e industriais, folclore, etc. Seu litoral é caracterizado pela vegetação de dunas, praias e manguezais. Também apresenta em seu relevo muitas lagoas, rios e ondulações em forma de chapadas.

Nos últimos 30 anos aquele município deixou de ser tipicamente provinciano, rural e tradicionalista para se transformar no principal pólo industrial do Espírito Santo, além de ser a segunda economia do Estado, superado só pela capital, Vitória. Serra possui inúmeros bairros e o que achei curioso é que para nos deslocarmos de um para outro seguimos por vias de pistas duplas e de mão única, como se estivéssemos numa auto estrada. O acesso a cada bairro é bem rápido.

Outra curiosidade: nesta parte de Mata da Serra onde nos hospedamos na casa de Marinete, irmã de Lena, só há residências de um lado da rua, do outro existe uma grande mata, parecendo floresta, mas cujas árvores frutíferas, muitas delas, segundo me disseram, foram sendo plantadas através do tempo pelos moradores do bairro. Na casa de Marinete se inicia a rua Cacú (com acento, sim senhor). Eles têm como vizinha de frente a natureza. Não é maravilhoso isso?

Descobri que aquela área fora, no passado, uma grande fazenda que tinha aquele nome, Cacú, comprada então pelo governo local para construção de casas populares. Assim teria começado a ocupação de Mata da Serra, nesta parte. Hoje o que se vê são casas com grandes terrenos tendo cada proprietário, com o tempo, construído cada uma a seu gosto. Há residências muito bonitas.  

Serra, em seus vários bairros, possui um bom comércio, destacando-se, porém o localizado em Laranjeiras no qual existe um bom Shopping e um comércio varejista por demais atuante e movimentado. Alguns distritos de Serra são localizados à beira mar com cerca de 27 km de praias e uma rede hoteleira bem significativa. O clima é muito agradável e faz sol quase o ano inteiro. Não sobrou tempo para irmos lá conferir. Havia muito a fazer e o tempo voava. 

Vai-se de carro de Mata da Serra ao centro de Vitória em cerca de 20 minutos. Se retornamos de lá ao final da tarde pegamos aquele trânsito mais complicado que ocorre em qualquer cidade maior. Circulamos algumas vezes pela capital, oportunidades que usamos para visitar inclusive o grande Shopping Vitória. Ele nada fica a dever aos melhores que já conheci. Foi uma grata surpresa e afinal shopping também é cultura, pois.

Dizem que na sua criação houve a participação do grande Oscar Niemeyer. Não sei se é verdade, mas a beleza interior em toda a sua extensão, o requinte nos mínimos detalhes, a prevalência do mármore em muitas paredes, a preocupação em manter, durante o dia, uma boa iluminação natural no interior, as áreas muito espaçosas tendo confortáveis bancos e poltronas para o público sentar, são provas de um bom gosto que nem sempre encontramos em outros ambientes semelhantes.

Há também diversas cafetarias espalhadas pelo térreo e pelo segundo piso. Eu gostava de pedir um café com leite e ficar curtindo o movimento à volta de mim sentado ali sozinho por algum tempo. Numa das vezes que lá fomos, enquanto Lena e sua irmã visitavam lojas, eu estava na primeira das cafetarias do térreo. Logo percebi, na mesa ao lado, sete senhores a conversar bem animados. Falavam de futebol. Quando o assunto mudou para PREVI, e depois para CASSI, imaginei que deveriam ser funcionários do B. do Brasil, ou aposentados, como eu.

Não me contive, e "entrão" como sempre, me apresentei assim: "Desculpem, mas os amigos são do BB?" - Resposta afirmativa. E eu insisti: "São todos aposentados?" Nova resposta afirmativa. Então "ataquei": "Pois aqui está mais um para se juntar ao grupo se me permitirem." Eles sorriram e logo começamos longa conversa. Foi muito bom fazer novas amizades, como tantas já havia feito pelo caminho. Fiquei trocando histórias e informações por cerca de duas horas.

O jardim elevado, logo à entrada do Shopping, no centro do qual há um lindo chafariz, as áreas externas, no segundo e terceiro pisos, que nos oferecem vistas maravilhosas do mar, da Ilha do Frade e do Boi, e da linda Ponte Terceira, agradam muito a turistas que tenham sensibilidade para apreciar aquelas iniciativas. Os banheiros impressionam também pela imensidão das áreas a eles reservadas e pela beleza das paredes. Torneiras e papel toalha com sistemas automatizados, e funcionando. Há muitas e bonitas árvores pelos corredores.

Foi a primeira vez que vimos “banheiros família”. A mãe, ou o pai, em áreas também separadas, podem levar seus filhos menores a espaços produzidos especialmente para eles, inclusive dando-lhes banho, se necessário for. Nunca vira isso antes. Parece que pensaram em tudo para deixar os visitantes à vontade e lhes oferecer o melhor dos confortos, acreditem.  Fotos do lindo Shopping Vitória verão neste link:
http://www.franciscosimoes.com.br/serra1.htm

Uma visita imperdível, porém depois da ponte, já em Vila Velha, é ao Convento da Penha. Ele se localiza numa colina no alto de uma rocha, a 154 metros de altura. O convento data de 1558. Além da beleza do Convento, de lá se descortina uma vista maravilhosa. É uma visita que recomendo, porém você tem que se sujeitar a subir a pé (o que pouquíssimos conseguem) ou usar uma das vãs, terceirizadas, para ir até lá em cima. Com o seu carro eles não deixam, tal e qual já fazem no nosso Cristo Redentor, no Rio de Janeiro.

Em Serra, no bairro Jacaraípe, há uma atração muito interessante, é o grande Parque Yahoo. Na verdade funciona como um clube, mas os não sócios podem entrar pagando ingressos, claro. Vejam fotos do Parque Yahoo neste link: http://www.franciscosimoes.com.br/serra2.htm

Os muitos dias em que convivemos com Bete, irmã de Lena, e seus filhos, além da linda pretinha, foram deliciosos. Confesso que ficamos tentados a nos mudar para lá. A pacífica convivência com vizinhos como D. Dica e seu marido, o Luis, e toda sua simpática família, além da outra vizinha, D. Mara e seu marido, tornou nossa estada ainda mais agradável. Por três vezes fomos recepcionados na linda casa de D. Dica com dois almoços e um jantar. Eu não me cansava de admirar a “vizinha” de frente... a natureza, claro. Fotos de Bete, sua filha, vizinhos e outros neste link: http://www.franciscosimoes.com.br/serra3.htm

Não poderia encerrar a narrativa desta nossa etapa de viagem sem agradecer a acolhida deliciosa que Marinete nos proporcionou, não apenas por ser irmã de Lena, mas por também ser mais um exemplo da simpatia, da educação, da solidariedade e da amizade do povo capixaba. Este agradecimento é extensivo à sua filha Janiny e a seus filhos Jefferson e Jeanderson.

Aliás, sem medo de ser feliz, afirmo que a beleza e a sensualidade da mulher capixaba está retratada muito bem tanto em Marinete, como em sua filha Janiny, além de outras pessoas da família de Lena. Pelo que observei por onde passamos, acreditem, é difícil se encontrar capixaba que não seja bonita. Há de ter exceções para confirmar a “regra”, mas devem ser poucas.

Seria também injusto eu não me referir à querida “pretinha”, a cadela de estimação da família, sempre carinhosa com todos nós. Podem conhecê-la através de algumas fotos por este link:
http://www.franciscosimoes.com.br/serra4.htm

Fotos da vizinha “floresta”, existente do outro lado da rua estão neste link: http://www.franciscosimoes.com.br/serra5.htm

E aguardem nossa ida à Reserva Florestal da Vale, pouco depois de Linhares e Sooretama. Vai ser mesmo surpresa para muitos. Seguimos viajando com a felicidade em terras capixabas.



(25 de julho/2009)
CooJornal no 642


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
http://www.riototal.com.br/expressao-poetica/francisco_simoes.htm
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