12/09/2009
Ano 12 - Número 649

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética


 

          

Francisco Simões



cupins virtuais

Meus amigos, nesta internet labuta muita gente, muita gente mesmo, fazendo um trabalho sério, digno, respeitável, elogiável. Há os que divulgam seus escritos, seja em artigos, crônicas, poesias, contos, nos quais me incluo modestamente. Outros divulgam sua arte através da fotografia, pintura, etc.

Há também aquelas pessoas que merecem o nosso aplauso porque fazem das tripas coração para conseguir manter no ar seus sites literários, revistas, jornais, variedades e outros. Sei o quanto de dificuldades muitos passam para não desistir, para não ver sucumbir o sonho de uma vida, por quererem apenas ter o direito de divulgar o mais possível o que outros fazem, o que outros escrevem.

E algumas dessas pessoas vão sobrevivendo com a incompreensão de tantos, com a insensibilidade de outros, e até com a indiferença mesmo de quem é divulgado. Conheço algumas histórias e personagens que ainda se mantêm com muito empenho, às vezes com um sacrifício a que outros viram as costas, mas resistem com muita garra, sabendo que mais dia menos dia podem ter que desistir de tudo.

É sempre muito triste quando vemos se fechar algum desses espaços. Comparo-os ao fechamento de tantas livrarias, coisa tão comum neste país onde parece que não precisamos de livros, nem de educação, nem de cultura. Os espaços que sobram fazem muita ginástica na luta por sua sobrevivência. Já vivi na pele circunstâncias semelhantes e sei muito bem o que digo, amigos.

Por outro lado temos que conviver nesta mesma internet, ainda à deriva, sem leis (não confundam com censura), sem regras claras, com os que eu classifico como “cupins virtuais”. Você me pergunta: por que cupins?! Eu explico: certa noite eu vi o Jô Soares, num de seus programas, dizer que os cupins são a coisa mais inútil da natureza. Em seguida o Jô disse que gostaria de saber de Deus porque raios ele criou tal criatura. Parece que não, mas ele falava muito sério.

Considero “cupins virtuais” o tipo de gente que transita por aqui, porém somente em busca de intrigas, fofocas, mexericos, etc. Mas tem também os que sentem prazer em divulgar textos, crônicas e/ou poesias, mudando a autoria, desrespeitando descaradamente os direitos autorais, talvez porque julguem que vão ficar sempre impunes. Refiro-me aos que fazem isso de propósito, não por desconhecimento do nome do autor ou autora. No fundo são pessoas com tendência criminosa manifestada neste espaço, desta e de outras formas desleais.

Dou aqui dois exemplos, embora pudesse promover um desfile de denúncias de que tomo conhecimento. Minha amiga, escritora e poeta carioca, a Rosa Pena foi uma das vítimas citadas recentemente em matéria do Jornal de Minas, edição de 01.09.2009. Sua crônica “Isto é virtual?”, publicada no livro “preTextos”, da Editora All Print, foi logo depois disponibilizada na internet. Pois, há seis anos, o texto circula pela internet sem autoria ou com as siglas anônimas JB ou CV como autor e já chegou a estar em 87 sites ao mesmo tempo. Está na reportagem.

Rosa Pena declarou ao jornal que: “Avisei inúmeras vezes que sou a autora, mas existe algo na crônica que leva certas pessoas a possuírem uma vontade incontida de terem escrito o que senti, e mais, terem vivido o que vivi, então vestem a pele de autor”, lamenta a nossa Rosa. Repito que algumas pessoas não fazem isso por desconhecimento, não, mas levadas pelo seu mau-caratismo, intrínseco numa personalidade deformada, e acreditando na impunidade aqui reinante.

E a amiga Rosa Pena, com seu bom caráter e um imenso sentimento de tolerância, ainda afirmou: “Já me senti triste como uma mãe que perde o filho. Hoje sinto pena da ignorância e teimosia de quem repassa textos sem autoria.”

Outros exemplos são referidos na mesma reportagem do Jornal de Minas, inclusive quanto a poemas de outra amiga que prezo muito, a Cleide Canton, autora do magnífico “Sinto Vergonha de Mim”. Cleide revelou que outros textos de sua autoria têm circulado nesta internet com as mais variadas, e falsas autorias. Um deles teria sido encontrado em mais de cem sites sem qualquer referência ao nome da autora e/ou com autoria falsa. São apenas exemplos de duas autoras desrespeitadas em seus direitos. E eu sempre me empenhei muito contra isso.

Eventualmente alguém se afasta de mim por não querer entender, quando o advirto tranquilamente de que aquilo que repassou estava com autoria errada. Houve quem dissesse que pouco lhe importava a autoria, desde que o texto o agradasse e, portanto não via porque não repassar aos amigos!!! Será que essas pessoas têm noção de que estão a cometer crimes? Encaram como se tudo fosse uma imensa brincadeira. Fico triste, decepcionado, mas cansei de usar minha palmatória. Vou aguardar que algum dia tenhamos leis sérias neste espaço virtual.

Tão ou mais grave ainda é o caso daqueles, sem nenhum escrúpulo, que ridicularizam pessoas que nem conhecem. Atacam, agridem, xingam, dizem impropérios, porque tomaram conhecimento de algo que nem confirmam a autenticidade. Caso recente da excelente cantora Vanuza que defendi num artigo nesta net. Quanta baixaria encontrei escrito por gente realmente covarde, gente que se esconde no anonimato ou no pseudônimo. Pessoas que jamais teriam coragem de dizer o mesmo, olho no olho, seja de quem for.

Há também os exemplos daqueles que, para atingirem o governo, os políticos, ou este mar de lama que se espalha não só em Brasília como pelo país afora, pegam qualquer escrito que lhes chegue à mão e logo repassam. O objetivo eu entendo e aplaudo, a atitude irresponsável não. Por que irresponsável? Justamente porque algumas dessas mensagens são apenas panfletárias e mentirosas. Fazem acusações e denúncias aos borbotões, mas nada provam. Não é por aí que vão fazer oposição.

Quando mentem, quando aceitam documentos impregnados de dados falsos só para fazer “uma crítica feroz” estão é descendo ao nível dos que criticam e, portanto, como que se igualando a eles. A crítica, a oposição, têm que ser acima de tudo competentes, sérias, responsáveis, éticas, não falsear com a verdade, pois do contrário caem é em descrédito. Só os seguem outros analfas que mais deliram do que agem pensando estar a fazer alguma oposição, ou a convocar consciências.

O pior é que esses “cupins virtuais” algumas vezes são conhecidos nossos. Recentemente alertei a um amigo que estava a repassar algo inverídico. Ele agiu corretamente e logo tratou de desmentir a mensagem que havia enviado. Ele chegou a dizer a seus amigos que havia tomado “um puxão de orelhas” justo de mim, acreditam? Pois fiquei feliz por sua atitude. Parabéns, amigo José Omar. Mas outros não dão a mínima para o meu alerta e seguem espalhando mentiras. Fazer o quê, amigos?? Juízo não se aprende, se herda.

Nem vou me referir hoje aos canalhas que insistem diariamente com ataques de vírus. Pior é que estão cada dia se tornando mais incompetentes e chatos, repetitivos, quando podiam usar seu tempo em coisas mais úteis.

Mas me decidi, quanto aos “cupins virtuais”, que se quiserem manter este comportamento, no mínimo criticável, que sigam o caminho errado, da minha parte não serão mais incomodados, nem também terão qualquer palavra cá do amigo... ou seria ex?! Que se lambuzem com sua arrogância e incompetência.

Afinal minha lista é grande o suficiente e nela prevalece gente da melhor qualidade a que jamais deixarei de dar atenção. Contra “cupins virtuais”, o meu desprezo, o meu silêncio. Falei e disse.



(12 de setembro/2009)
CooJornal no 649


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
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