03/10/2009
Ano 12 - Número 652

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética


 

          

Francisco Simões


UM PARTIDO NOVO?

 

Prometi a mim mesmo que evitaria escrever sobre política e tenho muitos e fortes motivos para isso. Primeiro porque acho que já o fiz demais, segundo porque pisar neste terreno é certeza de sair com os pés enlameados e a cabeça cheia de aborrecimentos que acabam advindo de comentários dos que discordam porque têm todo o direito de defender seus pontos de vista, como eu também, claro.

Vou repetir mais uma vez: hoje não confio em nenhum dos partidos que aí estão. Vamos repetir para não deixar dúvidas? Pois. Hoje não acredito nem confio em nenhum dos partidos que aí estão, nem na esmagadora maioria dos políticos que os compõem. Entendido agora? Nenhuma dúvida? Muito bem, então sigamos.

Muitos amigos têm procurado indicar caminhos que nos levem a melhorar o quadro atual de nossa política, o que é louvável pela intenção, mas, na minha visão pecam pelos mesmos motivos que eu tenho criticado aqui seguidamente. Por exemplo, há os que sugerem a idéia de “não reeleger ninguém”.

Ótimo, seria uma solução se para votar em outros candidatos, em candidatos que não estão no momento comprometidos com a política rasteira que impera em nosso país, não tivéssemos que os buscar (pois não há outro jeito) dentro dos mesmos partidos que temos aí. Ora, como já os condeno por princípio... sem comentários.

Outros fazem pregação com muito patriotismo: “cuidado na hora da escolha, dê preferência a candidatos honrados, que mereçam nossa total confiança, pessoas não comprometidas...” etc e tal. Muito bem, eu até aplaudiria se na base de tudo não estivesse o tal candidato, dito honrado, dito merecedor de nossa confiança, atrelado a um dos partidos já existentes. A idéia seria ótima, porém se os tais candidatos já não tivessem comprometimento com..... esses mesmos partidos. Novamente, sem mais comentários.

Ainda que fosse eleito alguém honrado, reconhecidamente honrado, mas pertencente a um dos partidos atuais, e pior, se o tal eleito não conseguir uma base de apoio para governar sem conchavos, claro que vai ter que procurar fazer “acordos”. Isto já se traduz por fazer concessões, por trocar favores, como, aliás, tem sido sempre, especialmente na nossa jovem democracia. Ou estou mentindo?

Alguém me lembrou o nome da Marina Silva. Gosto dela, pessoa séria, preocupada com os verdadeiros problemas que nosso país enfrenta, lutadora, de muita garra, mas..... jamais ela será eleita tendo logo de saída uma base de apoio no Congresso, duvido. Claro que pelo menos o PMDB estará sempre de portas abertas (ou seria de boca aberta??!!) para, como dizia aquele personagem da Escolinha do Professor Raimundo..... “fazermos qualquer negócio”.....

Depois que eu vi e ouvi o Lula fazer uma defesa acirrada, vibrante, do Sr. Sarney e do Collor (e pensar que votei no Lula, na época, para evitar o alagoano-carioca), depois que o jornal Estado de S. Paulo sofreu recentemente uma nada velada censura para não tratar dos assuntos ligados às denúncias ao Sr. Sarney, depois que vejo o governo tentar criar novo imposto com a velha cantilena de ser para ajudar a Saúde, e agora pretende taxar também a Poupança, o que sempre jurou que não faria, mas não cuida de reduzir suas despesas, enquanto também gasta os tubos para comprar aviões e submarinos, faz acordos financeiros com governos do nosso continente que fingem ser “democratas”, acho tudo possível.

Tudo mesmo, até o Lula, não obstante tanto desmentir, intentar contra a Constituição com uma emenda para se candidatar outra vez. Estou errado? Tomara que esteja mesmo. Por via das dúvidas vamos aguardar. Que me desculpem os bons amigos que ainda defendem o atual presidente, como eu já fiz antes, e nunca camuflei esta informação. Acreditei sim, como dezenas de milhões de brasileiros acreditaram, e muitos ainda hoje acreditam.

Querem a minha opinião sincera sobre o tema que estou abordando aqui? Muito bem, vamos lá. Para não reelegermos ninguém, como querem alguns, ou para termos o direito de escolher candidato sério, honrado, em que realmente confiemos, como querem outros, só vejo um caminho. Explico já.

Seria talvez o caso de se reunirem pessoas éticas, dignas, honradas, de nossa sociedade, quem sabe empresários, advogados, integrantes da Justiça, professores de alto nível, enfim, pessoas não comprometidas com os partidos que aí estão, cheios de vícios, envolvidos com a corrupção, de certa forma corrompidos, e criarem uma associação, ou um partido, novo, com idéias e ideais não só democratas, porém realmente comprometidos com uma mudança radical dos rumos a que estão levando a nação.

Um governo que não seja demagogo nem mentiroso, que não incentive a luta de classes sob o pretexto de defender sempre os menos favorecidos, que crie oportunidades reais e muitas de emprego com investimentos sérios e não promova o ócio com programas que mais incentivam o sobreviver com migalhas que o mesmo governo lhes concede.

Será isso possível? Tenho sérias dúvidas, apesar de ansiar que isto aconteça. Pessoas verdadeiramente honradas têm hoje muito medo de se envolver com política e acabarem no mesmo tacho em que nadam tranquilamente tantos corruptos. Assim sendo o jeito será esperar algumas gerações. Não dá pra mim.

Repito que não reeleger ninguém é quase impossível, e eleger alguém dos partidos que estão aí, não vai mudar coisa alguma. Todavia quem quiser tentar, que tente, eu já cansei. Se você quiser me criticar, pois critique, isto ainda é uma democracia, porém antes reflita, mas reflita com isenção, se puder, no que argumento aqui.

Se não puder escolher alguém fora deste esquema que aí está montado para manter privilégios, impor presenças indesejáveis, fazer chalaça com a ética, a honradez, exibindo sorrisos masturbados e uma impunidade que atinge aos mais altos escalões do governo e da sociedade, eu “me demito” da condição de eleitor.




(03 de outubro/2009)
CooJornal no 652


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
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