31/10/2009
Ano 12 - Número 656

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética


 

          

Francisco Simões



A REALIDADE QUE NÃO TEM DONOS
 


Bem, amigos e amigas, eu não vou falar sobre política onde esconjuro satanases corruptos e desavergonhados no império da sem-vergonhice desenfreada e solidária, onde governo e oposição costumam fazer sempre um teatrinho muito do mal ensaiado. Chega de ser mal interpretado e plantar inimizades até em corações amigos. Basta.

Também não vou falar de religião, assunto no qual cada um tem lá o seu Deus, reverencia-O, faz pregações, rezas, segurando sua fé e não vou polemizar. Alguns até se digladiam pelos seus princípios, normas, dogmas, e vivem a culpar o diabo por tudo de ruim que acontece. Será ele mesmo (não creio em sua existência) o único, ou o verdadeiro culpado? E nossos defeitos, vaidades, preconceitos, orgulho, crenças, etc?

Nem pensem que falarei sobre futebol. Hoje a turma não se contenta só em torcer, em ter sua paixão clubística, não, eles programam confrontos bárbaros pela internet, se enfrentam, matam covardemente “adversários” só porque não têm a mesma cor da camisa do seu clube. Futebol está perigoso debater e comentar. Vade retro. A bola é redonda, mas a mentalidade de certos torcedores é muito quadrada.

Já estão curiosos, não? Sobre o que falarei então? Pretendo dar uns pitacos sobre o que tento entender hoje como realidade, a que vemos e a que nossos incompetentes olhos do corpo físico não conseguem alcançar, escrevendo como um cidadão comum. Tenho dúvidas, muitas dúvidas, mas isso é só o começo.

Há aqueles que acreditam em tudo, e outros que não acreditam em nada. Há os que só valorizam, ou creditam, o que a ciência comprova. Ora, tanto do que a ciência antes negou hoje ela aceita como verdade. E aí?

É o caso de se perguntar: por que cientistas, especialmente americanos e russos, de há muito (segundo alguns compêndios) têm se empenhado em analisar pessoas consideradas (mas não oficialmente declaradas pelos cientistas) como possuidoras de poderes ou sensibilidade que ultrapassam o que conhecemos como normal?

Neste caso estão incluídos os para-normais e também os médiuns, (sendo estes pessoas que encarnariam desencarnados, teriam visões, etc.) De fora ficam os charlatões que costumam iludir e arrastar multidões.

Por outro lado, cada semana que passa parece que descobrem um novo planeta, ou uma nova galáxia. Recentemente pessoas merecedoras de crédito afirmaram ao mundo que determinado planeta, agora descoberto, reúne totais condições para abrigar vida tal como nós conhecemos, ou como somos. Ora, até aqui sempre se disse que apenas a nossa Terra teria este privilégio!! Por quê? E como ficarão as tantas teorias religiosas sobre a origem do mundo e do ser humano?!

Há os que acreditam nesta ou naquela doutrina que visam a nos ensinar como o ser humano surgiu neste planeta, ou, o outro time, que prefere a famosa Teoria de Darwin (descenderíamos dos macacos pela evolução), etc. Uns pregam, outros posam de diferentes, outros continuam achando que a ciência, ou os cientistas, é que sabem de tudo e fora do que afirmam nada pode existir, aqui ou alhures, pelo universo infinito. Com todo o respeito, estou fora.

Não poderia deixar de citar os que regem seus destinos, e os dos outros, pelos astros. Não me refiro aos que estudam os astros com seriedade pela astronomia, não, mas aos que, entre outras coisas, elaboram mapas astrais. Todavia, por justiça, devo confessar que certa vez, anos 80, alguém fez o meu e o de minha saudosa esposa, e anos depois, pelo menos no que concernia a mim, os fatos seguiram o curso que ela lera no meu mapa. Espantei-me. Minha esposa nunca me revelou o que ouvira daquela pessoa.

Fui doutrinado pelos ensinamentos da religião católica, inclusive estudei em Colégio Marista. Na continuação da minha vida tive experiências e vivências tais com fatos e uma realidade que eu nunca dominei e que também nunca entendi. Um dia vou contar isso direitinho numa série de crônicas com a sinceridade e a seriedade habitual com que sempre escrevo sem fazer pregações, mas também sem medo de ser feliz.

Tenho motivos para crer que nossa realidade é formada por mundos paralelos. Repito, religiões fora. Mundos que aí estão existindo, sim, talvez em freqüências diferentes de vibração, ou em planos diferentes de uma realidade ainda inacessível para a grande maioria dos seres humanos, e talvez não para outros, mas que preferem levar as pessoas pelo cabresto de ensinamentos que de há muito eu não aceito.

Existem grandes massas populares que são manipuladas, quase hipnotizadas, por lideranças que dizem representar divindades várias e cuja crença impõem como condição para seus crentes serem felizes. Há os que oferecem “terrenos no céu”, os que crêem que pela prática do terrorismo, por exemplo, mesmo com o sacrifício próprio, terão vida eterna em companhia de mil virgens, etc.

Claro que também há os que vivem a pedir o fim da fome e da miséria no mundo, porém não escondem que vivem cercados de ouro, muito ouro, num luxo, ou conforto, que a mim soa incoerente, contraditório, para quem faz aquele tipo de pregação. O “mercado” é muito grande e rendoso, ao que parece. Fé é a bandeira mais levantada e pregada em todos os casos.

Não quero faltar ao respeito com nenhuma das manifestações religiosas, nenhuma, mas também hesito hoje em apoiar qualquer delas e nem estou me declarando agnóstico, não é isso. Acredito na existência de algo, talvez uma força, uma energia, que dirige tudo que vemos e o que não conseguimos ver com os olhos físicos. Não um Deus como descrevem nossas religiões, isso não, embora possa ser assim chamada a tal força. Não obrigatoriamente à imagem e semelhança do homem. De forma alguma.

Creio sim na imortalidade do ser, enquanto alma ou espírito, como queiram. Acredito que a “vida” não pára porque largamos nosso corpo físico. Absolutamente. Creio no livre arbítrio de cada ser. Fico confuso ainda sobre a afirmação ou negação do que chamam de destino. Não estou inclinado a aceitá-lo, porém há coisas que tenho testemunhado e que ficam também difíceis de entender como simples coincidências.

Só para complicar mais um pouco, imaginemos que passado, presente e futuro convivam, de certa forma, simultaneamente, ou bem próximo deste estado de ser? E se, como querem alguns, só exista presente? Loucura, delírio, invencionice, por quê?

Você teria coragem de se libertar das crenças que foram enraizadas em sua mente, que formaram, através do tempo, sua concepção de vida e de morte, através destes ou daqueles conhecimentos de uma verdade religiosa ditada por dogmas que devem ser sempre aceitos, nunca contestados, e pesquisar outra realidade?

Sei que é difícil. Talvez você prefira jamais pôr em dúvida o que deve tê-lo ajudado a viver até agora. Mas, imagine só você descobrir, de repente, que há uma realidade que não tem donos? Não, provavelmente você não estaria preparado para este choque.

Outro dia o bom amigo Manuel dos Santos, de Portugal, que costuma colaborar comigo, mandou-me um bom texto filosófico no qual o autor, Desidério Murcho, filósofo, também fazendo considerações sobre a realidade e sua origem, coloca esta proposição: “...o nada estaria na origem de tudo?” Fica a pergunta para os amigos.

Muito bem, por ora vamos deixar como está. Outro dia eu volto ao assunto. Quem sabe polemizando entre “criacionismo ou evolucionismo”? Vamos ver. Estou a dar apenas os primeiros passos em expor minhas dúvidas, minhas muitas dúvidas, abrindo meu coração com total sinceridade, porém reconhecendo-me incompetente para polemizar com quem quer que seja. Mas, nem por isso omitirei minha verdade.




(31 de outubro/2009)
CooJornal no 656


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
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