05/12/2009
Ano 13 - Número 661

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética


 

          

Francisco Simões



É NATAL, MAS SERÁ MESMO?

 
Quem acompanha o meu trabalho sabe que se existem coisas sobre as quais até falo, mas não gosto muito de o fazer, uma delas é o Natal. Sim, porque acabo contrariando alguns, especialmente amigos, que não aceitam o que escrevo sobre o tema. Mas, que vou fazer? Não vou é mentir a mim mesmo para agradar a ninguém. Isso jamais o faria.

Muitos conhecem um dos meus poemas sobre esta época, refiro-me ao “É Natal”. Já houve quem dissesse que é dos mais bonitos que escrevi. Obrigado, sem falsa modéstia. Nele usei três personagens, Jesus, Maria e José. Eu os descrevo numa visão muito real, toda minha, simbolizando três pessoas que conheci na Praça N. Sra. Da Paz, em Ipanema, há muitos anos.

Não vou colocá-lo aqui por inteiro, pois sei que muitos já o conhecem, mas poderão lê-lo no “Expressão Poética” do Rio Total. Entrem, por favor, por este link abaixo:
http://www.riototal.com.br/expressao-poetica/francisco_simoes009.htm

Continuemos nossa conversa. Já há muitas décadas não me conformo com toda a parafernália montada em torno do Natal. Se vamos à Igreja os padres também condenam o que chamam de “comercialização do Natal”. Até que aí concordo com eles. E foi justamente por discordar disso tudo, mas não só disso, que nos anos 70, quando eu também era cineasta amador, produzindo filmes na bitola de super-8, então em grande evidência no país, que realizei o “Gran Circo do Natal”.

Na película, em apenas 17 minutos, consegui colocar toda a minha crítica, não só à comercialização da data, começando por aquela festa terrível que creio ainda realizam no Maracanã com a chegada de “Papai Noel”, sem renas, mas de helicóptero, como criei também um personagem pobre, um menino carente de tudo, e filmei cenas reais de uma farta mesa natalina em casa de minha cunhada.

Misturei tudo com muita propaganda filmada de revistas, jornais e TV em ritmo alucinante, cenas filmadas em subúrbio tendo tudo, ao fundo, músicas da melhor qualidade de Chico Buarque, de Ivan Lins, umas cantadas por este, outras pela saudosa Elis Regina, outra por Ângela Maira, montando enfim um autêntico “Gran Circo do Natal” (título do meu filme).

Houve quem gostasse, pois além do excelente prêmio que me concederam na Universidade Federal do Maranhão, tempos depois, em Curitiba, na magnífica Mostra do CEFET, lá realizada então anualmente, o Júri houve por bem de criar um prêmio especial para conceder àquele meu trabalho. Qual prêmio? Pois lhes digo: “Prêmio Solidariedade Humana”. Fiquei entre emocionado e muito feliz.    

Há alguns anos escrevi outra poesia, novamente sobre o Natal, ou melhor, sobre “O Natal deles”. Ninguém espere ler nos meus versos sobre a época natalina algo sobre o nascimento de Jesus, ou qualquer outra motivação religiosa, nada disso, meus versos não conseguem, meus amigos, me desculpem. Vou me permitir aqui colocar apenas a segunda parte deste poema que escrevi em 2005: “O Natal deles”:

“Ah, eles caberão em suas orações
É, também rezarei por eles,
Afinal, é Natal,
E assim nós dormiremos em paz.
Mas ... e eles, e eles?
Será que irão dormir?
Será que irão acordar?
Para quê? Para continuar a pedir,
A implorar? Para mendigar
Por sua própria vida?
Então nada vai mudar
Ainda que possamos orar
Por eles? ... Não há saída?
É, afinal, é Natal ... mas não é deles.” 

Aliás, já li algumas contestações feitas ao fato de tanto a Igreja Católica, como outras, estabelecerem 25/Dezembro como sendo o dia do nascimento de Cristo. Reproduzirei aqui o que guardei após leitura que fiz há algum tempo atrás:

“Quanto à morte de Cristo, não paira nenhuma dúvida, visto que foi julgado e crucificado nas comemorações da Páscoa judaica por volta do ano 27 ou 33 d.C.. O mesmo não acontece com a data do nascimento, pois não há nenhuma referência ao dia nos quatro evangelhos que registraram a vida de Cristo.”.

”Sem registro de uma data de nascimento, o aniversário de Cristo, comemorado pela maioria das igrejas cristãs no dia 25 de dezembro, é uma usurpação da data de nascimento de Mitra, o deus touro persa, deus solar, cultuado na Roma antiga como “Sol Vencedor”.

”As comemorações das Saturnálias (festas em honra ao deus romano Saturno), que culminavam com a comemoração do nascimento de Mitra, após o solstício de inverno no hemisfério norte, eram as festas pagãs mais tradicionais de Roma. Mesmo depois da cristianização do poderoso império, as tradições pagãs não se renderam à nova religião, o que levou a igreja primitiva cristã a transformar as festas nas comemorações do nascimento de Jesus Cristo, estabelecendo assim, o dia 25 de dezembro como a data natalícia oficial”.

”Originário das festas pagãs, o Natal, poderosa e importante festa do mundo cristão, nada mais é do que a adaptação da festa de um deus proscrito e esquecido, o misterioso deus solar Mitra, senhor do sol em um mundo incondicionalmente pagão”.

Ora, se nem a data pode ser considerada como verdadeira para o evento que as igrejas anunciam e festejam, é justo que desconfiemos de outros interesses por trás disso. A mim soa meio estranho, mas...

De qualquer forma, se você acredita, pois tenha um Feliz Natal, meu amigo, de coração.

 

(05 de dezembro/2009)
CooJornal no 661


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
http://www.riototal.com.br/expressao-poetica/francisco_simoes.htm
www.franciscosimoes.com.br 

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