12/12/2009
Ano 13 - Número 662

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética


 

          

Francisco Simões



E HAJA CORVOS...

 
Há alguns meses eu divulguei a crônica É MESMO TEMPO DE CORVOS. Nela eu incluí meu poema escrito em 1998, quando eram outros tempos, outro governo, mas a sem-vergonhice já se mostrava promissora, era só uma questão de tempo.

Nem preciso lembrar tudo que depois aconteceu com a troca de governo. Saiu um intelectual e entrou um ex operário. Vimos que sobre certos aspectos, não todos, claro, a diferença estava só na forma de falar.

Se FHC teve acertos também navegou em muitas críticas quanto a privatizações que nunca foram bem explicadas, quanto ao PROER, aquela “ajudazinha” que livrou grandes Bancos de quebrarem, o fato muito comentado de que o país quebrara umas duas vezes, mas conseguiram algumas “bóias” que evitaram que ele se afogasse, além de outros assuntos que a então oposição queria investigar, mas... o tapete que o diga onde foram parar, pois.

Sei que muitos não gostam que se relembre essas coisas, vão se irritar comigo, até porque o negócio agora é só sentir o fedor da lama da corrupção vindo de um lado. Infelizmente a realidade caiu mais uma vez na cabeça de muitos que ainda acreditam que não estamos no mato sem cachorro, como tenho dito.

Falam, escrevem, esbravejam, garantem que vão mudar a situação e eu insisto na pergunta: como e com quem?? Ninguém me responde, ninguém oferece um nome confiável, ninguém aponta candidato sério, honrado, ético, honesto, mesmo que eu viva a repetir a pergunta: Como e com quem?? No máximo me xingam, não querem reconhecer que estou certo, pois preferem acreditar no imponderável, num milagre que santo algum vai poder realizar.

Pois é, de repente a “ilusão” de uns tantos vem explodindo em escândalos tais que aquelas “bóias salvadoras”, em que certamente pretendiam se agarrar, estão afundando igualmente no mesmo mar de lama que antes era primazia de políticos petistas. Como eu lamento, sinceramente, como lamento por vocês. Eu já não estava mesmo acreditando em nenhum dos partidos, muito menos nesta classe política que aí está, portanto não tenho motivos para chorar.

Vamos só repassar alguns caminhos da lama, ou os espaços por onde andam a sobrevoar corvos de ambos os sexos? Vamos lá então. No Distrito Federal a fedentina ultrapassa as fronteiras até porque não só o Sr. Arruda, que já não é primário, foi pego em flagrante (embora possa sempre desmentir...) como vários de seus aliados também o foram. Aí é que o bicho pega mais ainda.

Não só o DEM, partido de oposição ao Governo Federal, está a exibir um grau elevadíssimo de corrupção, pois afinal isto acontece com seu único governador (100%), como tantos outros partidos onde alguns pretendiam ir beber a água milagrosa da salvação contra a corrupção endêmica do PT, também teriam se envolvido por ocuparem cargos de confiança no Governo não confiável.

Eu li e ouvi dizer que há gente envolvida que compromete o mesmo PT, mas também o PDT, o PSB, o PTB, o PSDB ( o impoluto guerreiro de oposição), além de outros muitos cujas siglas me escapam agora. Isso já é um autêntico pantanal de lama, um atoleiro, um enxurdeiro, de sem–vergonhice e corrupção. E provavelmente ainda vão jogar lama no ventilador. Saiam de baixo, meus amigos.

E lá das alterosas, das lindas montanhas de Minas, ressurgem as denúncias e acusações, agora mais bem fundamentadas pela Polícia Federal e pelo MP, contra o ex governador daquele Estado que hoje é um ilustre senador da República. E este escândalo já rola há uns 10 anos. Claro que o Sr. Azeredo vai sempre jurar inocência. E olha o PSDB novamente aí, gente...

Vocês já viram político brasileiro assumir qualquer culpa de cara, ou pedir desculpas ao povo, ou mesmo se suicidar, envergonhado, como ocorre em outros países pelo mundo afora? Então? O Sr. Lula não jurou sempre que nada viu, nada ouviu, nunca soube de nada, e hoje não afirma que foi vítima de uma “trama diabólica” dos partidos de oposição, quando do escândalo do mensalão? Ohhhh...

Aliás, mensalão que em verdade parece foi inventado já em 1998 nas alterosas, pelo PSDB, depois copiado pelo PT, e agora novamente editado pelo DEM e todos os partidos que apoiavam o governo do DF. É, isso vai longe, amigos, desculpem ir destruindo as suas ilusões. Não esqueçamos que ainda rolam, lá pelos pampas, denúncias contra a atual Governadora (olha o PSDB aí de novo, gente). Não chegaram aos finalmente, mas os processos continuam em andamento.

E no Pará? Na minha querida Belém? Até que meus irmãos e irmãs, sempre avessos ao PT, me garantiram que a governadora vai surpreendendo. O problema maior lá é o Jader... e ele está sempre nas bocas. Porém na Prefeitura é que explodiu também uma grande bomba, não obstante os desmentidos do atual Prefeito. Escândalos como os de sempre, envolvendo Secretários que pertencem a outros partidos. E vai hábeas corpus pra lá, vem mais denúncia pra cá e nesse jogo sob a complacência da justiça, o Prefeito, por sinal do PTB, vai se mantendo. Será?

E vocês sabem que se quiserem mesmo mexer neste vespeiro político não vai faltar vespa para caçar. Ou seria, cassar?? Bem, como alguns gostam de fazer comparações entre políticos quanto a graus de instrução de um e de outro, embora isso nada tenha a ver com o comportamento condenável ou não de cada um, vão me permitir lembrar-lhes aqui o que aconteceu há alguns anos envolvendo um dos baluartes da intelectualidade política brasileira. Com licença, vamos aos fatos.

Ia haver eleição para Prefeitura de S. Paulo. FHC, o mesmo, era aparentemente o candidato favorito, afinal ele tinha como adversário “apenas” o renunciante ex Presidente, em idade bem avançada, Jânio Quadros. Diziam que era barbada. Talvez até fosse mesmo. Porém eis que o professor de Harvard e da mundialmente respeitada Universidade de Sorbonne, de Paris, teve a infeliz idéia de chamar a imprensa e se deixar fotografar sentado na cadeira do Prefeito, afirmando que ganharia, isso com muita ironia. Quem já nascera viu tudo pela TV, como eu.

Chegaram as eleições, e aí... pois é, surpresa: o Sr. Jânio Quadros, político em fim de carreira, sem mais nenhuma aspiração a nada, venceu o ilustre intelectual FHC. Diriam que o povo da cidade de S, Paulo, capital, enlouquecera? Não, meus amigos, eles deram foi uma lição, com sabor de palmatória, na arrogância, na soberba, no atrevimento do ilustre Professor, catedrático internacionalmente insigne, por sua atitude desdenhosa ao seu adversário.

Coisa muito rara de se ver hoje em dia em se tratando de uma reação em cadeia de uma população que votou com brio, com dignidade, repudiando a atitude e o personagem. A Jânio Quadros, depois de eleito, quando instado pela imprensa sobre o que faria quanto ao fato acontecido, ele apenas respondeu: “Não se preocupem, vou mandar desinfetar a cadeira.”

Acreditem ou não, o velho Jânio, segundo muitas opiniões, fez uma das melhores administrações que S. Paulo já tivera. Mas algumas pessoas esquecem tudo muito rápido, ou fazem que esquecem, por conveniência. É, meus amigos, intelectuais muito bem formados também fazem disparates e podem promover atos infames que ruborizam a honra, a ética, a probidade, a retidão de caráter.

E haja corvos.....


 

(12 de dezembro/2009)
CooJornal no 662


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
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