19/12/2009
Ano 13 - Número 663

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética


 

          

Francisco Simões



CONVERSA DE FIM DE ANO

 
Amigos e amigas, chega esta fase do ano e a turma não economiza cumprimentos, seja de Feliz Natal, seja de Feliz Ano Novo. Eu não tenho jeito para produzir mensagens elaboradas com música, figuras tantas, nada disso, confesso-me um dinossauro da informática. Sou do “feijão com arroz” em plena era virtual.

Embora já tenha expressado minha opinião sobre o Natal em crônica bastante divulgada decidi hoje manifestar meus votos de Feliz Ano Novo aos amigos e amigas neste texto para fazermos, digamos assim, não só um balanço de fim de ano como uma retrospectiva destes meus nove anos escrevendo neste espaço virtual.

Em primeiro lugar quero agradecer aos tantos e tantos que gastam parte de seu precioso tempo na leitura do que escrevo e divulgo, seja em prosa, seja em verso. Obrigado, de coração. Em segundo lugar, me curvo em reverência aos que, além de me lerem, costumam enviar-me mensagens comentando meus trabalhos. Gente, vocês não sabem o bem que faz para quem escreve esta interação de opiniões, aprovando ou criticando, mas jamais deixando de opinar. Muito, muito obrigado.

Vocês são responsáveis por eu ter em minha pasta de “Comentários de Leitores”, hoje, neste exato momento, quase 4.000 mensagens, umas me cumprimentando, outras me criticando, enfim, me estimulando a continuar nesta lida, hoje aos 73 anos, dom que herdei de meu saudoso pai português. Prometo não parar, só se a vida me impedir num de seus eventuais lances do sempre inesperado destino. De uma coisa me ufano quanto a este nosso interagir, pois jamais deixei alguém que me escreve sem ter uma resposta. Tenho muita consideração por meus leitores.

Sobre números, eu não minto, não brinco, não falseio. A pasta a que me refiro acima está sempre disponível, não só a alguém curioso como a meus mergulhos nela para relembrar aqueles que tanto me estimularam a escrever e depois, por razões as mais diversas, simplesmente sumiram. Outros nem sumiram, estão por aí e de quando em vez até escrevem, mas quebraram a rotina antiga. Tudo bem, não se deve fazer nada por obrigação, só por emoção, ou por amizade, como eu digo. Afinal não tenho do que me queixar, no correr do tempo foram chegando muitos outros amigos leitores que se somam hoje aos que já apoiavam meu trabalho.

Num agradecimento muito especial, registro aqui o que meu coração me pede para fazer. Aos amigos e amigas que citarei nominalmente por dever de justiça, Irene Serra, do Rio Total, Vânia Dinis, do Espaço Ecos, Valéria Eik, do Conexão Maringá, a Lúcia do site do SINAL, a gaúcha Rozélia S. Rázia, o Renato Ramoore, a Silvana Guimarães, do “Germina, Literatura e Arte”, o Marc Fortuna, de Londres, com meu Cantinho do Francisco, o poeta português Vítor Jerônimo e sua esposa Mercedes Pordeus, Efigênia Coutinho e sua Academia Virtual, por acolherem trabalhos meus, cada um com sua freqüência de atualização, claro.

Na revista RIO TOTAL, da amiga Irene Serra, especialmente no coojornal, estou presente, sem falhar uma semana sequer, exceto quando tiro “férias” no fim do ano, desde janeiro/2001, ou há exatos nove anos. Estou também com alguns poemas no lindo “Expressão Poética”. Tenho a mesma amizade por todos acima referidos, com certeza, mas quanto ao RIO TOTAL, até por fatos que ocorreram quando recomecei a escrever publicamente em 2001, declaro o meu melhor carinho e agradeço sempre porque tudo que hoje faço começou com o apoio de Irene Serra. Foi ela quem me fez acreditar que eu podia voltar a escrever.

Quem conhece minha biografia sabe que aos 17 anos, ainda muito jovem, eu já escrevia crônicas diárias e as lia ao microfone tanto da Rádio Marajoara como depois na Rádio Clube, em Belém do Pará, anos 50. Ser radialista era meu antigo “sonho de porão”, onde montei a minha “rádio particular”, isto aos 10 anos de idade, acreditam? Pois é. A escrita, a arte fotográfica, assim como o rádio, sempre foram três das maiores paixões da minha vida, como digo habitualmente.

Logo quando retomei a escrita, há nove anos, recebi muitos convites e acabei estando presente em muitos, muitos sites literários, um exagero. Foi empolgação de “principiante”. Depois percebi que aquilo me cansava por demais já que cada um tinha sua periodicidade de atualização e controlar tudo já não me dava prazer. Fui saindo educadamente de alguns, de outro fui, digamos sinceramente, expurgado por não aceitar certa exigência, apesar de todo o trabalho que lá havia deixado.

De outro saí por um gesto de censura do responsável pelo site. Como não admito censura respondi à altura ao ilustre senhor que por sinal exibe um título pomposo... Comigo não, de censura me cansei durante a ditadura militar quando eu produzia filmes em curta metragem e concorria em Mostras e Festivais, geralmente no circuito universitário. Fui atingido umas 4 ou 5 vezes e numa delas tive até que estar na presença de um censor oficial, olho no olho, numa sala bem grande, ali na Praça Mauá. Já contei isto numa crônica “Prazer, sou a Censura” (http://www.riototal.com.br/coojornal/simoes010.htm)

Pelo lado positivo da minha convivência nesta internet, preciso também registrar um agradecimento do fundo do coração a todos aqueles que, graciosamente, só por amizade, repassam constantemente os meus textos em suas diversas listas. Transformam minha divulgação numa autêntica “bola de neve” virtual. É incalculável o alcance desta espécie de “corrente” positiva e desinteressada.

Obrigado amigo Mário Bandarrinha, dos EUA, Sarah Rodrigues, de Belém de Pará, do Porto dos Sonhos, Eddyr, o Guerreiro, do Rio, Efigênia Coutinho da AVPE, o amigo Humberto, o Manuel dos Santos, de Cascais, Portugal, o poeta Mario César Vigna, a Ângela Stefanelli, de Niterói, do site Amor e Sonhos, e outros que o fazem eventualmente.

Continuando nossa “conversa”, lembro que casei ano passado pela terceira vez. Fiquei viúvo uma vez e em outra divorciei. Tenho uma filha do primeiro casamento. Já plantei algumas árvores quando era criança, em Belém do Pará, e ajudei Lena no plantar algumas aqui em casa. Falta-me então... escrever um livro, pois segundo a sabedoria popular, só assim uma pessoa se realiza. Será mesmo?

Bem, não é por falta de textos, pois já tenho quase 700 crônicas divulgadas e muitas poesias. Alguns dos meus escritos já foram divulgados em várias Coletâneas, aqui e em Portugal, e meu poema “Vôo de Papel” está incluído, desde 2007, num maravilhoso livro escolar da Editora POSITIVO, de Curitiba, Paraná, voltado para os mestres. Eles me pediram autorização, eu dei e abri mão dos direitos autorais face à finalidade do mesmo. Ele já está na segunda edição.

Os muitos prêmios que logrei ganhar em concursos literários estão todos no meu site pessoal, no link... http://www.franciscosimoes.com.br/premios.htm Agora estou animado para finalmente transformar em realidade o que alguns amigos me cobram há algum tempo: editar um, ou dois livros, vamos ver. Talvez aconteça no próximo ano. Já comecei a trabalhar neste sentido.

Por favor, só não me perguntem quando e onde será a minha... “Noite de Autógrafos”. Sabem a razão? Eu já compareci a dois eventos desses, convidado sempre pelos autores dos livros em lançamento. Desculpem, mas o que vi lá, sem exceção, foram alguns narizinhos empinados, grupos que não se misturavam, enfim, tudo que não esperava encontrar em ambientes festivos e com pessoas intelectualizadas. Achei que deveriam ser sempre amistosos. Enganei-me.

Minha decepção ultrapassou a minha expectativa. Em nenhum deles fiquei mais que uns dez minutos. Realço que somente os autores, os verdadeiros donos daquelas noites de autógrafos, foram gentis comigo. Num desses eventos, no Rio, não só eu como minha atual esposa nos desencantamos rapidamente e nos retiramos em tempo recorde da Livraria.

Aquele fato acabou me levando a escrever a crônica “POR CIMA UMA LAJE, EMBAIXO A ESCURIDÃO”, divulgado no coojornal da revista Rio Total. Podem ler neste link... http://www.riototal.com.br/coojornal/simoes284.htm Lembro que terminei o texto com este aforismo de Oscar Wilde: “A ambição é o último refúgio do fracasso.”

Quando os livros estiverem prontos eu avisarei aos bons amigos, sem distinção, mesmo àqueles que por morarem em outro Estado não poderão me abraçar fisicamente, mas sei que o farão espiritualmente, pelo menos alguns, ou algumas.

O que pretendo, em verdade, é realizar um congraçamento entre amigos verdadeiros, escritores ou não, um reencontro de amigos que, como disse Milton Nascimento, estão sempre guardados do lado esquerdo do peito deste velho escriba. Qual o local? Vocês saberão na oportunidade, mas garanto que não será em nenhuma livraria. Eu as adoro e freqüento, porém para comprar livros.

Minha gente amiga, encerro nossa Conversa de Fim de Ano reafirmando meus votos de um Feliz Ano Novo para todos e para suas respectivas famílias. Da minha parte não pretendo parar de escrever tão cedo. É só a vida concordar comigo.


(A partir desta crônica estarei entrando de férias do coojornal até meados de Fevereiro/2010.)


 

(19 de dezembro/2009)
CooJornal no 663


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
http://www.riototal.com.br/expressao-poetica/francisco_simoes.htm
www.franciscosimoes.com.br 

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