06/02/2010
Ano 13 - Número 670

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética


 

          

Francisco Simões


INFELIZ ANO NOVO

Pois é, meus amigos, na noite de 31 de dezembro, quantos de nós, inclusive eu, não retomamos aquela rotina de todo final de ano. E tome mensagens por e-mail, mensagens por cartões postais (hoje meio em desuso), telefonemas para amigos e parentes que estimamos muito. Em todas sempre a nossa manifestação, o nosso anseio sincero em desejar-lhes um Feliz Ano Novo.

Nada demais, assim será novamente ao final deste ano de 2010, e assim tem sido sempre. Não me move criticar ou desmerecer tal atitude, de forma alguma. Cada um pede ao Deus em que acredita proteção para seus familiares e amigos. As palavras que mais usamos nessas mensagens são, geralmente, muita saúde, muita paz e muito amor.

Quem dera que a humanidade já tivesse evoluído a ponto de entender que somos todos parte da Natureza. Digamos que entendessem que temos todos os mesmos direitos à vida, à paz, ao amor. Mas sabemos que isso é uma grande mentira. Se em alguns aspectos a humanidade evoluiu, é verdade, em outros muitos não evoluímos, como comprovamos diariamente em tantos exemplos. Até damos prova de estarmos passando por certo processo de involução.

Alguns provavelmente não concordarão. Muito bem, mas faço um chamamento às suas consciências, aos seus corações, e me respondam às questões que colocarei a partir daqui. Será que todos lerão até o final?!

Como entender de outra forma o brutal crescimento da violência em geral, seja a das ruas, seja a que ocorre, com uma rotina assustadora, dentro de famílias? Nas ruas e comunidades, violência tanto de bandidos como de alguns maus policiais. Pais que matam filhos, filhos que matam pais, etc e tal, e muito mais. E as denúncias de ameaças de agressão, e mesmo de morte, nas Escolas? E tem gente que faz, como “solução”, uma pregação de mais violência, esta, policial!! Sobre isto comentarei proximamente.

E a “evolução” constante não só do tráfico de drogas como da corrupção endêmica, a impunidade mais reinante do que nunca, via de regra com o beneplácito da própria justiça? Esta mesma que eu já disse hoje não ser mais cega, porém, seletiva?! Alguém duvida?

Quantos de nós, em algum momento que seja, lembraram dos mais de um milhão e meio de seres humanos, homens, mulheres e crianças, neste planeta, que vivem à margem de tudo, na mais absoluta miséria? Quantos deles, inclusive em nosso país, morrerão no correr deste Ano Novo, seja de fome, seja de doenças várias, sem terem a quem recorrer? Quem se importa com eles? Eu falo de milhões de seres humanos.

Quantos de nós elevaram sua mente também aos muitos que são diariamente assassinados em tantas das guerras que estes ditos “seres racionais” insistem em sustentar? Homens, mulheres, crianças, não importa, lembraram que todos são alvos em potencial das armas assassinas de exércitos que matam sempre em nome da paz?! Não faltam guerras, não faltam armas, não faltam homens e motivos se faltarem eles inventam, eles criam. O lucro das armas é grande demais.

Quantos de nós se lembraram das inúmeras vítimas de tantas tragédias ocorridas ao final do ano de 2009? Quantos desmoronamentos, quantas enchentes, quanta gente morreu soterrada, famílias inteiras, quantos perderam tudo do pouco que ainda tinham? Alguém segurou o seu sorriso de felicidade por alguns segundos, por estar junto com todos os seus familiares, e soltou ao menos uma lágrima ou, se for crente, pediu uma oração por aquela pobre gente? Espero que sim.

E o Ano Novo mal chegou trouxe mais tragédias, algumas com um efeito tão catastrófico que balança nossa fé e nossa esperança numa justiça divina. Vejam o que acontece no Haiti! Quantas vidas humanas, já sofrendo há séculos por todo tipo de maus tratos, sucumbem de uma forma como se merecessem aquele “castigo”. Que barbaridade.

A estes seres todos como iríamos desejar um Feliz Ano Novo? Como? Só se fôssemos hipócritas. Alguns eu acredito que até os coloquem em suas orações, mas, meus amigos e amigas, com toda a sinceridade, que Deus os pode retirar de tal estado de miséria total? Que Deus lhes poderia devolver os familiares e amigos perdidos nas tantas catástrofes? Que Deus acabaria com as muitas guerras sanguinárias se os homens cada dia criam novas?

Alguns dirão que os homens têm o livre arbítrio e assim eles podem traçar o seu destino para melhor ou para pior. Outros acrescentarão que muito do que nos acontece, mesmo já no nascimento, pode ser uma questão de carma, sim, carma, ou destino pré-traçado, provavelmente antes de reencarnarmos.

Quando não entendemos crianças nascerem defeituosas, outras já com doenças incuráveis, ou serem assassinadas fria e covardemente pelos próprios pais ou eventualmente mortas por balas perdidas em conflitos tantos, algumas vozes justificarão com os mesmos argumentos que nos arremetem ao tal carma.

Já os ateus ficam indiferentes, não por falta de sentimento, isso não, mas por não crerem em nada do que os religiosos acreditam e pregam.

E você, como se posiciona diante desta realidade em que estamos inseridos? Até onde sua fé conduz sua esperança e o faz acreditar que as tragédias, a miséria, a fome, são necessárias e fazem parte da vida? Não podemos fugir a isso e temos que aceitar e ainda agradecer o fato de estarmos vivos? Se souber me responda.



 

(06 de fevereiro/2010)
CooJornal no 670


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
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