20/03/2010
Ano 13 - Número 676

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética


 

          

Francisco Simões
 


O TEMPO E A VIDA

É costume alguns dizerem que a vida é curta. Em razão disso outros aconselham que a aproveitemos como melhor pudermos. Porém, o que significa “aproveitar”? Uns responderiam dizer que é viver melhor. Mas, melhor do que o quê? Que padrão de vida nos recomendariam? E os que sequer podem escolher como viver?

No passado o tempo de vida já foi mais curto do que hoje em dia, mas mesmo assim alguns viveram para além dos 70 e/ou 80 anos. Entretanto, nos tempos atuais é comum muitas pessoas viverem, como sabemos, até mais de noventa e mesmo mais de cem anos. Então hoje não devemos considerar, para muita gente, que “a vida é curta”, pois não?

Segundo estatísticas oficiais que li outro dia, só no Brasil, os considerados idosos já alcançam mais de 10% da população do país. Isto significa cerca de 20 milhões de seres humanos. E afirmam que a tendência é este índice crescer nos próximos anos. Será que a cada dia que passa o fato de “a vida ser curta” está, digamos assim, “caindo em desuso”? Todavia há outra verdade escondida naquela afirmação.

Mesmo nos tempos atuais, quando andam muitos a viver bem mais, há os que talvez encurtem sua existência justo pela pressa de viver. Eles passam quase o tempo todo a correr, estão sempre com pressa. Pior, parece que nunca estão satisfeitos com a vida que levam. Essa inquietude, essa ansiedade, por vezes acaba não levando a qualquer lugar, mas os faz sentir-se cansados. A vida parece voar.

Nós sabemos que em verdade o tempo é sempre o mesmo, jamais mudou, o resto é pura invencionice. É claro que levando a vida na correria tem-se a sensação de que o tempo passa muito mais rápido. E a vida acaba mesmo se encurtando, podem crer. Também não se pode negar que uns vivem mais outros menos por circunstâncias várias, inclusive pela genética de cada um. Isto é óbvio.

Devemos ainda considerar que mesmo em tempos de vidas mais longas, bem mais longas, como agora, e daqui pra frente, muitos sucumbem tão cedo, geralmente por culpa do próprio ser humano. A violência, que igualmente está crescente e caminhando para certo descontrole, é um dos fatores que encurtam a vida. O envolvimento com drogas de vários tipos ceifa vidas, geralmente jovens, assim como as tantas guerras espalhadas pelo planeta.

Se pretendesse levar este raciocínio por caminhos de algum estudo mais profundo, que não é o caso, teria que me ater também em fatos que encurtam por demais a vida, como a fome, a miséria, e doenças tantas que afetam as populações mais carentes. Nem me atrevo a mergulhar neste “oceano” de argumentos por total incompetência em fazê-lo a partir do tema abordado.

Meus pais, avós, bisavós, e outros antecedentes familiares, desmentiram, em suas épocas, as tais regras do “tempo útil de vida” de então. Alguns partiram com mais de 80, outros até com mais de 90 anos. Claro que com outras pessoas deve ter acontecido o mesmo.

Em Agosto de 2000 escrevi o poema “Passando o Tempo”. Nele há um verso que alguns amigos gostaram bastante, acredito que mais pela imagem poética criada. Este é o verso: “O tempo mede a vida com a régua do destino”. Isto não significa que eu creia em destino, absolutamente, todavia não o posso desacreditar de todo por várias razões. Mas é assunto para outra crônica. Haja polêmica!

Aliás, sugiro uma leitura naquele poema. Eu discorro sobre o tempo e a vida. Podem ir direto a ele na seção “Expressão Poética”, deste Rio Total, entrando por este link: http://www.riototal.com.br/expressao-poetica/francisco_simoes008.htm

Se quiserem ter uma visão mais concisa, muito mais sucinta em idéias e em palavras, com apenas doze versos, na mesma temática, recomendo uma rápida olhada na pequena poesia que escrevi em Junho / 2001, “O Tempo e a Vida”, entrando por este link:
http://www.riototal.com.br/expressao-poetica/francisco_simoes022.htm

É difícil, quase impossível, ficarmos a sugerir modos de proceder para se ter uma vida mais longa. Na TV abusam desses “conselhos”, se você seguir todos acaba é num manicômio, pode crer. Por outro lado, aqui na internet, alguns divulgam de quando em vez um texto bobo, que, sem apresentar nenhum fundamento, apenas “exemplos” descabidos, sugerem que você aproveite bem a vida na gandaia.

Usando um nome de falso médico incentivam a comer e a beber à vontade, nada de ginástica, entre outras sandices. Chegam ao cúmulo de dar como exemplo para se levar uma vida sem nenhum esforço para melhorar nosso desempenho em todos os sentidos, a tartaruga. E afirmam: “Vejam que ela não tem pressa, não faz ginástica, não corre, e no passo devagar vai vivendo até mais de 100 ou 200 anos...

Mas, você não nasceu tartaruga, não tem a genética dela, e se usar seu tempo vago em total ócio, encher a pança, beber álcool despreocupadamente, fumar maços e maços de cigarro, não usar caminhadas nem outros exercícios recomendáveis para um viver mais saudável, logo seremos, eu e outros amigos seus, convidados para o seu velório. Por favor, me poupe disso ou adie bastante, sim?

Bem, não vou me alongar, pois afinal não pretendi mesmo fazer nenhum estudo mais sério sobre este assunto, porém apenas usar divagações sem fantasiar nada, encaminhando meu raciocínio sobre a realidade que aí está.

Para você, então, amigo e amiga, uma vida longa, mas com saúde, paz, e muito amor. Não tenha pressa de viver, porém, por outro lado, procure se cuidar. Seu tempo será o que tiver de ser, e nenhuma cigana ou adivinhos outros o irão mudar. Acredite, se puder.


(20 de março/2010)
CooJornal no 676


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
http://www.riototal.com.br/expressao-poetica/francisco_simoes.htm
www.franciscosimoes.com.br 

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