17/04/2010
Ano 13 - Número 680

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética


 

          

Francisco Simões
 


A CRÔNICA 700
 

Amigos, desculpem, mas vou fazer outra comemoração. Pode parecer a alguns que comemorar demais é um exagero. É, pode parecer, mas o que vale neste caso é o meu sentimento, a minha alegria, a minha felicidade, ou porque não dizer a minha sensação de vitória em ter conseguido, aos 73 anos, e só nos últimos quase dez anos, escrever e divulgar tantas crônicas, fora as poesias.

Ainda me lembro de como tudo começou. Sei que já contei num texto faz algum tempo, mas não custa relembrar já que muitos só passaram a me ler depois. Farei aqui um breve resumo dessa história. Eu tinha apenas 17 anos e fora aprovado em concurso público na Rádio Marajoara, em Belém do Pará, como locutor. Passei a pertencer ao grupo de elite da emissora que recém havia sido inaugurada.

Ano de 1953. Em pouco tempo eu já escrevia, escondido, é verdade, meus textos e os lia ao microfone na Hora do Ângelus, ou 18 horas. Foi um ato de certa rebeldia, sem dúvida, e eu tinha consciência disso, mas decidi arriscar. Acabou dando certo, pois tanto a Secretária do Diretor Artístico como ele próprio gostaram, aprovaram e ainda passaram a me pagar por aquele trabalho. Ali nasceu este modesto escriba. Passei a ter também o apoio e o incentivo do meu saudoso pai.

Só me reencontrei com a escrita muitos anos depois já no Banco do Brasil tanto na Carteira de Crédito Agrícola - RUCEN, Direção Geral, 1963/1966, como logo a seguir no DESED, o novo Departamento de Treinamento de Pessoal do BB. Eram assuntos técnicos, nada a ver com meu trabalho no rádio, mas me agradava. Enfim fui convidado a integrar uma equipe de coordenadores de cursos e professores que estava em formação no mesmo DESED. Eu amava o que fazia, novamente.

Passados mais alguns anos acabei chefiando um Grupo de Produção de Módulos Áudio Visuais para palestras, também no BB, Direção Geral. Eu contava com uma excelente equipe de 12 funcionários. Voltei à escrita eventualmente, pois contava com ótimos redatores e um magnífico professor de português, o amigo João André. Usava minha voz em narrativas dos módulos que produzíamos.

Continuava no Banco do Brasil usando as experiências que começaram em Belém, no rádio, em 1953. Como dizem, eu estava na minha. Pouco depois fui levado, a convite de um bom amigo, já falecido, o Almir dos Santos, a atuar no seu Gabinete. Ele chefiava o imenso Departamento de Mecanização. Ali eu estudava processos e redigia recursos para o Chefe assinar.

Nos últimos quatro anos, antes de me aposentar, a convite do bom amigo Professor Joaquim Amaro, então presidente da PREVI, fui para o seu Gabinete onde, entre outras coisas, examinava alguns processos, e escrevia pareceres e atas das reuniões de Diretoria. Me aposentei em 1986. Continuei trabalhando, mas em outras atividades artístico culturais e viajando, viajando muito.

Só no ano de 2000, em Outubro, me colocaram “à força” frente a frente com um computador. Eu detestava esta máquina. Redigia meus poemas na minha velha Práxis 20, elétrica. Mas, o que me estava destinado superou minha má vontade para com o computador e assim, em Janeiro de 2001, surgiu Irene Serra no meu caminho. Ela conheceu alguns textos que eu escrevera e logo me incentivou a voltar a escrever em prosa, digamos, publicamente. Devo isso a ela.

Talvez Irene não se lembre, mas no começo de Março/2001, quando eu ainda “engatinhava” no Coojornal da revista RIO TOTAL, ela me escreveu esta mensagem se referindo a determinado texto e a meu trabalho:

“Oi, amigo, quanto a MEU TESTEMUNHO, chorei. Lindo, Francisco. Lindo Francisco. Texto e pessoa. A Internet é que precisa de você, deste carinho e forma de bem dizer. Aquele histórico de quem tem mil livros, oitocentas páginas e sei lá mais o que, nada vale diante do seu, de sua apreciação dos valores... Se bem que, não pode esquecer que está subindo e, sabemos, nós quatro (Deus, Zezé, você e eu) que vai chegar lá em cima deste mesmo modo sereno e tranqüilo de quem conquistou e tem o mundo entre as mãos. Beijão, Irene.”

Foi mais um grande incentivo, entre outros de amigos e novos leitores que eu já recebia. Estou no Coojornal da revista RIO TOTAL há quase 10 anos. Ninguém está lá tanto tempo, ainda mais escrevendo semanalmente, só parando nos períodos de férias. Atendendo a alguns convites passei a enviar textos também a outros sites literários. Por isso hoje chego à crônica de número 700, tendo no Coojornal do RIO TOTAL bem mais da metade desses textos.

Hoje agradeço também os apoios dados ao meu trabalho por Vânia Diniz, poeta, escritora, professora, pesquisadora e humanista, do ESPAÇO ECOS, por Valéria Eik, do CONEXÃO MARINGÁ, pelas meninas do site do SINAL, as queridas Michelle e Lúcia, onde já estou com 300 crônicas, pelo poeta português Vítor Jerônimo e sua esposa Mercedes Pordeus, do Grupo ECOS DA POESIA e por Silvana Guimarães, do GERMINA, LITERATURA E ARTE. Muito obrigado.

Igualmente um grande apoio nos dão todos que lêem meus textos, e disso, sem falsa modéstia, não posso me queixar. Gosto quando comentam meus trabalhos e não deixo ninguém sem resposta. Concorde ou discorde da crítica feita eu entendo que todos merecem de mim a mesma consideração. Minha pasta de Comentários de Leitores tem hoje um total de 3.762 mensagens comentando crônicas e poesias.

E não poderia esquecer daqueles que repassam e mais repassam nossos textos e poesias. Gente da melhor qualidade que se dá ao trabalho de divulgar o que outros escrevem. Isso aumenta em muito a nossa divulgação e é uma gentileza que não tem preço. Os mais assíduos são o Mario Bandarrinha, dos EUA, a poeta Sarah Rodrigues, de Belém do Pará, Eddir, o bom Guerreiro, do Rio de Janeiro, a poeta e grande amiga Leyla Gomes, de Petrópolis, o Otávio Macedo, do Rio, amigo de longa data, etc. Outros o fazem eventualmente. Obrigado amigos e amigas.

Esta é a minha crônica de número 700, já divulgadas. Tomara que eu consiga chegar às mil. Não que queira chegar perto do recorde do nosso rei Pelé, afinal em assunto de futebol o que eu sei fazer, e mesmo assim sem radicalismos, é torcer. Mas, escrever, eu amo, não me canso de fazê-lo. Enquanto mando um texto para um site tenho vários outros já prontos, na fila, à espera de divulgação.

Não tenho compromisso com qualquer tipo de assunto por isso gosto de variar escrevendo ora sobre a vida, ora sobre o amor, ora sobre a morte, ora contando histórias verídicas, ora relembrando fatos do meu passado, ora prestando homenagem a amigos, em vida ou “in memoriam”, etc.

O julgamento do meu trabalho deixo por conta de quem me dá a honra de ler o que escrevo e/ou de acompanhar minhas outras atividades. Neste momento me permitam comemorar esta crônica 700, não com champanhe, não, afinal não uso álcool há muitos anos, nem no nosso carro que é flex, mas com um sorriso, muita alegria e a felicidade de saber que tenho muitos leitores amigos e amigos leitores.

Este momento eu compartilho com todos vocês, pois se não existissem eu certamente não estaria aqui já há quase dez anos. Obrigado e parabéns aos amigos também.

 

(17 de abril/2010)
CooJornal no 680


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
http://www.riototal.com.br/expressao-poetica/francisco_simoes.htm
www.franciscosimoes.com.br 

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