08/05/2010
Ano 13 - Número 683

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética


 

          

Francisco Simões
 


 E AGORA, BRASIL?


 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Pois é, Brasil, as eleições estão à vista, as promessas também, e as mentiras mais ainda. Quantos “salvadores da pátria”, quanta hipocrisia exposta sem a menor cerimônia. Quanto despudor com o dinheiro público, estadual e federal!

E as alianças? Sabe-se lá a que preço. E os conchavos, as adesões feitas atrás da porta ou a portas fechadas, bem longe de ti, meu Brasil?

E agora, Brasil? Tua gente perdida com o voto na mão sem nome na cabeça. E ainda por cima alguns depois irão dizer que eles “votaram mal”! Costumam generalizar o que parte de nossa gente faz, é verdade. Mas, e os críticos, em quem terão votado antes? Em quem irão votar agora? Ninguém sabe, meu Brasil.

Se tua gente olha para um lado vê tudo, tudo mesmo, menos soluções necessárias, urgentes e tão esperadas para os teus problemas mais fundamentais, mais agudos. É a demagogia a discursar, a cativar tua gente pelo assistencialismo, pelo sorriso masturbado, enquanto nada em verdadeiras fortunas jamais aplicadas em seu favor, como nunca antes se viu neste país, concordas, meu Brasil?

Se tua gente olha para o outro lado percebe que só querem é voltar ao poder e para isso vale tudo. Vão prometer novamente, prometer até um novo país, mas certamente pensando apenas neles, não em tua gente. Nunca foi nem será diferente com quem hoje se traveste de oposição, mas sonha em voltar ao poder.

Temos corrupção? Temos, e em todos os níveis de poder. Mas, não é novidade, pois não começou agora, talvez a tenham apenas “aprimorado” e oficializado. O pior é que vasa para a sociedade e se torna praticamente endêmica. Então votar na candidata do poder é aceitar a cangalha e dar continuidade a esta ressaca de lama?

E então, meu Brasil? Votar na oposição é a solução? Lá não há corrupção? Mas como se esta já se ofereceu de bandeja num apoio que fede, que cheira muito mal, numa troca de abraços e beijos? E aí, meu Brasil, nem o Diógenes conseguiria em Brasília o que não conseguiu em Atenas. Sua lanterna consumiria todas as pilhas existentes em tentativas frustradas. O homem, se existe, nada quer com a política.

E agora Brasil, para onde tua gente vai correr? Parece que ela vai é ficar mesmo perdida com o voto na mão e sem nome na cabeça. Todavia, obrigada a votar.

Aí ela olha em volta e vê um PMDB que se esconde da responsabilidade, pois é mais cômodo viver à sombra do poder, manipulando-o em conluios, tramando em surdina, urdindo e se lambuzando com as oportunidades oferecidas, fazendo leilão de votos e opiniões, cumprindo o histórico do partido. Peemedebista que se preza nunca diz sim ou não, prefere esperar na dúvida que lhe renderá mais.

Se tua gente aprofunda a busca encontra agora um PSB travestido de PMDB. Candidato pra quê? Disputar por quê? Preferiram ser meros “cirocerones” de eleitores indecisos que estejam em algum “dil-e-ma” encaminhando-os ao voto mais conveniente aos interesses do partido. E tu, Brasil, ninguém pensa em ti?

Parece que alguém pensa, sim, porém quem votará nela? Quem? De que adianta a candidata ser séria, confiável, ter dignidade, já provou isso, ter um projeto de reformas, de mudanças para valer, e para melhor? Não deve nem ser falta de confiança na candidata, só que os eleitores, muitos deles, querem é votar em quem possa vencer. Neste raciocínio jamais mudarão este país.

Pouco se importam, meu Brasil, se para derrotar o status quo atual vão substituí-lo por outro já conhecido, repetido, cansativo, que construiu aqui e corrompeu ali, também, sem grandes diferenças do que agora se critica. Vão acabar votando com uma serra na cabeça, cortando grandes esperanças pela raiz, mudando só por mudar, sem mudar de fato, e mantendo nossa gente muito longe do sonho maior de um país realmente melhor, para todos. Não creio que irão tentar. Não creio.

Nem é porque ela se chame Silva, afinal este vem de outra estirpe, de outra índole, de outra cepa. Este Silva tem raiz, tem origem, é sinônimo de dignidade, traz um rastro de trabalho elogiável. Ela tem tudo que eles dizem querer no candidato, mas vão lhe virar as costas por preconceito, ou por acharem que não vencerá. Depois porão a culpa na nossa gente dizendo como sempre... “eles que não sabem votar”!!

Pois é, meu Brasil, há pessoas sérias que têm uma relação imensa e correta de exigências para aquele que deva merecer o seu voto. O difícil, admitem, é o candidato. Por que então não votar nela? Por que repetir o que já se conhece, ou pior, o que se esconde em artimanhas tantas e sorrisos falsos?

Pois é, meu Brasil, também declaro meu voto: Marina Silva é a minha candidata. Prefiro perder eleição do que ajudar a repetir fórmulas desgastadas que já sabemos onde vai dar. E você, amigo ou amiga, por que não revê sua posição? Quem sabe não nos ajuda a vencer? Pense nisso.
 


(08 de maio/2010)
CooJornal no 683


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
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