05/06/2010
Ano 13 - Número 687

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética


 

          

Francisco Simões



O MAR QUANDO QUEBRA NA PRAIA
 

 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

O título desta crônica nos traz pequena parte da letra de uma das canções do nosso saudoso Dorival Caymi. No correr desses primeiros versos da música ele diz... “O mar quando quebra na praia, é bonito, é bonito...”

Caymi, nosso poeta amante do mar, tinha toda razão no que afirmava. Cabo Frio sempre foi uma cidade privilegiada entre outras coisas pela beleza de suas dunas, e pela larga extensão de suas areias. Aliás, nossa areia sempre foi branca e fina como talco. Eu o decantei em prosa e em verso, modestamente, algumas vezes.

Entretanto, a Natureza que sempre esteve presente em nossas belezas, de repente passou a ser agredida pela fúria do mar. Tudo começou na mais recente ressaca aqui ocorrida há uns dois meses. Enviei fotos a alguns amigos mostrando cenas daquele espetáculo assustador.

O mar parecia querer derrubar o milenar Forte de São Mateus. Cobria as rochas mais altas do seu entorno e avançava contra as praias e a cidade.

Ondas muito fortes destruíram postos de Salva-Vidas, penetraram por debaixo das escadas que os banhistas usam para descer à areia, fazendo o solo ceder e as derrubando. Não havia mais escadas.

Parte do mirante na altura do Malibu passou também a ficar comprometida. Não, o mar quebrando em nossa praia já não estava bonito, de forma alguma. As pessoas olhavam tudo assustadas. O que viria depois?

Decorridos uns dois meses, meus amigos, parece que o mar “esqueceu” de nos devolver nossas praias. Ouvi dizer que o mesmo fenômeno anda a ocorrer em praias da zona sul do Rio de Janeiro.

Pela TV a cabo, nós temos aqui uns cinco canais locais. Um deles, o canal cinco, mantém uma câmera circulando por quase 360 graus, em frente à praia, durante 24 horas por dia.

Aquela imagem bonita que em alguns momentos gostávamos de ficar a assistir, já não existe mais. O mar insiste, até hoje, em avançar e avançar sempre contra as dunas e a mureta em frente ao mirante. Mesmo visto pela TV impressiona perceber que o mar se assenhoreou da extensa e larga faixa de areia.

As ondas não param de avançar expulsando os banhistas. Tantas vezes eu fiz minhas caminhadas, no passado, naquela linda passarela de areia. Não há mais a passarela à beira-mar, somente lá em cima, no calçadão.

Pessoas que trabalham há muitos anos na praia se queixam dos prejuízos. Pelo visto tão cedo não vão poder recompor o seu comércio. A imagem que se tem atualmente, dia e noite, é de um mar que parece ter crescido para além de limites anteriores.

As ondas formam uma seqüência interminável que diariamente avançam como se quisessem nos empurrar para trás. A verdade é que o homem, predador por natureza, é o maior responsável por tudo que está a ocorrer, mas parece não aprender a lição, nunca.

O mar, quando quebra na praia... quando voltará a ser bonito por aqui?



(05 de junho/2010)
CooJornal no 687


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
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