31/07/2010
Ano 13 - Número 695

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética


 

          

Francisco Simões



 CAMINHANDO ENTRE ASTROS E ESTRELAS
 

 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Até parece que vou falar sobre galáxias, planetas, meteoros, etc e tal, mas não. Isso eu deixo para quem tem competência para fazê-lo.

Vou me referir às nossas vindas ao Rio, mais especificamente a esta Ipanema onde vivi por décadas e hoje venho apenas umas poucas vezes a cada ano. Ipanema já tão cantada e freqüentada pelos saudosos Tom Jobim e Vinicius de Moraes.

Sempre eu soube que temos como vizinhos astros e estrelas da Tv e do cinema. Uns moram bem perto de nós, outros um pouco mais distantes. É o caso, por exemplo, tanto da Cristiane Torloni, como da Tânia Alves, que moram na rua por trás da nossa. Bem em uma de nossas esquinas vive um casal famoso de astros globais, a Júlia Lemertz e seu marido, o ator Alexandre Borges.

Caminhando pela Visconde de Pirajá, na Praça N. Sra. Da Paz, ou em ruas transversais, constantemente cruzamos com um time muito grande de artistas, inclusive de astros e estrelas das nossas brilhantes seleções de volley e de basquete, tanto masculino como feminino. Ipanema é assim mesmo.

A turma do Casseta e Planeta tem um estúdio de gravação aqui bem perto de onde fica o meu apartamento. O jornaleiro Luís, na esquina da Barão da Torre com a Aníbal de Mendonça, meu amigo há muitos anos e vascaíno dos bons, costuma ver sua banca ser ponto de encontro de astros, estrelas e fãs.

Outro dia passamos ao lado do grande Geovani que estava esperando pelo seu filho à saída de uma Escola há poucos metros de nosso prédio na Rua Redentor. Marlene, certa vez, empolgou-se ao ver nada mais, nada menos, do que o Edson Celulari. E em outra oportunidade estivemos ombro a ombro com ele e sua esposa, a bonita e excelente atriz, Cláudia Raya.

Outra vez estivemos numa loja de roupas femininas, das várias que Lena gosta de visitar, quando nos foi dado o prazer, a honra de vermos ali, tão pertinho de nós, a grande dama do teatro e da Tv, a Ida Gomes. Recentemente ela atuou na novela das 21 horas. Sim, porque essa história de novela das 8 já era faz tempo.

A gerente da loja não se conteve e acabou dizendo à atriz que a admira muito, que ela é uma excelente profissional. Eu não resisti e acrescentei, que ela deve ser uma unanimidade nacional, claro. Das poucas atrizes de uma geração que levará muito tempo para se renovar com o talento de Ida e tantas outras remanescentes.

Quando viemos aqui no ano passado e estávamos com nossos sobrinhos netos, Adrielle, nossa linda bailarina, e Luis, seu irmão, cruzamos ali na Lagoa com Wagner Moura, o que estrelou o filme sobre A Tropa de Elite, e também com o respeitável ator, gente da melhor qualidade, o Marcos Caruzo.

Adrielle fica sempre a nos pedir que solicitemos algum autógrafo ou tiremos foto com esses astros e estrelas, mas preferimos a discrição além do inevitável e incontrolável olhar de reverência ao reconhecimento de quem tem valor.

Indo sozinha ao supermercado Zona Sul, outro dia, Lena esteve mesmo ao lado de outra excelente atriz, a Débora Bloch. Em outro dia, estando junto comigo no mesmo mercado, não só vimos bem de perto, como cruzamos por umas 4 ou 5 vezes, com a maravilhosa Elisabete Savala. Lembramo-nos do que nossa sobrinha neta já nos pedira sobre autógrafo, mas não tivemos coragem de incomodar as atrizes.

Não raras vezes já cruzei, tanto antes com Zezé como agora com Lena, com um dos melhores compositores da nossa MPB, da antiga, o meu conterrâneo, Billy Blanco. Ele mora na mesma rua em que, no começo dos anos setenta, eu fiz um curso de cinema. Numa das vezes não resisti e falei com ele. O grande Billy me deu atenção e foi simpático comigo, o que nem sempre acontece com alguns astros. Só levei um papo rapidinho, nada de pedir autógrafos. Não tenho jeito para isso.

Nós costumamos vir ao Rio sempre em um sábado à tarde. No domingo vamos almoçar no Kilograma Ipanema, um ótimo Self Service localizado aqui bem perto, quase no Jardim de Alá. Uma coisa rotineira é encontrarmos naquele local, no horário que preferimos, o nosso bom Carlos José. Quem dos meus amigos da antiga não se recorda do lindo vozeirão e do delicioso repertório deste cantor, dos melhores que conheci, que é Carlos José.

Geralmente ele e sua esposa sentam em mesa próxima a que costumamos usar. Apenas coincidência. É a mesma área em que almoçamos, atendidos sempre pelo mesmo garçom, há vários anos, como eu gosto. Ao nos ver entrar o garçom me acena e já reserva a mesa que preferimos. Nesse tipo de hábito sou mesmo conservador. Gosto de voltar onde já sou conhecido e me tratam bem.

Desta vez estavam conosco o filho de Lena, sua namorada, e uma filha dela. Ao sairmos não resisti e venci minha timidez. Quando nos aproximávamos da mesa do cantor me dirigi à Inês falando assim: “Olhe, como você é jovem, ele pode não ser do seu tempo, mas do meu lhe garanto que ele é, e é um dos melhores cantores que conheci em toda a minha vida.” A essa altura, como eu olhava para ele, o Carlos José abriu um largo e simpático sorriso para mim e respondeu: “Obrigado, muito obrigado”. Vocês não sabem como o admiro, inclusive pelo seu caráter.

A nova geração sequer o deve conhecer, mas a culpa maior é da nossa grande mídia que hoje valoriza muito mais um certo lixo cultural que se impõe por critérios, ou descritérios, de uma forte tendência de mau gosto que prevalece em nossas rádios e televisões. Poucas são as exceções como o programa do bravo Rolando Boldrin, na TV Cultura, às terças à noite.

Assim vamos caminhando entre astros e estrelas nesta Ipanema que costuma ser um celeiro deles e delas. Isso em apenas duas a três semanas que aqui passamos quando nós vimos de Cabo Frio para uma nova estada.


(31 de julho/2010)
CooJornal no 695


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
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