09/10/2010
Ano 14 - Número 705

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética


 

          

Francisco Simões



AS BAIXARIAS E O SEGUNDO TURNO

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Estamos a caminho do segundo turno e eu esperava um comportamento mais digno, mais ético, mais decente de muitas pessoas que durante o período pré-eleitoral abusaram do direito que não tinham de espalhar nesta internet mensagens do mais baixo nível, ora contra um ora contra outro candidato.

A mim pouco se me importava qual fosse o candidato de cada um, até porque o meu partido é maior que todos eles, chama-se Brasil. Decidi que neste segundo turno não esquentarei a cabeça, não ficarei a bancar o “senhor correto”, alertando um, desmentindo outro, empenhado em melhorar o nível deste espaço virtual.

Vejo, porém que já começou um certo bombardeio terrorista, nada democrático, tentando espalhar notícias fantasiosas, como um agravamento da doença de Dilma, além de alianças impossíveis, e mais denúncias, contra Serra e contra Dilma.

Ao pensar em escrever este texto ocorreu-me passar rapidamente por este assunto desagradável do “terrorismo virtual” e tecer breves comentários sobre possibilidades e critérios para o segundo turno. Parece, entretanto, pelo que já vi, que alguns não aprenderam nada com o belo exemplo que Marina Silva deu de como se comportar numa disputa de tão alto nível.

Marina Silva, a grande vencedora real do primeiro turno. Ela derrubou até os Institutos de Pesquisa que jamais lhe deram mais que 13%. Marina, a responsável por estarmos agora tendo mais tempo para pensar e confirmarmos ou mudarmos a nossa opinião.

Marina Silva que eu admirei muito por apresentar propostas concretas, ter posições bem claras, enquanto os demais fugiam sempre dos assuntos mais importantes, preferiam trocar abobrinhas, permanecendo na periferia do que a sociedade tanto reclama como saúde, educação, reformas várias, prometidas, mas até hoje não realizadas, justiça social, sim, mas sem mais planos demagógicos, etc.

Vou sentir saudades da candidata Marina neste segundo turno. Vamos ver se pelo menos agora tanto Dilma quanto Serra enfim se “descobrem” nos debates, mas em vez de ficarem a se acusar reciprocamente abrem a cortina da seriedade apresentando propostas efetivas, mesmo da boca pra fora, e nos convencem de qual pode ser o melhor para conduzir os destinos deste país nos próximos anos.

Por outro lado, considero que o amigo Floriano Albuquerque está corretíssimo quando me escreve expondo seu ponto de vista sobre legalidade e legitimidade. Numa bem feita exposição de motivos, ele lembra detalhes da atual eleição que muita gente ignora. Vejam seu argumento:

"Na recente eleição (03.10.10) para Presidente da República candidato algum conseguiu maioria absoluta (metade + 1 dos votos válidos). Em conseqüência, a decisão será em 2º turno entre os 2 mais votados, quando, então, será eleito o menos rejeitado pela maioria. O que isso significa? Simplesmente que, seja quem for o escolhido no 2º turno, terá sido eleito LEGALMENTE, mas SEM a desejada LEGITIMIDADE (por ter sido rejeitado pela maioria absoluta, no 1º)”

“E isto é importante por permitir lembrá-l(o/a) (caso seja atacad(a/o) de amnésia em relação ao juramento que prestará quando de sua posse) que, pesquisa alguma indicando excepcional aprovação de sua atuação governamental (que é o esperado, pois para isso foi o escolhido), tem o DOM de CORRIGIR A ANOMALIA, transformando a legalidade em legitimidade."

Da minha parte, me proponho a colocar este assunto com pequena, mas fundamental variação: por que se leva em consideração somente os tais “votos válidos” e não o total de eleitores inscritos para votar? Explico: se formos considerar o total dos eleitores veremos que a Dilma obteve apenas 35% da preferência do eleitorado e Serra, menos ainda, 24,4% dos votos daqueles que estavam em condições de votar.

Na minha visão isto significa que nenhum dos candidatos teve realmente a preferência da maioria dos brasileiros, como apregoam aos vencedores, na forma “legal”. Ficaram muito longe disto. Nesta visão, eles não têm legitimidade para continuarem a disputa, embora pela lei vigente possa ser “legal”.

Desconsiderar, por exemplo, as abstenções, não me parece uma forma correta de cálculo, pois quem se absteve demonstrou sua real insatisfação com os nomes apresentados. Estupidez? Pode ser, mas do jeito que fazem poderemos ter sempre um eleito por algo longe da legítima maioria dos brasileiros inscritos para votar. Nunca terá sido legitimado pela real, pela verdadeira maioria de nosso povo.

Também minha boa amiga Silvana Guimarães mandou-me um excelente texto de autoria de Paulo Wainberg com o título “Fim da Picada” que eu repassei aos amigos na quarta-feira passada. Coisas deste nível, como o artigo do Floriano e o texto do Wainberg, podem me enviar sempre, pois lerei com todo o prazer.

Relembro, aqui e agora, o final do artigo que me enviou a Silvana no qual o autor diz: “Restou-nos a Dilma e o Serra. Um deles vai ter que me conquistar, porque eu votei na Marina.” Com certeza eles vão ter que convencer, se é que conseguirão, a muitos dos quase 20 milhões de eleitores de Marina Silva e, quem sabe, a alguns dos cerca de 34 milhões que se abstiveram, ou votaram branco ou anularam o voto.

Esta troca de mensagens me interessa sempre, pessoas a escrever e opinar com seriedade e sinceridade, assumindo o que dizem, assinando artigos e crônicas, sem se esconder na poltronice do anonimato que geralmente só deseja tumultuar, espalhando boatos, mentiras, injúrias valendo-se da impunidade da internet. È só.
 

(09 de outubro/2010)
CooJornal no 705


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
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