05/02/2011
Ano 14 - Número 721

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética


 

          

Francisco Simões



MEU GRITO DE SILÊNCIO
 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Meu Deus, olha eu aqui novamente... Estou só, totalmente só neste silêncio da madrugada que machuca, que grita no fundo da minha alma. Um cachorro uiva lá fora, um uivo muito sentido, muito triste, deve ser a solidão também que o atormenta, deve ser isso.

E esta música que sempre me faz chorar, me emociona. É do filme GHOST, me lembro bem. Vi o filme muitas vezes e sempre chorei. Não consigo ouvir a música sem me emocionar e liberar o pranto, e este revela tanto... e quanto...

Nesta madrugada meio fria, e sem sono, como me sinto só, completamente só neste silêncio que dói, dói muito mesmo e parece gritar que nem nas obras do gênio Salvador Dali. Por quê?

Não sei, ou sei e não quero admitir, só isso. É simples e ao mesmo tempo complicado. Parece que algo me empurra para o vazio maior, para um abismo sem fim, sei lá. A solidão fere e dói, dói mesmo, já a conheço de outros tempos, somos íntimos, mas jamais me acostumarei a ela. Entretanto, por que este retorno agora, por quê?

Ontem a paz, o carinho, o amor, de repente a trovoada, o relâmpago, o temporal, meu Deus, por que, por que isso? Perdi o sono de novo. Não sei, mas preciso encarar tudo com naturalidade e seguir vivendo.

Não tem outro jeito, não, ou será que tem e eu é que não tenho coragem de admitir e fazer? Mas, será que é mesmo preciso? Será que há vida além do final do túnel deste silêncio?

O relógio marca o tempo, escuto o ruído dos segundos, parecem até os passos da solidão. O tempo passa e me esquece aqui sozinho. A vida parece também querer me esquecer, por quê?

Nunca fiz nada para merecer tanto castigo, então por que chegar até aqui de novo se a felicidade é tão difícil? Por que ela me ilude tanto? Por que finge e brinca comigo? Até quando vou agüentar isso outra vez? Até quando?

Sinto que estou me perdendo em mim mesmo, numa busca que se recusa a me dar a mão, que me empurra mais do que me abraça.

Será que alguém me ouve? Será que alguém ouve minhas palavras vazias e doídas, nesta dor solitária que está virando um tormento quase incontrolável?

Não sei... não sei... Apenas sei que estou só neste momento, muito só e este frio que invade minha alma, meu ser, que quase gela meu sangue, que quase congela o amor que ainda trago em mim, mas, para dar a quem? Quem ainda quererá o meu amor?

Solto meu grito de silêncio, mas parece que ninguém ouve, que nada ouve, que tudo me ignora. É como se eu não existisse, se estivesse aqui sem estar em lugar nenhum. Por que insisto em viver? Por que insisto em amar? Acho que meu tempo já passou, eu é que nem percebi e fiquei para trás.

Esta insônia me aconselha a não perder a esperança, mas que esperança? Para ir até onde? Para chegar em que lugar? Alguém me espera lá ou vou continuar só?

Não, não sei, parece que perdi o rumo outra vez, parece que esqueci de parar, pensar e desistir, talvez seja isso, desistir, porém eu queria tanto viver, ainda amar e ser amado, só isso. Será tão difícil?

Meu Deus, onde estás? Nem Tu me escutas? Ou não Te mereço mais? Vou parar, vou parar de pensar, de escrever e ver se volto à realidade, porque se esta for a realidade, vai ser difícil, muito difícil dormir e acordar feliz.

(Este texto foi escrito na madrugada fria de 04/05/2010)

 

(05 de fevereiro/2011)
CooJornal no 721


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
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