07/05/2011
Ano 14 - Número 734

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética


 

          

Francisco Simões



DE REPENTE

(Letra de música de Sílvio Cesar, no CD e DVD
Com o título de “Música e Letra”)

 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

“De repente, o longe está perto, e o futuro é agora, e o passado um sonho... De repente, o mesmo filme é outro, os novos amigos, os mesmos, e a mesma canção, mais bela... De repente, é mais difícil ser fácil, e o poder assustador, nunca foi tão assustador, e o medo da solidão, este é o pior medo que existe... De repente, as perguntas são respostas... o silêncio, palavras... e os olhos, espelhos... De repente, começa tudo de novo e é tudo a mesma coisa... De repente, mas é tão de repente...”

Pois é, meus amigos, de repente o longe está mais perto do que possamos imaginar, se é que ao menos imaginamos isto. É quando a vida dá voltas, nos leva a caminhos sem entendermos a razão, nos submete a prazeres e sofrimentos tantos de forma que um dia, sim, um certo dia, nos encontremos com o longe, e ele não só se torna perto, como passa a estar em nós.

Do mesmo jeito podemos raciocinar sobre que “o futuro é agora e o passado um sonho”. Afinal o que é o presente? Apenas um gesto, um piscar de olhos, um olhar, um suspiro, um sim, um não, tudo que logo se torna passado. Vivemos então no futuro? Talvez sim, porque ele está cada dia mais presente em nossas vidas do que aquilo que tanto chamamos de presente. Observem e concluam, amigos.

Segue o autor da letra e música afirmando que... “de repente o mesmo filme é outro, os novos amigos, os mesmos, e a mesma canção, mais bela”. Quantas vezes ao revermos uma situação, um filme que vimos há tanto tempo, em tudo e por tudo que já tenhamos vivido, não o olhamos e entendemos de forma diferente? É mais comum do que possam julgar.

Novos amigos chegam sempre, especialmente nesta internet e para quem se dedica a escrever continuadamente. Sentimos o afastamento de alguns amigos mais antigos em nossa vida sem qualquer motivo, ainda mais quando a amizade sempre se alicerçou, antes, em lealdade, acima de tudo. Todavia, se esses silenciam, nos viram as costas, os muitos novos amigos que chegam preenchem suas lacunas. Amizade jamais faltará a quem as sabe cultivar, manter, porém nunca poderemos insistir em que fiquem. Amizade não se compra, se reconhece.

Meu coração sempre comenta comigo, como seria bom que aos novos se juntassem os mesmos, de sempre. Afinal, amigo deveria ser algo recíproco e permanente. Infelizmente os mesmos são sempre os novos que chegam e nos fazem festa. Assim teremos sempre os mesmos chegando novamente. Enquanto a “mesma canção”, aquela que nos emocionou tantas e tantas vezes, parece que cada vez que voltamos a ouvi-la se torna mais bela, seja pela alegria, seja pela saudade.

Segue a música: “De repente é mais difícil ser fácil...” Cabe como uma luva se compararmos muito do que vivemos e vivenciamos em mais de setenta ou oitenta anos com tanto do que a realidade atual nos oferece ou nos obriga a ver, aceitar, tolerar, sofrer, mesmo com todos os avanços científicos, tecnológicos e outros tão decantados. Ainda mais quando a letra acrescenta...“e o poder assustador, nunca foi tão assustador,”... nunca mesmo, e pensemos que estamos no século XXI e numa sociedade que se diz avançada e democrática!!!

De repente o autor descobre: ... “e o medo da solidão, este é o pior medo que existe”... A solidão pode também ser sinônimo de medo, o silêncio que teme, que foge da ameaça, mas a solidão mais doída, mais prolongada, é a da perda. Solidão, sinônimo de saudade, quando a vida de repente, não mais que de repente, nos rouba a felicidade, nos afoga no pranto, nos empurra para o desencanto. E realmente é tudo de repente, tão de repente, amigos, eu que o diga.

Sigo a letra da música em sua busca solitária. Diz ela ... “de repente, as perguntas são respostas... o silêncio, palavras... e os olhos, espelhos...” É quando a poesia se faz presente nos seus versos. Já dissera o Dr. Alexander Lowen que os olhos são o espelho da alma porque refletem o processo de energia do corpo. Vocês devem conhecer pessoas que evitam olhar nos olhos diretamente, isto porque têm medo do que os seus olhos possam revelar.

Por outro lado, quanto “silêncio vale mais que mil palavras”, ditado também muito conhecido e verdadeiro. Se alguns silêncios guardam segredos outros transmitem, sem a fala, muitas respostas ou comentários. E, de repente, algumas perguntas carregam no seu bojo, no mínimo, um indício das respostas pretendidas. Com certeza, observem bem em certos diálogos.

“De repente, começa tudo de novo e é tudo a mesma coisa”. Isto não só define a vida como a História da Humanidade o prova. Os fatos, os momentos vividos, podem parecer diferentes, mas têm, no fundo, uma afinidade, uma analogia, uma certa identidade com fatos e momentos do passado. Sei que alguns vão discordar, porém se prestarem bem atenção e acompanharem a História da Humanidade, verão que se temos evoluções, retrocessos, divergências, a mim parece que essas só servem para confirmar a regra que a letra da música canta.

O existencial sempre foi, ao seu tempo, uma espécie de script seguido pela vida, e nada acontece por acaso ou por coincidência, é no que creio hoje. Mais não digo aqui porque não me move polemizar sobre a crença de ninguém.

Ainda mais porque sei da dificuldade do ser humano em aceitar ou se adaptar àquilo que contraria o que já está enraizado em suas convicções por anos e anos de uma pregação permanente que molda o seu íntimo e se torna a sua verdade. Ainda mais que, como termina dizendo na letra o bom Silvio César, ... “de repente, mas é tão de repente”...


(07 de maio/2011)
CooJornal no 734


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
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