05/08/2011
Ano 14 - Número 747

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética

          

Francisco Simões



MÉDICO OU DEUS? - O QUE DISSERAM

 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Quando divulguei a crônica, “Médico ou Deus?” eu tinha consciência de que poderia gerar alguma polêmica, nenhuma dúvida quanto a isso, o que não me ocorrera era receber diversos comentários de amigos e amigas abrindo o coração e expondo não só a opinião como dando exemplos ocorridos com amigos e familiares.

Alguns eu guardei para de alguma forma voltar ao assunto sem identificar quem fez os referidos comentários, claro. Certamente as queixas e/ou denúncias que recebi poderiam ser em maior número, mas muitos se omitem, preferem o silêncio a dizer a verdade e se comprometer. Tudo bem, respeitamos. O que me chegou foi mais do que suficiente para provar que não fui leviano ao escrever aquele texto.

Vou começar por este breve relato. É parte de uma longa mensagem. Disse a amiga: “Tenho um médico que é da Medicina Integral, uma medicina oposta a tudo que se faz na convencional. Contra estatinas, fibratos, tudo que baixe colesterol. Na verdade esses medicamentos acabam com o fígado...”

Acreditem, é a pura verdade. Quando tive o piripaco que me levou pela primeira vez na vida, já aos 72 anos, a um cardiologista, muito prestigiado, com quem estou até hoje, além do meu médico de homeopatia, me foi receitado o Lípitor – 10. Era para baixar meu colesterol. Apesar do que me acontecera meu colesterol era apenas 180, normal para a idade, assim me disse meu médico antigo e de minha total confiança, mas preferi seguir meu cardiologista nesta indicação.

O resultado foi que de repente meu colesterol total despencou para apenas 110. Uns dizem que é um exagero, então reduzi a dosagem do lípitor (estatinas), em vez de tomar todo dia, passei a tomar apenas 3 vezes por semana. Mantenho o colesterol, assim mesmo, entre 110 e 120. Este patamar é para pessoas bem mais jovens que eu. Enquanto isso, concordando com a amiga acima, o lípitor pegou forte no meu fígado que passei a defender com gotas da homeopatia.

Vamos seguir com outros comentários: “Minha tia se tratou anos a fio de glaucoma para depois saber que nunca tivera tal condição... Agora veja, artrite reumatóide pode ser diagnosticada através de exame específico, como disseram que ela tinha sem esse exame? (Aqui ela se referia a minha Marlene que descobriu agora ter, porém, fibromialgia...) Que coisa, amigo... Certa vez perguntei a um médico que não examinava se ele tinha olhos de RX... ele quase desmaiou. Ficou roxo de raiva.”

Um amigo assim se expressou em sua mensagem: “Gostei de seu artigo. Esclarecedor. O desempenho dos médicos é um caso sério. Ao longo da minha vida, também já os conheci competentes, alguns arrogantes, outros desidiosos ou mesmo incompetentes. Um dermatologista disse que minha filha tinha psoríase, quando era uma simples micose de praia; outro disse que minha mulher tinha pancreatite aguda (por isso ficou internada em CTI por 5 dias), que não foi confirmada depois pelos exames de tomografia...”

E casos de erros ou enganos médicos se sucediam. Eu lia, relia, e guardava numa pasta para ver o que fazer depois. Entendam que errar é humano, mas em certas profissões o erro pode ser catastrófico. Por isso julgo que em medicina, por exemplo, há que se ser muito mais cauteloso, atento, acima de tudo um profissional competente e responsável, ater-se a todos os detalhes que possam colaborar para um diagnóstico correto, como diz o meu cardiologista, “nós lidamos com vidas humanas, temos uma imensa responsabilidade.”

De outra amiga recebi um comentário do qual extraí apenas este trecho: “Tem tudo a ver, amigo... Parece até com meu irmão que foi operado de catarata - estava vendo muito embaçado - mas o problema era a MIOPIA que avançara ...”. – Pois é.

Alguns depoimentos tiveram um forte tom de revolta com as quais eu concordei: “Fora meu melhor amigo-criança, morreu com meningite fulminante após ter sido examinado e deixado de lado por 24 horas enquanto os médicos brigavam e depois conversavam. Isso eu levei aos jornais. Mas ele se foi... seu último sorriso ele deu para mim e disse ao pai para não chorar. Ele tinha apenas 11 anos,...”

E prosseguiu meu bom amigo um pouco mais em sua narrativa: “Meningite meningocócica fulminante - meningococemia. E a briga foi: amidalite versus meningite, mas não decidiram e ele se foi.... eu nunca esquecerei aquele quadro... (Aqui eu retirei mais algum desabafo feito pelo amigo) ... Por isso peço que Deus me dê mais alguns anos de vida porque nesses anos quero colocar muita coisa pra fora.”

Houve quem se referisse ao detalhe que realcei em meu texto anterior, ou seja, o fato de alguns médicos insistirem em dar “prazo de vida”, ou “de morte”, para um paciente de forma não a justificar, mas a parecer entender este tipo de atitude. Disse o amigo: “Os médicos, até acredito que não por vaidade, soberba ou lá o que seja, muitas vezes dão prazos para os pacientes, talvez até pensando mais nos familiares do que no doente. Erram, com muita frequência, não há dúvida.”

Lembro aos amigos que na minha família houve pelo menos um caso desses em que os médicos desenganaram a Vivi, que fora nossa empregada e morava conosco. Deram-lhe uma semana de vida e ela viveu mais 20 anos, morrendo aos 86 anos de morte natural, não pelo motivo da antiga doença.

Igualmente na família da minha saudosa segunda esposa, houve o caso da filha de um sobrinho que, por estar tão fraquinha, ainda bem jovem, foi desenganada e consideravam sua morte iminente. Relatei este caso com detalhes em outra crônica e falei que de repente ela começou a se recuperar, sem que houvesse qualquer intervenção de médico, e continua viva e saudável há mais de 15 anos.

Encerro este texto com mais uma declaração de amigo da maior confiança, como todos cujos relatos usei aqui, que me apresentou exemplo vivido de perto por ele: “Certa vez, em minha casa, dois médicos ficaram tomando um cafezinho na sala de jantar enquanto meu pai estava no quarto com problemas cardíacos. Esta era a razão porque eles lá estavam. Um deles era da família. Foram sábios e nada disseram, mas estavam esperando o desenvolvimento de uma fibrilação, creio, que se passasse de um lado para o outro seria fatal. Pois o meu pai ainda viveu dezenas de anos.”

Sem mais comentários, ou melhor, chega de comentários. Fico por aqui.


(05 de agosto/2011)
CooJornal no 747


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
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