12/08/2011
Ano 14 - Número 748

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética

          

Francisco Simões



A AMIZADE VIRTUAL DE CORAÇÕES REAIS

 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Confesso que sempre soube poder contar com muitos amigos e amigas nesta internet nesses mais de dez anos em que aqui estou a escrever e mais escrever, me correspondendo também, me comunicando com todos que a mim se dirigem.

Claro que uns se comunicam mais comigo, outros menos, outros raramente, porém sempre soube que jamais me abandonaram. E vejam que teve que acontecer aquele sério problema com meu computador, em que meu HD, ou o dele, simplesmente “faleceu” para que se confirmasse minha certeza de que amizade não me falta e apoio muito menos.

No primeiro momento ao ter a notícia dita pelo técnico eu fiquei totalmente perdido, como se diz, não via a luz no final do túnel. Meu Deus, tudo perdido? Tantos anos de um trabalho que já se aproximava de 800 crônicas e tantas poesias, tudo de repente não mais existia? Perdi mesmo o rumo, confesso.

Aos poucos fui me lembrando do estrago imenso que a “morte” do HD, o cérebro do meu computador, me provocara. Num imenso Álbum de fotos eu fora colocando, nesses mais de dez anos, registros tantos de minha vida desde criança, fases de um viver já muito longo, viagens tantas, minhas melhores Fotos Artesanais, registros de exposições que delas fiz, nossos lindos cachorrinhos acompanhados desde o nascimento até agora, meus casamentos, o segundo e o agora com Lena, casas, natureza, enfim tudo estava ali.

Sem qualquer aviso tudo que antes era parecia que de repente deixara de ser. O tudo virara nada. Aos poucos me bateu um desespero, uma agonia, eu que já vivera algo parecido, embora mais forte ainda, pois se tratava de vida real tão recentemente. Como isto podia acontecer com equipamentos tão modernos, dito avançados, uma tecnologia tão decantada, como? Eu fazia meus backup vez ou outra, mas agora espaçara demais. Confiara demais no que agora sei só é confiável até certo ponto. Um “pendriver” moderno que pode queimar só no pôr e tirar?!

Achava que o cérebro de um computador moderno duraria a vida inteira. Que idiota descobri que eu era. Ao ouvir do meu técnico que o HD da minha máquina, com 40 GB, durara até muito tempo, pouco mais de dez anos. Ele me afirmou que os HDs de hoje, como o que ele instalou em meu computador que tem 500 GB, pode durar talvez uns cinco anos, mas que eu não confie demais nisso. Meu Deus, tanto que antes eu evitara sentar nesta cadeira e mergulhar neste mundo virtual!

Meus queridos sobrinhos zombavam de mim por eu preferir minha máquina de escrever Práxis 20, por gostar de ir ao Banco e pagar contas, por confiar nos Correios e no papel de cartas, e eventualmente no telefone para falar com amigos e parentes à distância. Logo fui me deixando seduzir por tudo que podia me oferecer esta parafernália eletrônica e quando me dei conta já cá estava a escrever e mais escrever, a abrir caminhos para meus escritos, a fazer amizades, ditas virtuais, e a reencontrar aqui amigos reais que eu não via há tantos anos.

Passei a ter alegrias e decepções, tal como no mundo real. Felizmente muito mais alegrias. Meu Catálogo com endereços de e-mails foi crescendo, e mais crescendo. Alguns nomes no decorrer do tempo sumiram, outros chegaram, uns poucos voltaram, mas não posso me queixar, e não posso mesmo. Tive a certeza, agora, justo nesses dias em que cheguei a ficar no silêncio, sem comunicação com ninguém, por uns dois a três dias. Demorou mas consegui divulgar um comunicado escrito com muita emoção. Eu sou humano, não sou máquina, muito menos virtual.

Ao tomarem conhecimento do que me acontecia muitos amigos e amigas, de todos os lados, de todos os rincões, logo começaram a me escrever prestando sua solidariedade, tentando me consolar, ou então oferecendo ajuda, dando muitas sugestões, e quantas. Houve quem me apresentasse até um técnico, seu amigo, para me prestar o socorro de que preciso para tentar salvar, do meu HD antigo, algumas informações por demais importantes.

O que inicialmente eu julgara totalmente perdido, agora um dos meus bons amigos da antiga me fazia renascer a esperança de recuperação de uma memória imensa e maravilhosa. Isto será feito breve, assim que formos ao Rio. Quando, ainda não sei. Confio que vai dar certo. Este amigo chegou a perder meio livro, escrito e salvo, mas no computador, e quando ocorreu o pior, lá se foram tantas páginas perdidas.

Nas muitas informações que recebi fiquei sabendo que alguns já usam um HD externo. Este parece que recolhe informações diárias de tudo que fazemos no computador e seria assim uma garantia a mais para qualquer eventual desastre como o que me aconteceu. E antes eu jamais ouvira falar nisso.

Lamentei muito os endereços de e-mails que perdi, pois eu fizera cópia do meu Catálogo em dezembro/2009, e assim, todos os amigos e amigas que vieram a mim depois no momento não tenho como me comunicar com eles e elas. Quem sabe o técnico que vai recuperar informações no HD antigo me dá também este presente, esta alegria de volta, quem sabe? Estou na expectativa. Espero que me escrevam.

Deixo de citar os nomes de tantos amigos e amigas que me socorreram, que me estão ajudando, porque acabaria por cometer alguma injustiça esquecendo alguém. Não importa, não minto e todos que me escreveram, me ajudam ainda, sabem que falo a verdade, isso é o que me importa.

Aos poucos vou pondo as coisas em ordem. Sei que levará um bom tempo para eu me reorganizar, mas não desistirei. Afinal agora no dia 17 chegarei aos 75, e conservo em mim muito de luta, de derrotas e sucessos do passado, sabendo que sempre acabei levantando novamente a cabeça e seguindo em frente. Aprendi a ir tirando “as pedras do caminho”. Vou conseguir outra vez, ainda mais com a amizade virtual de tantos corações reais, sinceros e leais. Obrigado a todos.
 


(12 de agosto/2011)
CooJornal no 748


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
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