26/08/2011
Ano 14 - Número 750

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética

          

Francisco Simões



NÓS E A NATUREZA
 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Em textos anteriores já comentei este nosso delicioso relacionamento com a Natureza aqui em casa. Antes eu narrara episódios sobre o mesmo assunto ocorridos quando eu morava em minha casa no bairro do Braga. O mais triste foi quando vimos um passarinho caído na varanda de casa tendo uma perna partida.

Uma veterinária residente no mesmo condomínio nos disse que ele não sobreviveria. Marlene pegou uma toalha macia, colocou em suas mãos e o deitou ali enquanto aquela pequena ave sucumbia aos poucos. Eu me mantive ao lado de Lena nos minutos em que acompanhamos a morte de um ser tão frágil da Natureza que tanto amamos. Foi triste.

Sei que alguns não entenderão esta nossa atitude, mas isso não é importante. Posteriormente falei sobre nossa convivência pacífica e feliz com elementos da Natureza aqui nesta nova casa onde vivemos. Lembro ter comentado sobre as árvores que temos, ou seja, uma bela mangueira, duas bananeiras, uma laranjeira, uma árvore de acerola, além das plantações que Lena periodicamente vai tocando.

Um dia ela resolveu plantar abóboras, porém jamais imaginamos que aquilo fosse crescer tanto a ponto de tomar grande parte do quintal, “virar a esquina” em frente à nossa varanda externa, e quase invadir esta. Fiz muitas fotos, algumas eu divulguei, exibindo abóboras de imenso tamanho. Tudo muito saudável, sem agrotóxicos. Comemos da plantação de Lena e ainda distribuímos entre parentes e uma vizinha amiga. Depois a encerramos, pois a coisa fugia ao nosso controle.

Sempre temos aqui plantadas ervas variadas, inclusive medicinais, e agora Marlene voltou a recompor a horta de antes. Está ficando uma beleza e para isto tivemos que comprar seis sacos de esterco, uma boa quantidade de terra preta e pó de serra.

Os canteiros foram muito bem arrumados por ela e já começam a dar resultado. Já temos inclusive mostarda, alface, repolho, acelga, salsa, cebolinha, couve, beterraba, pimentão, tudo da melhor qualidade e sem agrotóxicos. Dá gosto ver as plantinhas nascendo, crescendo, a horta a cada dia ganhando mais vida. Uma das vantagens de morar em casa e ter um bom terreno, sabendo aproveitá-lo, claro.

A nossa festa maior são os passarinhos. Temos por aqui, numa convivência quase familiar, andorinhas, beija-flor, bem-te-vi, entre outros. Já documentei em fotos ninhos diversos, o nascimento de várias aves e divulguei esses fatos em foto crônicas.

Não me esqueço do dia em que, tendo um filhote em ninho na nossa laranjeira, de repente vimos um dos pais junto com o filhote, no gramado, como que ensinando-o a levantar vôo. O pequeno já tinha asas crescidinhas, porém não demonstrava ainda segurança para se arriscar a assumir a vida sozinho. Não permaneci olhando para não os assustar de modo que não sei como terminou aquilo. O fato é que depois vi que o filhote não estava mais no ninho.

Os passarinhos passeiam à vontade tanto no nosso quintal como na garagem, na varanda e, acreditem, até dentro de nossa casa. Outro dia nós conversávamos, eu na sala e Lena na copa, quando vimos um passarinho vindo pelo corredor que leva aos quartos. Isto nunca tinha acontecido. Voar aqui dentro sim, mas entrar pela janela de um dos nossos quartos, era a primeira vez.

Ele passou pela copa e se acomodou no alisar da porta que dá para a garagem. Depois alçou vôo e pousou numa das pás do ventilador da sala. Divertiu-se quanto quis e finalmente, sem se despedir, saiu pela porta que dá para a varanda da frente.

Não sou santo nem pretendo ser, embora me chame Francisco, todavia algumas vezes brinco com eles sem os assustar. Falo mesmo, assovio, e a resposta deles geralmente é com seu lindo canto. Quando estamos ouvindo boa música é comum eles se aproximarem. Devem ter bom gosto musical.

Muito curioso foi o que ocorreu recentemente. Um passarinho entrou e ficava a ir de um lugar para o outro. Chegou a se colocar em cima de dois armários na cozinha. Depois de algum tempo parado, ele mudava de pouso, mas sem sair daqui. Esta aventura começou pela manhã e, à noite, acreditem, ele ainda cá estava. Passou a ser mesmo um membro da família. Dormiu dentro de casa.

Em certo momento me lembrei de uma borboleta grande, já bem idosa, que entrou em minha casa no Braga, porém estava procurando um lugar para morrer. Foi o que me dissera um amigo. Ele acertou. Ela permaneceu horas no mesmo lugar e no dia seguinte quando fomos ver ela não tinha mais vida.

Cheguei a pensar que o tal passarinho teria entrado aqui também para buscar um lugar sossegado para morrer. Felizmente errei. Na manhã seguinte ainda o vimos na sala, mas horas depois ele saiu e voltou ao seu habitat. Foi uma alegria muito grande vê-lo voando com desenvoltura.

Por que ele fizera aquilo? Desculpem, não sei, não faço a menor idéia, mas ele podia sair no momento que desejasse, porém fez questão de aqui permanecer o dia e a noite inteira, saindo apenas no dia seguinte. Em liberdade total, jamais usamos gaiolas. Aliás, nós as detestamos.

E neste exato momento um sobrinho acaba de descobrir que um filhote de andorinha entrou na sala, mesmo estando quase tudo fechado face ao frio que está fazendo. Reparamos que ele ainda não deve saber voar e isto nos criou um dilema: o que fazer para ajudá-lo? Não vimos nenhum ninho e assim o colocamos num galho da nossa laranjeira. Esperamos que os pais o venham ajudar.

Acho que já contei histórias demais por hoje sobre esta deliciosa convivência entre nós e a natureza que nos cerca. Que assim continue sendo. O próximo passo é aguardar o crescimento, que já está ficando evidente, da grande e linda horta organizada por Marlene.
 


(26 de agosto/2011)
CooJornal no 750


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
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