30/09/2011
Ano 14 - Número 755

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética

          

Francisco Simões



MINHA VOLTA AO JARDIM BOTÂNICO

(25 Anos Depois)

 

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Foi no ano de 1986 quando eu havia me aposentado do Banco do Brasil e a seguir dado uma entrevista na então TV Manchete para o Clodovil Hernandez, falecido. O assunto fora minhas “Fotografias Artesanais” e meus planos de fazer algumas exposições das mesmas, fora dos salões da ABAF, onde aprendi a Arte Fotográfica com grandes mestres. Eu já conquistara muitas premiações nos salões mensais e anuais da querida ABAF.

E tudo se concretizou. Primeiro expus no Salão de Arte da AABB – RIO – LAGOA. Felizmente tudo correu como eu esperava e o êxito desta me levou a muitas outras exposições, inclusive na Galeria de Arte da artista plástica Lenita Hotz, em Teresópolis, assim como em alto mar no transatlântico Eugênio-C, e depois em Lisboa na APAF – Assoc. Portuguesa de Arte Fotográfica, entre outras.

Mas minha segunda exposição de Arte Fotográfica no ano de 1986 aconteceu justamente no magnífico Espaço de Arte do Jardim Botânico. Em homenagem ao lindo parque do JB decidi fotografar boa parte de seu imenso espaço, trabalhar as fotos como Fotografias Artesanais, e as expus junto com mais umas poucas fotos de Natureza feitas em outros lugares.

Saudades muitas dos 30 dias que durou a exposição. No Livro de Visitas estavam registradas muitas opiniões, algumas de pessoas ilustres que por lá passaram. O jornal O GLOBO anunciou com destaque o evento e o JB também. Eu realizava um dos meus planos pós-aposentadoria do Banco do Brasil, o outro era ir viver na Europa, como fui, por quatro longos períodos, a partir de 1989.

Porém naquela tarde nublada de final de inverno deste ano de 2011, eu passeava com minha esposa Lena, sua irmã Bete, de Vitória, que nunca viera ao Rio, e Grasi, filha de Lena. A certa altura, enquanto elas se afastaram um pouco, eu preferi sentar em um banco, ouvir os passarinhos e sentir o carinho da brisa suave.

Eu curtia o silêncio quando duas jovens se aproximaram e me vendo só com uma câmera na mão, foram educadas e muito gentis ao me perguntarem se eu queria que elas me fizessem algumas fotos, pensando que eu não tinha companhia. Sorri, agradeci, apontei para minha esposa, cunhada e filha, e disse a elas o seguinte:

“Sabe, minhas jovens, eu estou aqui a curtir recordações de 25 anos passados, quando certamente as amigas ainda nem haviam nascido. Aqui mesmo eu fiz uma linda exposição de Arte Fotográfica durante um mês com fotos exclusivas que registrei deste bonito parque. Saudade, amigas, muitas saudades, mas que ajudam a viver. Triste de quem não tem um passado para levar pro futuro.”

Uma delas sorriu ainda mais e falou que adora fotografia. Conversamos mais um pouco e logo elas seguiram seu caminho deixando-me com minhas lembranças. Mais uns dois minutos e retomávamos nossa caminhada pelo parque a fotografar e mais fotografar. O reencontro com árvores que já estão ali há décadas, ou séculos, tão viçosas quanto antes.

Nas fotos que resolvi colocar junto com este texto vocês verão o “cupim de terra solta” e seu gigantesco cupinzeiro, mas não julguem mal, eles deixam aquilo crescer uma barbaridade, porque este tipo de cupim só come à noite e se alimenta de várias coisas, porém não ataca a árvore. Sabiam?

Verão o grande lago de água corrente onde proliferam muitas vitórias régias. Já as vi lá em maior quantidade, mas ainda há muitas. Sabem que elas podem chegar a ter 2 metros de diâmetro? Amo a Natureza. Convivem com elas alguns peixes de água doce. Visitamos e registramos também a conhecida Mesa do Imperador. Diz a placa que lá costumavam fazer suas refeições D. Pedro I e D. Pedro II quando visitavam o JB. Eles tinham muito bom gosto, sem dúvida.


Muito do que vimos registramos em fotos e aqui colocarei apenas algumas delas, mas mesmo assim serão bastante. Ângulos variados do imenso parque onde a Natureza se exibe de forma exuberante e eu procurando testar minha antiga habilidade com a câmera fotográfica.


A visão do Cristo Redentor por uma das alamedas do Parque, a árvore que tem um galho imenso e grosso a pender qual a tromba de um elefante, etc. Minhas três “modelos” também tiveram seu espaço, claro. Até eu cheguei a posar em um tronco centenário. Estávamos todos muito felizes.

Ao final coloco algumas poucas fotos recordando a exposição que fiz em 1986 no lindo Espaço de Arte do Jardim Botânico, por 30 dias, com minhas “Fotografias Artesanais”. A casa que abriga o referido Espaço de Arte é muito bonita. Vocês me verão na última das fotos com apenas 50 anos e uma vasta cabeleira ainda toda pretinha. Talvez quase nenhum de vocês esteve naquela minha Exposição.

Retirei bastante os pesos das fotos para lhes enviar sem problema. Olhem todas, garanto que não vão se arrepender. Uns estarão revendo o Jardim Botânico, outros certamente o verão pela primeira vez. Vale sempre a pena. Foi mesmo minha volta ao JB após 25 anos, ou desde 1986. Aproveitem e se puderem, comentem o que verão. Agradeço de coração.



(30 de setembro/2011)
CooJornal no 755


Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
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