27/04/2012
Ano 15 - Número 784


 

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética

 

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Francisco Simões


ONDE HÁ LOMBADA FALTA EDUCAÇÃO

Francisco Simões, cokunista - CooJornal

Eu estava para escrever sobre este assunto há algum tempo, mas deixei para agora por causa do que a Prefeitura de Cabo Frio fez com nossa rua. Após uma obra gigantesca que nos impediu de sair com nosso carro por mais de um mês, obra feita sem qualquer aviso prévio aos moradores da rua, quando finalmente a completaram eu descobri a novidade.

Acontece que sempre fui um crítico feroz da imensa quantidade de lombadas existentes em nossa ainda linda cidade, apesar de tudo. Não há rua, não há bairro onde não hajam plantado lombadas de todo tipo e para todos os gostos, das oficinas de carro, e desgostos de proprietários de veículos.

Se umas ao menos foram construídas com certo cuidado e técnica de modo que não causem danos aos carros que por elas passam constantemente outras foram, e continuam a ser construídas, sem técnica alguma, sem placas indicativas, sem pintura para chamar a atenção, (como manda a lei que inventaram para justificar lombadas) e estreitas e altas, feitas somente com os paralelepípedos das ruas, difíceis de serem vistas pelos motoristas, especialmente à noite.

Não sei qual foi a mente iluminada (?!) que talvez em algum dia sofrendo, desculpem a expressão, de disenteria cerebral, teve essa idéia que logo outros acharam por bem de copiar, alastrando-se pelo país afora as tais agressivas lombadas. Nossa cidade deve ser a que mais contém essas excrescências em todo o Brasil. Um “título” de que jamais iremos nos orgulhar.

Não é à toa que circula uma piada que, no seu bojo, carrega uma grande verdade. Contam alguns que certo brasileiro, estando em Portugal e tendo passeado por várias estradas lusitanas, reparou que não existiam por lá as lombadas. Um dia chegou-se a um cidadão português e comentou sobre sua estranheza. O cidadão luso perguntou do que ele estava falando e para o que servem as referidas lombadas! O brasileiro, fazendo pose de professor, deitou falação:

“No Brasil quando temos determinados lugares em que é muito necessário os motoristas passarem em velocidade mais reduzida colocam-se as lombadas que os obrigam a frear e reduzir a marcha. É uma questão de segurança.”

Pasmo e surpreso com aquela explicação, o português arrematou: “Desculpe lá, amigo, cá em Portugal, para essas situações, usamos as placas de trânsito que indicam velocidade reduzida, pois.” Eu diria “bem feito” porque a razão estava toda com o cidadão lusitano.

Aqui no Brasil quando se passou a usar lombadas em exagero admitiram que o brasileiro é mesmo mal educado no trânsito. Algumas são construídas pelos Detrans Estaduais, porém outras o são por pessoas não qualificadas para fazer aquilo, mas fazem e ninguém fiscaliza ou proíbe.

Hoje elas existem por todo lado feitas por qualquer um que queira que passem mais devagar até em frente à sua casa e mesmo em estradas onde pagamos pedágio. Um absurdo que tornaram oficial, permitido, e legal. Barbaridade.

Aqui em Cabo Frio o exagero é tamanho, em todos os bairros, que só na orla da praia existem quase 20 lombadas, umas tão próximas das outras que só dá mesmo para usar a segunda marcha. O trecho é mais ou menos de 2 quilômetros apenas. Claro que isto aumenta o consumo de combustível de cada veículo além de, com tanto tranco, sobe e desce, quem agradece devem ser as oficinas, claro.

Na orla eles alegam segurança para os banhistas, como se esses não devessem ter atenção, só atravessar nas faixas de pedestres (e há varias por lá) em vez de se atirarem para cima dos carros em qualquer lugar.

Em vez de ajudarem na educação do trânsito as autoridades colaboram e incentivam é a deseducação das pessoas quando pedestres. Desculpem, mas está tudo errado. É a minha opinião, mas não estou só. Aqui cabe até a pergunta: por que então no Rio, na orla toda, especialmente Copacabana (6km), Ipanema e Leblon (4 km) não existem lombadas??

Pois bem, de tanto eu criticar este exagero de lombadas nesta cidade, grande parte delas feitas sem nenhuma técnica, sem nenhum aviso, sem nenhuma pintura no chão, descobri, quando terminaram a grande obra aqui em nossa rua México, que a própria Prefeitura colocou quatro (4) lombadas, das feitas apenas com paralelepípedos, sem qualquer sinalização, mas oficialmente, em um trecho de cerca de apenas um quarteirão.

Imaginem que agora quando saio da minha garagem se viro para um lado ou para o outro não tenho como escapar, já encontro as ditas cujas há poucos metros de nossa casa. Parece até implicância!!!

Qualquer dia acabarão descobrindo que temos por aqui quase tantas lombadas quanto de população residente. Guardado o devido exagero na crítica, acreditem, o percentual entre uma e outra deve estar bem elevado. Se para alguns tolos elas servem de “segurança” para outros têm dado motivo é para acidentes.

Certo está é o português da piada acima. Acorda Brasil. Da minha parte termino como comecei este texto: “Onde há lombada falta educação.”
 

(27 de abril/2012)
CooJornal nº 784



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
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