18/05/2012
Ano 15 - Número 787


 

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética

 

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Francisco Simões


O VACILO CULPADO, SEMPRE

Francisco Simões, cokunista - CooJornal

Refiro-me ao caso ocorrido com certa atriz Global recentemente, nesta internet. Pelo noticiado na mídia um hacker teria invadido o computador dela e após retirar informações sobre a atriz, incluindo fotos, teria tentado chantageá-la, ao que ela se recusou.

Ato seguinte parece que fotos da atriz teriam sido exibidas pela internet, algumas em que ela estava na sua maior intimidade. Este tipo de coisa é uma indignidade, sem dúvida alguma, como se configura também em crime. Desta feita porém os hackers parece que se deram mal. Foram descobertos após um excelente trabalho de rastreamento da polícia que acabou chegando a eles.

Julgo que é a primeira vez que alguém agindo de forma criminosa neste espaço virtual, no Brasil, acaba descoberto e detido. Não sei como anda o caso em termos de julgamento dos culpados.

Agora vamos às causas do ocorrido. Todos sabemos que até hoje ninguém, da marginália virtual, pode invadir o computador de quem quer que seja se alguém não lhe facilitar a entrada, seja por desinformação, seja por descuido, seja por curiosidade (e como tem “vítimas” deste caso), etc.

Muitos têm sido os alertas espalhados tanto na mídia em geral, especialmente na televisiva, como aqui mesmo em constantes mensagens divulgadas avisando deste ou daquele risco. Como diria alguém “falta de aviso é que não é”.

Vamos ao meu caso em particular. Recebo diariamente mensagens carregando vírus com tentativas de me pegarem em distração. Ocorre que eu faço sempre uma seleção das mensagens que me chegam ainda dentro da mala postal do meu provedor. Ali eu marco tudo que não me interessa, que parece suspeito, que não vem de fonte segura, etc. Essas eu apago ali mesmo.

Mensagens de Bancos dizendo que preciso atualizar meu cadastro, outras com oferecimentos diversos, algumas me convidando a participar do facebook de alguém (seja de quem for eu apago, não gosto desses sites de relacionamento), além dos variados anúncios de que fui sorteado para isto ou aquilo e um monte de mentiras que só podem atrair quem seja mesmo muito curioso, bobo e descuidado em excesso.

Só entram para o computador as mensagens realmente seguras. Mesmo assim canso de alertar amigos sobre envios sem identificação. Refiro-me a mensagens que trazem algum anexo e nenhuma palavra no corpo da mesma. Alguns insistem em simplesmente mandar algum anexo e nada dizer de seu na mensagem. Isto me deixa sempre em dúvida quanto à seriedade do envio.

Pior é quando consulto o amigo ou a amiga sobre aquele envio mal feito, ou incompleto, e ainda se aborrecem comigo. Nem ligo, apenas apago e pronto. Tenho estado tranqüilo e trabalhando seguro já há muitos anos e meu bom antivírus vive repousando, pois nem costumo lhe dar trabalho.

Mas, voltando ao caso da atriz Global, soube eu que ela declarara em entrevista ter recebido certa mensagem que parecia, repito, apenas parecia ser de seu provedor. Convenhamos que em caso de dúvida deve-se consultar o provedor. Eu já fiz isso e até já alertei o meu quando recebi mensagens idênticas que me pediam para refazer meu cadastro. Era evidente que aquilo não vinha deles.

Eu soube também que mesmo apenas “parecendo” ser do provedor dela, a jovem atendeu ao que lhe era solicitado. Parece que enviou seus dados cadastrais em resposta a tal mensagem duvidosa, incluindo a senha que usava. Ora, jamais se deve fazer isto. Como diria certo amigo meu, ela “entregou o ouro ao bandido”.

Quando me chegam mensagens vindas como sendo do meu provedor pedindo essas mesmas informações eu as apago de imediato, ou então, como já fiz antes, alerto o meu provedor dizendo que outras pessoas menos avisadas ou distraídas demais podem cair naquela arapuca. Eles dizem que entram em contato com o administrador do provedor do remetente para adotar providências cabíveis.

Sinto que fiz a minha parte, só lamento que pessoas como a referida e simpática atriz Global tenha se deixado levar por uma “certeza” que ela mesma confessou não ter naquele momento.

Eu vi certa autoridade em informática dizer num jornal da TV que é importante se ter sempre um bom antivírus. Claro que é, mas de que adianta tê-lo e acabar tomando decisões que contrariam o que o antivírus condenaria? Algumas pessoas não resistem a clicar onde não devem, onde é totalmente desaconselhável fazê-lo.

Haja curiosidade maldita e o vacilo é que leva a culpa. Responder a qualquer pergunta ou seguir instruções que venham em mensagem de origem não confirmada, como foi o caso daquela jovem atriz, só pode levar quem faz isso a noites sem sono ou problemas piores.

Desculpem, é muita falta de bom senso.
 

(18 de maio/2012)
CooJornal nº 787



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
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