27/07/2012
Ano 16 - Número 797


 

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética

 

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Francisco Simões


VOLTANDO AO DETRAN

Francisco Simões, cokunista - CooJornal

Recentemente divulguei um texto no qual narrei o meu atendimento, no começo deste mês de Julho, em novo exame para renovação de minha habilitação de motorista. Eu disse a verdade, nada mais que a verdade, do que se passou dentro da sala do exame a que fui submetido. Reportei-me também e rapidamente a outra situação que me aconteceu há uns 6 anos, em outro exame com o mesmo fim.

Como de hábito recebi diversos comentários de pessoas que lêem minhas crônicas e decidem escrever-me sobre o meu trabalho, o que agradeço, aprovo, e gostaria apenas que mais leitores seguissem este exemplo, mas no Brasil nem sempre as pessoas estão acostumadas a escrever ao autor, seja sobre o que for.

Hoje resolvi ser eu quem vai comentar, mesmo rapidamente, parte das mensagens que recebi sobre meu texto “A Que Leva Isso, DETRAN?” Infelizmente não poderei dizer tudo que me disseram, pois não estou autorizado a fazê-lo e para preservar a privacidade de quem confiou em mim contando seus exames.

Posso, entretanto dizer que as informações a mim enviadas vão desde o maior relaxamento, ou a maior incúria, de um examinador até situações bem absurdas que não deveriam acontecer caso o DETRAN, ou o DENATRAN, estabelecessem normas rígidas para os tais exames a serem seguidas pelos médicos, ou lá o que sejam, por eles autorizados. Pelo que sei nem todos os examinadores são oftalmologistas, alguns inclusive são ginecologistas.

Um amigo me disse que em exame recente pouco ou quase nada foi exigido dele. Por exemplo, o examinador pediu apenas que lesse rapidamente algumas letras bem grandes e em seguida ficaram os dois a papear divagando sobre assuntos diversos. Aliás, isto nunca aconteceu comigo, nunca tive tal moleza em exame.

Por outro lado os tais considerados mais “exigentes”, e eles existem em toda parte, ou em toda cidade, levaram outro bom amigo meu de muitos anos, como eu, a desistir de se submeter novamente àquilo e a não mais dirigir.

Ele tomou uma decisão na qual já andei pensando também, porém levo em conta não ser justo eu desistir de fazer algo de que gosto, e que tenho competência para fazê-lo, mesmo agora nos meus 76 anos, um direito inalienável, ainda mais quando meus olhos, em dois exames oftalmológicos nesses três últimos anos, tiveram o grau dos óculos reduzidos.

Na minha idade e tendo um grau pequeno, podendo até ler e dirigir sem óculos se o desejar, eu espero resistir e, aconteça o que acontecer em novo exame, manter minha decisão de não desistir de dirigir só por causa de algum examinador que transforme o exame numa espécie de “tortura” ou algo parecido.

O fato é que pelas histórias a mim contadas nos comentários que recebi sobre aquela crônica mais se confirmou a total falta de critério usada por cada examinador, sendo a maior responsabilidade do próprio DETRAN que os qualifica para exames, porém não deve estabelecer normas de conduta de como eles devem agir. Afinal tudo tem que ter limite e preconceito contra pessoas idosas jamais pode ser admitido.

Faço aqui um parêntesis apenas para lembrar quando minha segunda e saudosa esposa, falecida em Junho/2003, certa vez foi examinada por uma jovem, no Rio, num posto que havia próximo ali da Gávea, que exigiu dela o impossível e fez de tudo para reprová-la. Minha esposa ainda era também bastante jovem. Acabou por afirmar que os óculos de minha esposa não estariam com o grau correto e mandou-a ir ao oftalmologista submeter-se a exame.

Ocorre que fazia poucos dias ela estivera no nosso oftalmologista, junto comigo, e pela consulta seus óculos foram devidamente corrigidos no que concerne ao grau. Mesmo assim retornamos ao médico e contamos o ocorrido. Ele se espantou, examinou novamente tanto os óculos como os olhos de minha esposa e afirmou estar tudo em ordem. Sugeriu que ela marcasse novo exame no DETRAN.

Assim fizemos dias depois. Vejam que nesta nova oportunidade, no mesmo posto, mas com outro examinador, um senhor de certa idade, rapidamente minha então esposa foi devidamente aprovada por ele. E aí? O que teria o DETRAN a dizer sobre isso? Claro, aconteceu há muitos anos, mas é fato que vez ou outra se repete aqui e ali, podem crer.

Não esqueçam que a examinadora com quem estive este ano, na minha cidade, de forma meio grosseira chegou a me perguntar : “Há quanto tempo o senhor não vai ao oftalmologista conferir o grau dos seus óculos”. Está naquela crônica que divulguei. Lembram do que eu respondi a ela? Pois vou repetir aqui:

“Minha senhora, como sou responsável, pensando justo no exame que eu viria fazer neste mês de Julho, em Maio fui à consulta, com minha esposa, na melhor oftalmologista desta cidade, ali na Clínica de Olhos, tão afamada, que a senhora deve conhecer. Saiba que ela fez um exame profundo e me cumprimentou porque meus graus haviam sido reduzidos, o que, aliás, já acontecera há três anos também.” A examinadora permanecia calada e me olhando. Voltei ao ataque:

“Fiz os novos óculos na Ótica Basílio, uma das melhores desta cidade, cujo dono é nosso amigo há muitos anos e ao recebê-los levei-os para a oftalmologista conferir. Tudo ok, e fui liberado. Portanto minha senhora, meus óculos estão perfeitos, talvez a exigência deste exame é que esteja....” --- Bem, a partir daí, meio sem graça, ela continuou com o exame mudando de letras muito, mas muito pequenas, quase impossíveis de serem lidas, para luzes.

Digo que entre os vários exemplos que me chegaram, provando a completa diferença de métodos em cada exame, um grande amigo da antiga, de bastante idade como eu, pessoa da maior seriedade, narrou-me o ocorrido com ele há uns poucos anos.

Claro que eu jamais poderia fugir à confiança dele contando os detalhes do aludido exame, mas garanto que foi algo inusitado e também sem nenhum sentido para o fim a que se destinam aqueles exames. Algo até constrangedor. Entretanto pode acontecer com qualquer um de nós de repente.

Sou a favor de maior rigor nos exames, porém não na forma esdrúxula como alguns examinadores fazem, mas sim submetendo talvez os candidatos a testes psicológicos, psicotécnicos, ou afins, analisando o lado emocional deles que os leva a provocar tantos desastres nas cidades e estradas, geralmente com mortes.

Preocupar-se somente com a visão dos motoristas, ainda mais exigindo leituras completamente absurdas, desnecessárias mesmo, muitas das vezes levando os candidatos a uma reprovação injusta, e deixando de lado o que realmente leva muitos motoristas a provocarem desastres fatais é completamente incoerente.



(27 de julho/2012)
CooJornal nº 797



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
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