24/08/2012
Ano 16 - Número 801


 

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética

 

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Francisco Simões


ARMAÇÃO DE BÚZIOS, VOCÊ CONHECE?

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Hoje resolvi escrever algo como uma pequena crônica de viagem. Embora eu tenha casa aqui em Cabo Frio há quase 40 anos jamais fora visitar Búzios, nunca mesmo. De repente, querendo fugir à nossa rotina caseira e a de nossa cidade, decidimos nos refugiar por uma semana em algum lugar próximo e eu escolhi a Armação de Búzios. Lena também nunca lá fora.

Só posso dizer que amamos aquele pequeno recanto da Península conhecida como Búzios que contém muitas outras praias, porém nada se compara ao local por nós escolhido, nada mesmo. Um texto apenas não será suficiente para eu contar sobre tudo que por lá vimos, tudo que aplaudimos, tudo que amamos, enfim, Armação de Búzios foi para nós uma grande surpresa e surpresa das melhores.

Sob certos aspectos eu me senti como se estivesse na Suíça. O trânsito, muito raro, embora haja muitos carros por lá, dispensa sinais de trânsito, lombadas e faixas de pedestres. Aconteceu mais de uma vez de irmos atravessando uma rua e vir um carro, sempre em pouca velocidade, e este parar e nos dar passagem, mas o auge de minha admiração foi quando ao sairmos do almoço e cruzarmos certa rua um motoqueiro parar e mandar que atravessássemos. Isto dificilmente aconteceria mesmo aqui em Cabo Frio. Já nem falo em cidades grandes. Não ouvi buzinas por lá também enquanto aqui abusam das mesmas.

Outro fato que nos sensibilizou muito durante a semana foi quando ao cruzarmos com alguém, de qualquer idade, nos cumprimentavam dando bom dia, boa tarde ou boa noite. Hoje em dia é coisa raríssima de acontecer em cidades maiores, pois as pessoas são muito individualistas, ninguém se importa com seus semelhantes.

Certa noite quando íamos jantar percebemos que uma jovem, guardadora dos carros daquela rua, ao nos ver deu-nos boa noite, cumprimento a que respondemos de imediato. Mais curioso e surpreendente foi logo a seguir, quando déramos talvez um ou dois passos, se tanto, a mesma jovem dizer-nos: “Olhem, os senhores formam um lindo casal, viu?” Sorrimos, agradecemos e ficamos emocionados. Nós não a conhecíamos até aquele momento.

E a Praça Santos Dumont? Descobrimos que além de algumas exposições e eventuais feirinhas, lá também ocorrem acontecimentos culturais da melhor qualidade. Numa terça-feira assistimos a um conjunto (um regional dos antigos) tocar músicas maravilhosas, especialmente chorinhos, coisa do mais alto nível com muita gente sentada em cadeiras colocadas na praça para o público.

Eu quase explodia de felicidade e de emoção. Um dos pontos altos foi quando eles tocaram “Brasileirinho”. Lena aplaudia com muito entusiasmo. Nada de baixarias, de “quero tchu, quero tcha” e outros lixos que devem satisfazer o gosto, de quem nunca teve a oportunidade de conhecer a verdadeira cultura musical brasileira.

Isto acontece graças a nossa mídia que divulga somente o que lhes interessa e assim forjam sucessos nos quais se “afogam” mentes e corações jamais tocados por uma educação voltada para a criação intelectual e artística e/ou apoiada nos valores mais autênticos da verdadeira música popular brasileira. Nossa mídia, de uma maneira geral, não educa, apenas visa lucro, com raríssimas exceções.

Na noite do dia 16, quinta-feira, estavam montando um grande palco e colocavam caixas de som num canto da mesma Praça. Perguntei o que iria acontecer e me disseram que iam se apresentar músicos famosos internacionais, voltados para a música clássica, de sexta a domingo. Aquilo fazia parte do 18º Rio Internacional Cello Encounter com programação que ia do dia 08 a 19 de Agosto.

O evento acontecia em vários locais do município do Rio de Janeiro assim como estavam previstas uma apresentação na cidade de Volta Redonda, outra na de Barra Mansa e três em Armação de Búzios. Foi um presente maravilhoso para nós. Na noite da sexta-feira soprava um vento forte e frio, porém o público compareceu em grande.

Lá estávamos nós, eu de agasalho e chapéu, Lena desprotegida e a sentir o forte frio. Eu a abracei para tentar aquecê-la. Um dos pontos culminantes da apresentação foi quando três músicos (piano, cello e saxofone) executaram as Bachianas de Villas Lobos, com destaque para a ária número 5. Uma jovem soprano de linda voz completou a apresentação. Os aplausos foram vibrantes e longos. Uma noite para não se esquecer.

Se Armação de Búzios já nos conquistara por tantos outros fatos, naquela noite declaramos nosso amor definitivo a ela. Na noite seguinte voltamos à Praça e lá estavam outros músicos a nos deliciar com páginas argentinas, tangos estilizados a Piazzola, além de músicas cubanas. O vento frio estava mais moderado. Na noite de domingo não comparecemos, pois voltamos a Cabo Frio à tarde.

Um dia Lena chamou minha atenção para o fato de que não havia uma só casa com grades nas janelas, como aqui, ou nas grandes metrópoles brasileiras hoje em dia. Muros baixos ou de altura normal, nada de câmeras, nada de “cercas de ferro” como vemos em tantos prédios no Rio. Caminhamos sempre pelas mais variadas ruas, de dia e à noite, sem qualquer receio, o que já não podemos fazer aqui mesmo em nosso antigo paraíso, ou Cabo Frio.

Conversei com algumas pessoas sobre isto e foram unânimes em dizer que lá não há assaltos, e roubos não acontecem, como por aqui. Pode eventualmente algum “ladrão de galinha”, como eles falam, atentar contra alguma vitrine, à noite, mas logo o apanham. Há viaturas policiais em lugares estratégicos da cidade, porém não as vimos perseguir ninguém.

Na próxima semana eu lhes apresentarei mais argumentos para justificar os muitos elogios que aqui faço àquele lindo recanto, Armação de Búzios.


(24 de agosto/2012)
CooJornal nº 801



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
http://www.riototal.com.br/escritores-poetas/expoentes-021.htm
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