07/09/2012
Ano 16 - Número 803


 

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética

 

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Francisco Simões


A VIOLÊNCIA CONSENTIDA?

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Eu evito entrar neste assunto em meus textos, mas agora não agüentei mais e resolvi dizer o que tenho guardado há muito tempo no meu peito explodindo contra o absurdo que é o aparente “consentimento” de parte da violência que nos cerca, nos domina, e nos mata.

Há pessoas que detestam ver cenas de violência, seja em tele jornais, seja em programas que procuram mostrar fatos ligados ao que de pior acontece nessa sociedade cercada pelo que chamam de “crime organizado”, etc. Se assim o aceitarmos, teremos então que admitir que nosso aparato policial, nossas leis, governos e tribunais são desorganizados!! Ou não?

Vemos cada barbaridade em matéria de uma violência crescente neste país enquanto percebemos que as autoridades, ou os ilustres Juízes, delegados de polícia, e outros se limitam a sempre aparecer e atacar quando o crime já avançou demais sobre a sociedade. Isto está acontecendo todos os dias, mas parece que estamos entorpecidos a ponto de só levarmos a sério quando nós somos atingidos.

O pior é que hoje em dia gente que nem é envolvida com bandidagem, também anda resolvendo problemas pessoais com terceiros só na base do tiro, do uso indevido de uma arma assassina e covarde. Vemos essas cenas tanto em nossas ruas assim como no trânsito, nas invasões a casas e condomínios, até em lugares como hospitais.

Ainda outro dia assisti na TV a um cidadão, armado, invadir os corredores de um hospital, corredor que estava cheio de pessoas indo e vindo, e de imediato passou a esfaquear a ex-esposa que lá se encontrava, sob os olhares assustados e complacentes de quantos estavam ao redor da terrível cena. Não satisfeito o assassino cruel e covarde ainda matou, ali mesmo, a própria sogra. Ninguém interferiu e nem posso condená-los, pois todos temem pela sua vida diante de um alucinado assassino disposto a tudo e com atos tão covardes.

Quantas pessoas têm perdido a vida chegando de carro ou a pé em casa, ao serem abordadas por marginais, via de regra menores de idade, impunes sempre? Virou uma rotina não apenas policial, mas que deveria nos revoltar a todos e clamarmos por leis muito mais duras do que as que temos e por um policiamento bem maior em nossas ruas. As autoridades sempre falam, falam, mas o que se vê é, quando criminosos chegam a ser presos, logo depois já estarem em nossas ruas para repetirem uma violência que parece estar sendo consentida até pela sociedade.

Como alguém disse outro dia: “Leis fracas, assassinos fortes”, e é uma grande verdade. O Congresso, por seu lado, vive se recusando a rever, por exemplo, a lei da maioridade, reduzindo a idade para jovens serem responsabilizados pelos crimes mais bárbaros que todos nós temos visto eles cometerem. No fim sempre aparece algum advogado para defendê-los, ou mesmo sem a ação deste, na delegacia, ainda que confessem o que fizeram, acabam sendo liberados em seguida, por serem,,, menores. Desculpem, mas não dá mais para agüentar isto.

Recentemente vimos um senhor (cena que se repete quase todos os dias aqui e ali) ser roubado por um menor que lhe pediu a carteira. Ele, sem esboçar qualquer reação a entregou ao garoto, mas este, sem dó nem piedade, simplesmente disparou dois tirou na barriga do referido cidadão que acabou falecendo. Mais um chefe de família que é vítima dessa violência que parece estar sendo consentida.

Enquanto não acontece conosco, nada dizemos, nos escondemos, preferimos fazer de conta que nada aconteceu, nos omitimos sempre, esquecendo que amanhã podemos ser a próxima vítima. Até onde vamos deixar que isto chegue? Andam matando pessoas desarmadas, crianças, idosos, mesmo sem qualquer reação. Mas logo reelegeremos alguns demagogos que vivem a falar em “pacificação” enquanto o crime avança, sem limites.

Quando invadiram o complexo do Alemão, há alguns meses, com imenso aparato policial militar, visando a iniciar, como foi dito, a pacificação daquela comunidade, a TV nos mostrou repetidas vezes, uma quantidade enorme de bandidos, dezenas deles, a fugir correndo por caminhos abertos nos quais poderiam ter sido contidos caso houvesse interesse das forças que lá foram pacificar aquela comunidade. Mas até o Secretário de Segurança de nosso Estado disse não ser aquela a função dos militares que lá foram. Ora, ora, não era mesmo, ilustre Secretário?

Eu me perguntei: foram lá então para quê? Só para posar de “tropas da paz”, pacificação, mas sem objetivarem prenderem ou sei lá o quê pessoas que tanto já vinham aterrorizando a comunidade inteira há muito tempo? Cheguei a soltar um comentário na internet sobre o que vi e dei minha opinião sobre o que achava deveria ter sido uma ação mais efetiva das tropas de choque que lá foram.

Acabei sendo criticado porque uns poucos entenderam que eu poderia estar sugerindo uma “matança” de criminosos. Meu Deus, não se tratava disso, mas se eles ao fugirem, como aconteceu, acabaram se evadindo para outras comunidades, onde assaltam e matam, assim como alguns terminaram retornando à mesma comunidade para novamente se defrontar com os soldados que lá estão, porque não previram isso e procuraram deter e prender os meliantes em fuga? Por quê?

Ouço muitos discursos, entrevistas muito comportadas de autoridades quando estamos diante de uma violência sempre crescente e nos aterroriza a todos, mas parece que a eles não, afinal estão sempre muito protegidos, cercados de seguranças, etc e tal enquanto o povo que se lixe e trate de votar novamente, provavelmente nos mesmos. Será que ninguém percebe o que acontece?

Como justificar recentemente a morte estúpida e covarde de uma jovem policial, em plena “comunidade pacificada”? A tal pacificação foi exibida com tanto aparato na época, discursos e muita politicagem. E aí? Alguns daqueles que fugiram na invasão das tropas, já se diz na mídia que voltaram para o Alemão e agem hoje talvez com mais violência que antes. Enquanto isso autoridades são fotografadas farreando em Paris ou então em Londres, no clima das Olimpíadas. E eu que estava errado?! Pobre povo largado a sua sorte.


(07 de setembro/2012)
CooJornal nº 803



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
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