02/11/2012
Ano 16 - Número 811


 

ARQUIVO SIMÕES


Francisco Simões
em Expressão Poética

 

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Francisco Simões


É A MINHA OPINIÃO

Francisco Simões, colunista - CooJornal

Respeito opiniões em contrário, porém me reservo o direito inalienável de defender a minha visão sobre a problemática que eu abordarei neste texto.

Creio que tudo começou a partir de quando alguém, ou alguns, decidiram criar e estabelecer uma norma que eu particularmente não aceito, deploro e jamais me enquadrarei nela. Refiro-me ao “politicamente correto”.

Não sei de que inteligência nasceu esta luminar idéia e nem também o enquadramento de nossos comportamentos em politicamente correto. O fato é que a partir dali muita gente passou a usar esse termo e temos que ouvi-lo com certa constância quando alguém analisa situações que nele se possam enquadrar.

Se não me falha a memória, outros termos foram surgindo e se proliferando na boca de muita gente. Um deles foi até adotado creio que por decreto ou transformado em lei!! Pessoas que usam certo poder e que o ostentam como lhes vem à cabeça, sem consultar ninguém, decidiram por conta própria que no nosso país negro não pode mais ser chamado de negro. Como se fosse uma ofensa.

Preto então nem pensar em usar. Eles ou elas agora, por vontade e decisão de uns poucos, passaram a ter que ser chamados de “afro-descendentes”. Nem as pessoas negras concordaram ou aceitaram este rótulo. Eu, da minha parte, jamais direi que sou casado com uma “afro-descendente” ou que tenho agora também uma família de afros... ah, quanta bobagem.

Afinal nós que ainda podemos ser considerados como brancos, até que decidam por outra nomenclatura, e que como eu descendo de portugueses (filho, neto, bisneto) ou os que descendem de italianos, alemães, franceses, etc, não seria o caso de sermos chamados, me desculpem, mas de “euro descendentes”? Por que não? Claro, eu jamais aceitaria tal rótulo. Mas, pergunto de novo: por que não? E os descendentes de japoneses, além de nisseis, não deveriam ser considerados como “nipo descendentes”?

No bojo de tanta asneira, de tanta imposição esdrúxula e sem sentido, surgiram mais recentemente outras. Refiro-me agora ao exagero hoje em dia, do termo “focar”. Como se ouve pessoas de todos os níveis sociais, nos meios de comunicação, dizerem: “Estou focado nisto...” “Fulano anda focado naquilo...” e vai por aí afora a cachoeira de “focalizações.”

Muitos devem usar o termo provavelmente sem ter tanta certeza do seu sentido, mas apenas por repeti-lo para ficar bem “socialmente falando” como tem sido hábito no Brasil atual. Será que os argentinos têm razão ao nos chamarem de “macaquitos” por um hábito de copiarmos ou repetirmos coisas?! Outro dia ouvi um jogador de futebol, em pouco mais de um minuto de entrevista, repetir cinco vezes o vocábulo “focado”!

Vamos ao dicionário, antigamente chamado de “pai dos burros”, e que é sempre um socorro imediato e esclarecedor neste tipo de dúvida. Focar, gente, é como um tipo de “abreviatura” de focalizar. Esta é a palavra correta e que eu usei na prática por tantos anos quando militava com avidez na arte fotográfica.

Tantos e tantos foram os assuntos por mim focalizados para obter uma boa foto que eu expunha e até ganhei muitos bons prêmios. Desfocar (ou desfocalizar) também era conveniente, às vezes, dependendo de termos planos diferentes. Mas isso tem a ver com a técnica fotográfica que não está em questão aqui.

Voltemos ao dicionário para vermos o que ele nos diz sobre o vocábulo “focalizar”? Aqui está: “Formar, por meio de um sistema óptico (uma imagem nítida, real ou virtual), num anteparo material ou numa superfície no espaço; ajustar ou arrumar (um sistema óptico) de maneira que forme imagens nítidas.”

Vejam que a definição mais importante é a que copiei acima e nada tem a ver com o sentido, mesmo correto, que a aplicam em profusão hoje em dia. A seguir é que o dicionário acrescenta, em segundo plano, o seguinte: “2. Figurativo: Pôr em foco; fazer voltar a atenção, o estudo, para; salientar, evidenciar”. Se você procurar direto no verbo focar, o dicionário lhe arremeterá para focalizar. Então, vamos nos “focar” em outro assunto.

Como sabem surgiram outros termos, decerto que “politicamente corretos”, e nos impuseram bobices como essas: Mulher Melancia, Mulher Morango, Mulher Abacate, Mulher Pêra, Mulher Jaca, Mulher Berinjela (a que beijou o Serra em campanha) e tome mulheres-frutas. Ainda bem que não inventaram o Homem-Mandioca, o que poderia gerar certa “humilhação” para muitos outros machos.

Na área acima, espalhou-se o hábito, ou mau hábito, do uso do silicone. Colocam na parte de cima do corpo, na parte do meio para trás, etc. Até homens, homens, sim, deram de usar o famigerado silicone. Já vi alguns darem entrevista e assumirem o referido uso. Desculpem, mas é a minha opinião livre, democrática, sem preconceito, só me recuso a aceitar qualquer imposição dessa natureza.

Ah que saudade de belezas naturais, tal como Deus as fez para o mundo, de Elisabeth Taylor, Marilyn Monroe, Sophia Loren, Audrey Hepburn, Grace Kelly, Brigitte Bardot, Ava Gardner, Jane Fonda, Rita Hayworth, Cláudia Cardinalle, Silvia Kristel, recém falecida, entre tantas outras que nunca precisaram de artifícios para serem lindas realmente. E se eu relacionasse as mulheres lindas, brasileiras, do passado, algumas ainda vivas, a lista iria bem longe.

Afinal essas “invenções” com formato de “criações” passaram também para a música. Antigamente eu gostava de ouvir as músicas caipiras quando viajava pelo Brasil de norte a sul. Era música de raiz, mesmo. Hoje mudaram para música sertaneja, sim, sertaneja, porém trabalhada e gravada em primorosos estúdios nas capitais como S. Paulo e outras, como disse um colunista.

Para piorar o quadro depois alguém inventou o “sertanejo universitário” que, convenhamos, de universitário não tem nada. Não consigo ficar calado. E a nossa mídia fica a dar destaque a essas coisas transformando a MPB em certo lixo cultural cujas letras não contêm nenhuma poesia, são vulgares e repetitivas.

Até para o bravo e tradicional forró do Nordeste andam a lhe dar “cores” e “formato” que não condizem com sua história. Há uma dupla por aí a se anunciar na TV como Wesley Safadão e Garota Safada e se dizem cantores de forró! Meu Deus, não os perdoai, eles sabem sim o que fazem.

Permitam-me também condenar o que a TV Globo tem exibido em larga escala em novelas muitos vistas, como das 21 horas. Pessoas que hoje tomam cerveja pelo gargalo. É incrível, mas de um tempo para cá ninguém mais usa copo. Abre a garrafa e a leva direto à boca, seja homem, seja mulher, mesmo jovem. Péssimo exemplo difundido no horário nobre.

Vou encerrar esta simplória, mas sincera “análise/desabafo”, usando uma citação que outro dia recebi da boa amiga Lane Arantes, da FORD, aqui de Cabo Frio. Rotineiramente ela me manda pequenas mensagens ora com citações de Shakespeare, ora de alguns filósofos, ou da Bíblia, sempre passando uma mensagem inteligente que recebo com prazer e retribuo.

Fechando o assunto acima esmiuçado aqui vai esta citação de Sêneca que a Lane me mandou: “Nenhum vento sopra a favor de quem não sabe para onde ir.”


(02 de novembro/2012)
CooJornal nº 811



Francisco Simões
escritor, poeta, fotógrafo (expositor), ex-radialista
Rio de Janeiro
fm.simoes@terra.com.br
Conheça um pouco mais de Francisco Simões
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